Avatar de Desconhecido

Vestígios

Entre cartas antigas,

Descansam sopros de vida,

Papéis que ainda guardam

O calor de mãos ausentes.

.

A tinta, já um pouco desbotada,

Sussurra palavras que não envelhecem,

Feito promessas suspensas

No fio delicado da memória.

.

E ali, entre dobras amareladas,

Repousam as fotografias:

Janelas silenciosas do passado,

Onde o tempo se esqueceu de ir embora.

.

Rostos presos em um instante,

Olhares que ainda falam,

Sonhos e sorrisos congelados no ar,

Ecoando pela eternidade.

.

Cartas e fotografias

Adiam e permeiam o tempo:

Quer seja na trama das palavras,

Ou nas imagens de sepulcral silêncio.

Avatar de Desconhecido

Deságua

Fé na corrente:

o rio não escolhe o mar,

mas nele chega.

Avatar de Desconhecido

Calor

Colo que acolhe –

o mundo em ruído some

no calor dos seios.

Avatar de Desconhecido

No outro

Sombra no espelho –

o que nego em mim mesmo

ganha outro rosto.

Avatar de Desconhecido

O reflexo

Noite sem motivo –

um copo d’água na mesa

reflete o escuro.

Avatar de Desconhecido

Passo a passo

Chão irregular,

cada passo se resolve —

sem mapa algum.

Avatar de Desconhecido

Invisível

Pedra no bolso,

atravesso a tarde inteira —

ninguém percebe.

Avatar de Desconhecido

Aproximação

Teu riso perto,

O ar entre nós desperta

quase um toque.

Avatar de Desconhecido

Melífluo

Entre dois caminhos, eu paro –

o mundo segue, mas dentro de mim,

o tempo aprende a hesitar.

.

O silêncio cresce,

como um peso melífluo no peito,

sussurrando perguntas sem respostas.

.

E nesse intervalo incerto,

não saber também é um lugar

onde, aos poucos, eu existo.

Avatar de Desconhecido

Renascer

Luz no silêncio,

ergue montanhas de afeto –

o peito renasce.