Avatar de Desconhecido

Sirius

Há algo no teu sorriso
Que me inquieta,
Que em mim tudo desperta,
Que me fascina.

Há algo na fumaça que sai da tua boca
Que me atravessa,
Que em mim é promessa,
Que me domina.

Há algo no teu corpo riscado
Que me testa,
Que em mim é festa,
Que me desatina.

Há algo em teus cabelos e olhos negros
Que me cativa,
Que a mim desajuiza,
Que me alucina.

Mas acima de tudo,
Há algo em tua alma
Que se traduz em luz,
Que irradia de teus poros,
E que iluminou
Os becos e vielas
Pelos quais já andei,
Sempre contigo por perto
(de alguma forma)
Ou com você em mim.

És uma estrela
De pujante fulgor
Que cintila em meu caminho,
E quando sigo em tua direção –
Estás em toda e qualquer direção –
És a única direção –
Sei que não estou sozinho.

Avatar de Desconhecido

Olhos do coração

O não sempre traz consigo

A esperança de que dias melhores virão,

Pois a vida sempre será farta e bela

Quando vista pelos olhos do coração.

Avatar de Desconhecido

Anil

Te olhar nem sempre é com os olhos.

Por vezes, sinto minhas entranhas atiçadas, pois és parte delas.

Por vezes, quando as minhas pálpebras fingem que dormem, lá estás, lá vives.

Nenhuma força é maior do que ti, e por isto acabaste com meu estado de natureza.

És o meu estado meu estado civil, e o céu se faz anil todos os dias, até nos dias que não te vejo.

Avatar de Desconhecido

Visão turva

As lágrimas turvam nossos olhos e prejudicam a nossa visão. É preciso que elas cessem para que se possa ver e entender o que está de fato acontecendo conosco e ao nosso redor.

Avatar de Desconhecido

Assassinato

Mentir –
Olhando bem no fundo dos olhos
De quem lhe dá o fundo dos olhos
Para serem olhados –
Não é mentir:
É assassinar.

Avatar de Desconhecido

Olhos nos olhos

Se não há coragem de olhar nos olhos
Pelas janelas da alma –
Escancaradas! –
É certo o intuito:
Fugir

Resta saber se do outro
Ou se de si mesmo

Posto que
Ainda que tentem
Olhos nos olhos
Não fogem
Porque não podem

Jamais.

Avatar de Desconhecido

Cego-te

Despi-me do sonho
Vesti-me da verdade:
No que é invisível aos olhos
Teu gosto
Teu rosto
Os excessos do meu corpo
Corredeiras que jorrro –
Que pedes
E que encaras –
Morro
Esfrego
Puro gozo
E nos teus olhos
Acidentados de alma sanitária
Realizo-me
E nem disfarço.

Avatar de Desconhecido

Olhos de outrora

Por ora, moça,

Enxuga teus olhos e vai.

 

E mais adiante,

Quando estiveres menos ofegante,

Espero que entendas

Que a vida se esvai

Nas pequenas doses de morte

Que ingeres a todo instante.

 

O sim e o não –

Não ditos –

Mau ditos…

Malditos!

Cansativos

E maçantes.

 

E teus olhos,

Hoje opacos e distantes,

Sequer relembram os olhos de outrora,

Quando descobriste que eras –

Ainda que por lapidar –

O mais lindo dos diamantes.

um-diamante-e-um-pedaco-de-carvao-que-se-saiu-bem-sob-pressao

Avatar de Desconhecido

Janelas

Entre tantos parapeitos,

Por que escolheste pousar justo neste?

Justo nestas janelas,

Nas minhas janelas,

Que para mim eram só mais umas janelas –

Entre tantas outras –

De onde eu via o mundo,

E de onde eu não imaginava

Que tu me vias.

 

Abriste meus olhos –

Sim, as tais janelas –

E enxergou-me por dentro,

Enquanto eu sorria do lado de fora.

 

Deixei que o fizesse sem pressa –

Mas também sem demora –

Porque eu não saberia descrever

Tudo que dentro de mim ficou

E nunca foi-se embora.

 

E desde então,

Minhas janelas seguem abertas para o mundo,

Em todo e qualquer segundo,

E de todo e qualquer jeito.

Pois sempre que pousas

No meu parapeito

Convido-te a entrar

Para repousar,

E para te aninhar

Bem dentro –

No centro –

Do meu peito.

eye-window.jpg

Avatar de Desconhecido

Diga-me!

Nesse momento, não preciso de metáforas, metonímias, catacreses, perífrases… Quero abundantes hipérboles, pleonasmos e anáforas. Quero que as palavras rasguem meu corpo feito navalhas. Quero que jorrem sangrentas obviedades. Quero purgar a realidade. Quero olhar nos olhos da verdade.

Diga-me! Não importa se nascerão deuses ou demônios! Diga-me!

E ainda que eu vire pó, do pó ascenderei ao céu

Não sei se como vítima, juiz ou réu

Meu coração não sabe ficar ao léo

Diga-me! Antes que uma surdez catastrófica me reclame!

Diga-me! Não espere que eu clame! Diga-me!

Ou não diga… E não direi também.

megafone

Save