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Realizar

Aos poucos,

Tudo volta a seu lugar.

Os sonhos, os desejos,

O amor e o amar.

E o coração se liberta da culpa,

De não ter sido bom o suficiente,

Porque nunca há de ser suficiente

Aquilo que não se quer receber,

Aquilo que não importa se chegar.

Aos poucos,

Tudo volta a seu lugar.

E eu quero e mereço um lugar

Aonde eu possa estar

Sem meu coração sangrar.

Que eu me livre do engano,

Que morram a esperança,

As expectativas e os planos,

E que meu presente não seja só

Uma eterna lembrança

Dos meus tempos de criança,

Quando tudo que eu sabia fazer era sonhar.

Eu quero,

Eu preciso:

É imperativo realizar.

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Vim trazer verdades 54

Entre ferir e ser ferido, eu prefiro…

Ir à praia e tomar água de coco.

Diante de qualquer dilema, lembre-se que as opções mais óbvias podem não ser as únicas disponíveis.

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Rosas Brancas

Eu exagerava
Nas palavras que te dizia,
Em como te descrevia,
Mas havia um motivo:
Tudo relativo a ti
Era em mim exagerado.

Cada despedida,
Uma morte.
Cada abraço,
Uma ressurreição.

Tu eras um exagero em minha vida,
Daqueles que nunca são suficientes,
Que nunca são o bastante.
E ao mesmo tempo não eras vício,
Mas sim uma opção,
Que eu fazia e refazia,
Todos os dias.

As minhas intenções
E mesmo limitações,
Eram muitas e claras,
Porque eram óbvias
E eram a minha maneira
De dizer que eu –
Todo o meu eu –
Era todo teu.

Amei-te por amar-te,
Sem pensar ou teorizar,
Porque amando-te,
Descobri-me, despi-me,
Como nunca havia feito antes.

E hoje,
Nas andanças do tempo,
Todos os dias,
Guardo-te nos exageros
Também presentes
Nos jardins de minhas memórias,
Onde só brotam rosas brancas.

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Inocência

Há inocência nas palavras do poeta.
Há projeções.
Há idealizações.
Há fantasias.
Há idiossincrasias.
Há crenças.
Há fé.
Há verdades que o tempo se encarrega de mostrar
Que não possuem lastro algum na realidade.

E nesse processo, algumas poesias se apagam,
Outras tantas se perdem,
E o poeta se sente um bobo,
Um contador de histórias ridículas,
Um louco,
Um palhaço de circo
Cercado por hienas famintas.

A plateia dele ri e debocha.
Caçoa-o de forma vil,
Torcendo pela sua morte,
Mal sabendo que é na morte, –
Mais uma entre tantas mortes –
No meio do escárnio e do suplício,
É que o poeta encontra a sua redenção,
Retomando a sua forma mais sublime.

Há inocência nas palavras do poeta,
Posto que a inocência é o seu líquor, sua essência,
De forma que ele apenas lamenta
Por quem em suas palavras
Nada dele viu ou a ele sentiu,
Fustigando o poeta pela sua própria existência.

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Feliz demais

Há dias a minha frente
Há dias fantásticos as minhas costas
E no hoje, no amanhã e no ontem
Há invariavelmente você.

Ainda não consigo acreditar nas pessoas
Os “eu gosto de você” e até mesmo os “eu te amo”
Me assustam de uma forma que não sei explicar
Eu tenho medo, muito, muito medo.

Tenho preferido ficar só
Porque sozinho só há eu mesmo para me ferir
Nenhuma esperança, nenhuma expectativa
Vazios enormes que não pretendo preencher.

Passei a acreditar que só se vive um grande amor
Um único, um eterno amor que ama amar
Que ama tudo que com este amor veio
E que não sabe para onde ir quando este amor se vai.

Amo ver casais se amando no restaurantes e bares
Ou em uma simples caminhada na praia
Porque eu já senti, me pareci e vivi como eles
Hoje, não mais, não mais. Infelizmente.

Talvez eu me torne um conselheiro amoroso
Para que outros vivam o que eu já vivi
Foi tudo, a melhor parte da minha vida
E por isso agradeço a Deus todos os dias.

Neste sentido, minha vida faz todo o sentido
Porque sou testemunha do que o amor pode causar
Saudade profunda da mais simples rotina
Até da chama que queimava dentro de meu peito.

Talvez hoje eu não durma só (não é uma afirmação)
Mas eu sei que continuo sozinho
Eu te vejo e te sinto em outras bocas e outros corpos
E tenho nojo de mim quando me flagro fazendo isso.

Este texto é despretensioso, porém sincero
Para falar de mim e não mais de nós
Amo as lembrancas que de você eu tenho
Eu já fui feliz, muito, muito, muito, muito feliz, feliz demais.

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Você e eu

É lindo tudo que não fomos
Tudo em que não acreditamos
Tudo que nos venceu

Ando pelas ruas relembrando
Muitas vezes sonhando
Com tudo que não nos aconteceu

E o meu castigo, minha pena
É saber que no meu coração
Tudo de fato ocorreu

As lágrimas de sangue em minha face
São a falta do que nem sei se de fato houve:
O início ou o fim de você e eu.

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Resistência

Houve um tempo

Em que as pessoas diziam

Exatamente o que iriam fazer.

Não havia opção.

Nas mentes e nos corações,

Uma mistura de honra, coragem e integridade,

Que eram então os alicerces do caráter.

Hoje, não mais.

Tudo é líquido,

Tudo muda da noite para o dia

E a única certeza é a mudança.

Palavras não valem mais de nada

E as atitudes são aleatórias.

A sociopatia coletiva não consegue distinguir

Lobos de ovelhas e nem ovelhas de lobos.

As narrativas se formam tendo como base

Os interesses e não mais a verdade.

Não há mais certo ou errado.

Há apenas o conveniente,

O raso, o rasteiro e o sem nexo.

Vivo neste mundo,

Mas não sou deste mudo,

E nunca irei me acostumar com isso.

Eu faço parte da resistência.

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São João

Talvez haja mais na festa do que o quentão,

A canjica, o curau, a pamonha e a paçoca.

Talvez haja mais do que as quadrilhas,

As roupas, as brincadeiras, os balões e as fogueiras.

Fogueiras…

De chamas crepitantes,

De labaredas que se abraçam

Por puro desejo e prazer.

Balões…

Coloridos, ascendentes,

Como são nossos sonhos fulgentes

Dançando no céu desta noite limpa.

Nos olhos de cada um,

O brilho e a esperança de uma vida inteira

Por viver,

Por fazer acontecer.

Hoje é dia de São João,

E no meu coração

Explodem os fogos do amor.

E com eles eu escrevo no céu

O seu nome

Seguido de um eu amo você.

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Silêncios

No silêncio não há verdades ou mentiras.

É tudo subjetivo, opinativo,

E talvez por isso deveras mais dorido.

No silêncio tudo cabe.

Tudo é e não é

Em um piscar de olhos,

Nas memórias que carecem

De algum tipo de sentido ou explicação.

O silêncio cansa,

O silêncio machuca,

O silêncio ensurdece,

Ainda que não seja este o seu objetivo.

Pior do que isso é que sei

Que as respostas que procuro

Estão nestes silêncios

E dentro destes silêncios

Estou eu.

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Insuficiente

O de vez em quando

Nunca me foi suficiente.

Suficiente só me seria

O de uma vez

O diariamente

O cotidianamente

O constantemente

O literalmente

O deliberadamente

O veemente

O incrivelmente

O espontaneamente

O reciprocamente

O ridiculamente

E mais que tudo isso

O para sempre.