Não fosse o sol tímido
E a brisa fresca
Lambendo a minha face
Eu nem saberia que é inverno.
…
Porque no meu coração
É sempre verão
E nele habita aquecido
Tudo que me é eterno.

Não fosse o sol tímido
E a brisa fresca
Lambendo a minha face
Eu nem saberia que é inverno.
…
Porque no meu coração
É sempre verão
E nele habita aquecido
Tudo que me é eterno.

me pega
e transforma
meu inverno
em verão
e meu inferno
em paraíso
faz chover granizo
é de ti que preciso
quero risos
e minha língua
perto do teu umbigo

Que o tempo frio
Sirva de pretexto –
Talvez contexto –
Para unir corpos e almas
Em um só coração.
E então o inverno,
Com seu propósito eterno,
Nas labaredas dos mistérios,
Se tornará verão.

Nossas taças de vinho
No frio do inverno,
Nossos corpos nus queimando
Feito mil sóis no verão.
O beijo na boca,
A prisão entre as coxas,
O ritmado ir e vir,
O descompassar do coração.
Lençóis ensopados,
Desejos e impropérios,
Lascívia escancarada,
Peças de roupa pelo chão.
A tontura repetida do gozo,
A entrega sem mistérios,
A respiração ofegante,
Nossos fluidos em ebulição.
Se foi esse o dia mais frio do inverno,
Me diga,
Como sobreviveremos ao verão?

Faça lua ou faça sol
Faça inverno ou verão
Por azar ou por sorte
Na luz ou na escuridão
Ela está lá…
Do amor, litisconsorte
Ouças-me bem, saudade:
Uma hora dessas
Estrangulo-te até a morte!

Lembra de quando vimos
O pôr do sol nascer?
Loucos
Insônia
Ar-condicionado
Edredom
Verão
Fluidos para hidratação
Fluidos para alimentação
Meia-noite
Meio-dia
Uma vida inteira
Perdemos a noção
Nunca mais a achamos
E quem disse que procuramos?
