Que tu te lembres que um dia
Eu te segurei pelas mãos
E te dei o meu mundo:
Um mundo que ninguém conhecia.

Admiro tanto os poetas
Ao ponto de não me considerar um
Leio coisas que me desnudam
Que desnudam os outros
Métricas, rimas
Tudo perfeito
Nem mais, nem menos
As coisas como são
Mas eu não sei como são as minhas coisas
Só sei que são
E talvez ser poeta seja isso –
Não sei –
Falar das coisas como as vejo
Como as sinto
Como com elas pelejo
E esse meu esforço pagão
Há de fazer sentido
Na vida, em algum vão perdido
Das minhas coisas como são
É uma forma de dizer –
E como eu preciso dizer –
Não sou em vão!

Ao andar sozinho
Percebi detalhes do caminho
Fui capaz de ouvir meus passos
Observar minha respiração
E o ritmo do meu coração:
Eu me senti
Ao andar sozinho
Passei por flores e espinhos
Becos, avenidas e praças
Do chão batido ao asfalto
Do sapê ao concreto, do aço à lata:
Eu senti o mundo
Ao andar sozinho
Provei todas as cores e temperos
Beijos e abraços intensos, insossos e acesos
Camas desarrumadas e fartura sobre as mesas
Tudo passageiro com retrogosto definitivo:
Eu senti o passar do tempo
Ao andar sozinho
Nada controlei ou antecipei
Nada esperei e muito recebi
E com o peito inundado pela esperança
Tornei-me da minha vida autor e protagonista:
Eu me reconheci.

Normalmente, eu escrevo um texto e procuro uma imagem ou frase que tenha a ver com ele. Hoje, faço o contrário.
Passeando pelo Pinterest, encontrei a frase que está no final desse texto.
Somos criados (eu pelo menos fui) diante da máxima “ninguém é insubstituível”. E de uma forma ou de outra, essa frase é uma grande falácia. Ela parte do pressuposto que a vida é uma espécie de competição, onde temos que nos posicionar de maneira superior aos demais para não sermos substituídos. Talvez haja verdade nisso em se tratando de ambientes estritamente profissionais, mas a vida é bem mais do que mero profissionalismo…
Eu tenho qualidades e defeitos. Todos temos. Em nossa jornada pelo mundo – nossa vida, somos constantemente bombardeados pela sensação de que devemos seguir um determinado padrão para que a aceitação venha. E nos culpamos e até mesmo nos rejeitamos por conta disso. É um eterno jogo do tipo “se eu fosse assim, a minha vida seria melhor”. Ledo engano.
Eu, Fábio, sou único. Sou um conjunto de experiências e histórias, de vitórias e derrotas, que me fazem ser eu, Fábio. Percebem o poder disso?
Há pessoas que pensarão em você e sentirão em você (e por você) somente o que VOCÊ pode dar, o que somente VOCÊ pode ser. E justamente por isso, no dia de hoje, seja lá quem você for, gostaria de deixar claro que VOCÊ é especial e que EU também sou. E sim: sermos o que somos é de fato um super poder.
Não deixe que um dia difícil ou um momento difícil defina a sua vida. Não deixe que a opinião de uma pessoa (ou grupo de pessoas) seja algo limitante ou mesmo constrangedor. VOCÊ É VOCÊ E SÓ VOCÊ SABE SER ASSIM.
Em busca da melhor versão de nós mesmos – SEMPRE!!!, mas na certeza de que somos o bastante e que somos capazes de, de alguma forma, fazer a diferença no mundo e nas pessoas que nele habitam.
VOCÊ tem superpoderes e EU também. Seja bem-vindo ao clube. Nós somos insubstituíveis. 🙂
Entre tantos parapeitos,
Por que escolheste pousar justo neste?
Justo nestas janelas,
Nas minhas janelas,
Que para mim eram só mais umas janelas –
Entre tantas outras –
De onde eu via o mundo,
E de onde eu não imaginava
Que tu me vias.
Abriste meus olhos –
Sim, as tais janelas –
E enxergou-me por dentro,
Enquanto eu sorria do lado de fora.
Deixei que o fizesse sem pressa –
Mas também sem demora –
Porque eu não saberia descrever
Tudo que dentro de mim ficou
E nunca foi-se embora.
E desde então,
Minhas janelas seguem abertas para o mundo,
Em todo e qualquer segundo,
E de todo e qualquer jeito.
Pois sempre que pousas
No meu parapeito
Convido-te a entrar
Para repousar,
E para te aninhar
Bem dentro –
No centro –
Do meu peito.

E pensar que eu só queria
Saber se você me lia
Pois em cada gota de tinta
Estava um pedaço de mim
E pensar que eu só queria
Nas noites tão vazias
Um beijo de boa noite
Um alento para a saudade que há em mim
E pensar que eu só queria
Contar o passar dos dias
Para aquecê-la em meus braços
Para tê-la em mim
E pensar que eu só queria
Que em minha cama vazia
Repousassem seus medos e sonhos
Para que você pudesse vivê-los em mim
E pensar que eu só queria
Ouvir e ser ouvido
Em prosa e poesia
Para fazê-la lembrar de mim
E pensar que eu só queria
O que ainda quero
Nosso amor, nosso marco zero
Laços sem fronteiras
Amor
Puro e retumbante
Amor desconcertante
Sem fim.

E me encontro
Quando te encontro
Em cada desejo
No safado gracejo
Que só a você faz rir
É automático
Sintomático
Intergalático
Nunca burocrático
O sorriso que brota
E que vai de porta em porta
Querendo se mostrar
Querendo fazer o mundo sorrir
É contagiante
Grande feito um elefante
Raro como diamante
Droga super alucinante
Que descobrimos juntos
E para qual não há antagonista
Que vicia e conquista
E faz parar o tempo
Nos nossos momentos
Atemporalmente únicos
Únicos…
Únicos…
Há temporais únicos.

Que não te esqueças de mim
Quando a noite chega
Não tenho medo do escuro
Mas fico reflexivo, taciturno
À mercê dos perigos do mundo
E estes me rondam
Sondam-me
Provocam-me
Para que meu pior aflore
Que se mostre e devore
Tudo do qual não careço
Ou nutra qualquer apreço
Sim, quase tudo tem seu preço
E eu que não estou a venda
Fui por ti do fim ao começo
E irei do começo ao fim
Cabeça erguida
Eu sou assim
Uma ovelha desgarrada
Uma alma do avesso.
