Vai que um dia
Movidos pelo vento
Ou por pura poesia
A gente se reencontra
E vive tudo aquilo
Que não perece com o tempo?

Vai que um dia
Movidos pelo vento
Ou por pura poesia
A gente se reencontra
E vive tudo aquilo
Que não perece com o tempo?

Fui ali te buscar e
Sem pressa
Não adianta
Não volto.

Todos os dias
Faço escolhas
Dos mais variados tipos
A vida é minha
E as consequências de minhas escolhas
Também
Por isso
Ando em busca de sorrisos
Inteiros
Verdadeiros
Em busca de certezas
De atitudes
Não de dúvidas
Em busca do que agora sou
E não mais do quem eu era
Em busca do imperecível
Do não descartável
Do que não possa ser apagado
Do que deixa rastros
Do que não se esconda
Do que escolha ficar
Do que nem pense em ir
Do infinito
Eis que o pejo da experiência
Cobra e recobra seu preço:
Amo com a pureza de uma criança
Mas viver de brincadeira
Só se for em uma outra vida
Já foi-se
Infelizmente
A minha infância.

No dia em que eu cansei
E exausto
Sucumbi
Você me atirou pedras
Não precisava…
Eu já estava sangrando
Diante dos seus olhos
Implorando por presença
Atenção
Sem saber que eu era invisível
Fiz tudo que eu podia
Fui compreensivo ao extremo
E no dia que afirmei que eu também existo
E que quero e preciso ser feliz
Tudo que tive de volta foi o seu silêncio
E mais pedras por eu não ser mais compreensivo
Por não conseguir mais ser assim
E o sangue se misturou com lágrimas
Com o peito dorido
Com a humilhação da indiferença
Do pouco caso
Do não sei
Do tanto faz
Das mensagens não lidas
Dos telefonemas não atendidos
De ser colocado no mudo
Talvez leia essas palavras e pense:
Dramático, inoportuno
Chato, inconveniente
E ainda assim eu achando
Que minha presença
Fazia toda a diferença
Em você, no seu mundo
Na sua vida
No amor que eu achava que você e eu sentíamos juntos
No dia que me cansei
E me arrastando
Me afastei
Eu só queria ouvir algo como
“Fica! Você é importante para mim!”
Só que nada ouvi…
Fui presenteado com mais silêncio
E desenganado
Esmoreci
Sigo caminhando
Sangrando por aí
E quem sabe, um dia
A vida me responda
Se consegui pelo menos por alguns instantes
Fazer você feliz
Era só isso que eu queria
Deus me conhece
Deus sabe o quanto te amo
Deus sabe o que há em mim.

Sexta-feira
E eu aqui
Olhando-me por dentro
Nos detalhes
A saudade se torna mais agressiva ainda
Encontro o vinho
O queijo
O café
Memórias que apertam o peito
Um coração que grita
Um coração em chamas
Que chama
A minha folia é ficar quieto
Procurando algum silêncio
Para ouvir meu eu
Ora inaudível
Em demasia quieto
Revejo aquela foto
Aquela poesia
Aquela música
Revivo cada segundo
Pois todos os segundos
Ficaram impressos na minha alma
E por fim
Fixo meu olhar em uma estrela
Meu corpo se arrepia
Meu coração acelera
Sei que é você
Brilhando e adentrando
A minha sempre aberta janela.

Hoje, eu te abracei
Não, você não estava aqui
Mas o vento fez questão
De me banhar com teu perfume
Fechei os olhos e abracei
Os quatro cantos da minha memória
E lá estava você
Onde sempre esteve
Sorrindo para mim
Senti teu peito tocando o meu
O calor da tua pele
As borboletas no teu estômago
A saudade tornando-se presença
O coração batendo forte
Poesias declamando
Flores de toda sorte
E a vida cantando:
Você… Você… Você…
E mais do que nunca
Tive você presente
Na minha mente
No corpo
Na alma
Não, você não me completa
Mas me faz ter sentido
E nesse abraço
A lágrima seca eu engulo
O aperto na garganta eu disfarço
E entrego-me como da primeira vez
Como sempre foi
Como é
Em você eu me faço e refaço
Ah! E o vento…
Que do teu perfume abusou demais
Mostrou-me que nunca é tarde
E quem sabe nessa vida fugaz
Eu ainda tenha muito tempo
Todo tempo que me resta
Para te abraçar
E ficarmos de uma vez por toda em paz
Para não dizer adeus nunca mais
Nunca mais.

A gente é o que é
Porque nosso orgulho
É maior que nossa fé
A gente não se fala
A gente deixa
Na esperança de que o outro
Faça o que deveria ser feito
A gente ignora
A gente some
A gente ama
Mas a gente chora
Porque o eu te amo fica guardado
Escondido na memória
A gente só queria que desse tudo certo
Mas a gente se cala
Em prosa e verso
A gente não se comunica
A gente assume que o outro sabe
A gente julga, condena e absolve
A gente é a hipocrisia
A gente é a vida e a morte
Mas no fundo
A gente sabe que não é porra nenhuma
Porque quem não sabe pegar uma porra de telefone para dizer que ama
Tem mais é que dormir sozinho, ainda que acompanhado na cama
A gente é o que decide que é
E se a gente se nega a ser o que de fato é
A gente vive por aí, em busca do que nos falta
Mas de fato só falta o que dizemos que não nos faz falta
E a gente vive por aí fodido, mentindo
Culpando a Deus, nossa criação, o universo, o destino
Até que a gente tome uma rasteira
E o tempo pegue a gente no contrapé
E aí vai ser o que de verdade é.

Que tu lembres sempre
Que nunca te esqueci
Nos altos e baixos
Nos picos e nos vales
Eu estava ali
Nem sempre perfeito
Algumas vezes sem jeito
Mas eu estava ali
Pronto para te escutar
Para te ouvir
É o mínimo que eu poderia fazer
Para mostrar o quanto eu te amava
O quanto eu te desejava
Mais do que todas as outras
Tu eras a única que me importava
Entreguei-me por inteiro
Fiel e verdadeiro
E quando parecia
Que estávamos diante de um espinheiro
Eu te carregava no colo
Para só eu me ferir
Ah! Minha parceira
Minha companheira
Meu par perfeito
Dói ver-te ao longe
Dói não sentir-te aqui
E se o destino assim quiser
Que sejamos homem e mulher
Que tu te lembres sempre
Que nunca te esqueci.

Minhas poesias de agora e de antes
Palavras ao vento
Pensar delirante
Até que ponto consigo precisar
E dizer o que é preciso?
Até que ponto consigo me calar
Diante do que carece de aparente nexo, juízo?
Eis minhas dúvidas de poeta
Que diante da felicidade e dor
Procura tão somente o que o coração sente
Posto que este só sente e é o mais puro amor.

Aquilo que tenho quando não estou contigo
E que me faz sentir que estou sem mim
Tenho inveja de mim mesmo
Do garoto que viro
Do semblante leve
Dos sorrisos, dos papos animados
Do não ter pressa
Do não ter rumo
Do não precisar do futuro
Do saber o que é só estar ali
Do barulho do mar
Da água de coco na praia
Do protetor solar
Dos coqueiros
Da restinga
Do biquini
Da toalha que cai e me faz rir
É, eu tenho inveja de mim..
Quem sabe um dia essa inveja vire só saudade
E talvez um dia até essa saudade chegue ao fim
Seria uma pena
Enfim.
