Avatar de Desconhecido

Em chamas

Já caminhei sobre brasas

Nunca me queimei

É que tenho invisíveis asas

Mentira!

As brasas é que não sabem

Eu sou labareda

Eu sou chama

Pior…

Sou a chama que não se apaga

A chama que te chama.

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Leoa

Longe da pizza e do vinho

E mesmo que minha memória não fosse boa

Você não me deixaria esquecer

Quer me comer, minha leoa?

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De uma vez

Não demorou…

Maturou

Cresceu

Vingou

Aconteceu

Refez-se

Fez-se

De novo

Outra vez

Não demorou…


E por isso chegou

De uma vez.

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Nuíssima

E ela que veio naturalmente

E casualmente se despiu

Ficou nua, nuíssima de alma

Coisa bonita assim nunca se viu

 

Mas ela insiste em andar vestida

E isso só sabe quem nela já viu

A pujança de seu coração petulante

Que desde sempre me sorriu

 

E entre as fugas das lembranças

E na presença do que não partiu

Foge de si mesma feito criança

Feito flor que ainda não se abriu

 

Mas a verdade insiste em mostrar-se

Nos detalhes em que na vida não fingiu

Que rondam sua mente tortuosamente

Na saudade do que ainda nem existiu

 

E nesses versos sinceros e ritmados

Feitos da sina do qual nunca fugiu

Ri para si mesmo o perspicaz poeta

De quem se foi e nunca partiu.

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Vôo cego

As pernas –

E que pernas! –

Enlaçam-me em vôo cego,

Sem destino ou pretensão.

Deixo-me ir…

Não me culpo:

Acabei por dizer que sim

Depois de tanto ouvir que não.

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Abundância

E do muito que eu já tinha

Dei-te tudo

Mas é assim que é no amor:

Sempre –

Sempre! –

Se sai com mais

Com muito mais

Do que se tinha antes.

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Do avesso

E sentado rente ao mar

As idéias ali defronte

Indo e vindo em espasmos

Em ondas e ventos

Que se misturam e se atormentam

Distorcendo o horizonte

Jazo imóvel:

Coração que sangra impecável

Diante do destino incerto

E da ferida desnecessária

Ignóbil

 

E me vejo naufragando

Nas poças que gero eu mesmo

Na esperança

Que se faz de desentendida

Feito quem acredita

E nunca alcança

 

Mas salva-me o vinho

Meu bom companheiro

E traz-me algum tipo

De ébria pujança

Que faz despir-me de mim mesmo

E perceber que ainda sou

Absoluta verossimilhança

 

E bem ao fundo

Diante do todo que se cala

Porque se declara mudo

Ouço todos os detalhes

E o quanto

Ainda acredito

Apesar dos pesares

Nas coisas boas deste mundo

 

E ainda sentado rente ao mar

Eis que as ondas cessam

O sol se abre

E a miudeza desaparece:

Foi só um susto –

Declaro –

E agora já não me desconheço

Porque sou e quero o mesmo de sempre

Por fora

Ou mesmo quando estou do avesso.

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Vivo?

Há gente que não vai morrer nunca,

Porque para morrer

É preciso estar vivo.

 

E você?

Tem vivido?

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Eu só te amo

– E por que você me olha? Já te disse adeus!

– É porque quero me lembrar de ti… É o meu jeito. Eu sou assim.

– Lembrar? Você precisa é esquecer! Deixe de ser ridículo!

– E talvez eu seja drummonicamente ridículo. Não me importo. Preciso te olhar e sentir que não posso mais te amar, mesmo que meu coração por isso grite e chore. Exagerado como sempre, mas real. Preciso ver o tamanho do abismo que me espera após a nossa despedida. Preciso aceitar que não sou mais teu, mesmo que cada partícula da minha existência grite o teu nome. Preciso entender que meu futuro está em outras moças, que até ontem para mim eram completamente invisíveis. Preciso sentir uma última batida do meu coração perto do teu, antes que meu coração mergulhe no mundo do desconhecido, do que eu nunca quis, do que sequer sei que é para mim. Mas acima de tudo, meu amor, minha vida, em lágrimas me despeço dos sonhos. Dos nossos sonhos. Da falta que eles farão em mim… E é por isso que quero me lembrar de ti. Porque te esquecer é também de mim me esquecer. E eu quero te guardar para sempre em alguma gaveta ou prateleira, onde eu possa te ver, e me lembrar de ti, de mim, de nós, e justamente por isso sorrir. Eu só te amo.

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Eu não te dei nada

Eu não te dei asas;

Tu já as tinha.

Talvez dobradas,

Amarrotadas,

Mas contigo já estavam.

 

Eu não te dei sorrisos;

Tu já os tinha.

Talvez acabrunhados,

Pensando-se exagerados,

Mas contigo já estavam.

 

Eu não te dei suspiros;

Só ajudei-te a desengaiola-los.

Eu não te dei prazeres;

Só ajudei-te a vivencia-los.

 

Eu não te dei nada,

Porque de fato era do nada que precisavas.

 

Só olhei-te com os olhos e lentes do amor,

E de dentro do teu coração,

Estas e milhares de outras sementes brotaram.

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