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De uma vez

O tempo urge

A vida passa

Alheia aos encontros

Alheia aos desencontros

 

A vida é breve

Não mais do que um sopro

E o tempo, implacável

Inevitavelmente cobra seu preço

 

Tudo é urgente

Viver é urgente

Não há tempo a perder

Não há tempo

 

Não decidir é decisão

A indecisão é uma escolha

Para cada sim, um não

Para cada não, um sim

 

De olhos bem abertos

É preciso seguir em frente

Antes que, de repente

Os olhos se fechem de uma vez.

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Vôo cego

As pernas –

E que pernas! –

Enlaçam-me em vôo cego,

Sem destino ou pretensão.

Deixo-me ir…

Não me culpo:

Acabei por dizer que sim

Depois de tanto ouvir que não.

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Nossa Senhora de Fátima

No dia 15 de Fevereiro, na última sexta-feira, estive no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, que fica em Fátima, Portugal, acompanhado da família que por aqui tenho (sou brasileiro e português).

Deixei aos pés de Nossa Senhora todas as minhas angústias, meus medos. Reconheci minhas fraquezas e meus erros, e das vezes em que a falta de fé adentrou meu coração e o deixou frio. Pedi por mim, por meus familiares, e por todas as pessoas que eu amo. Mais do que isso: entreguei à mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, que também é minha mãe, o meu coração, o meu destino, na certeza de que muitas vezes sequer sei o que é melhor para mim.

E entre sorrisos lágrimas, na presença de tudo que há de mais sagrado em minha vida, pedi humildemente que as promessas do Cristo se cumpram em minha vida. E para isso, perdoei e pedi perdão, descartei meu orgulho, minha ignorância, e tudo que me faz pensar que existo sem Deus. Eu não sei, disse eu, mas Deus… Esse tudo sabe.

E saí do Santuário mais leve, menos dono de mim, com meu coração profundamente mexido e tocado. Senti a presença de Deus em minha vida, e percebi com mais clareza ainda que a entrega da minha vida e do meu futuro ao meu Salvador é a melhor e a única coisa realmente importante que posso fazer por mim.

Já não sou o mesmo que esteve em Fátima na última sexta-feira. Já não tenho tantas certezas e menos ainda a agonia que rondava o meu peito.

Em Deus eu renasci e em Deus eu novamente vivo. E que a vida que me espera seja como tiver que ser, na certeza de que há SEMPRE alguém por mim, por nós.

Obrigado, meu bom Deus, por me mostrar que minha fraqueza é força, e que meu coração, que tantas vezes sangra e chora, é cheio do mais puro amor que existe.

Ave Maria, rogai por todos nós!

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Do avesso

E sentado rente ao mar

As idéias ali defronte

Indo e vindo em espasmos

Em ondas e ventos

Que se misturam e se atormentam

Distorcendo o horizonte

Jazo imóvel:

Coração que sangra impecável

Diante do destino incerto

E da ferida desnecessária

Ignóbil

 

E me vejo naufragando

Nas poças que gero eu mesmo

Na esperança

Que se faz de desentendida

Feito quem acredita

E nunca alcança

 

Mas salva-me o vinho

Meu bom companheiro

E traz-me algum tipo

De ébria pujança

Que faz despir-me de mim mesmo

E perceber que ainda sou

Absoluta verossimilhança

 

E bem ao fundo

Diante do todo que se cala

Porque se declara mudo

Ouço todos os detalhes

E o quanto

Ainda acredito

Apesar dos pesares

Nas coisas boas deste mundo

 

E ainda sentado rente ao mar

Eis que as ondas cessam

O sol se abre

E a miudeza desaparece:

Foi só um susto –

Declaro –

E agora já não me desconheço

Porque sou e quero o mesmo de sempre

Por fora

Ou mesmo quando estou do avesso.

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Vivo?

Há gente que não vai morrer nunca,

Porque para morrer

É preciso estar vivo.

 

E você?

Tem vivido?

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Eu não te dei nada

Eu não te dei asas;

Tu já as tinha.

Talvez dobradas,

Amarrotadas,

Mas contigo já estavam.

 

Eu não te dei sorrisos;

Tu já os tinha.

Talvez acabrunhados,

Pensando-se exagerados,

Mas contigo já estavam.

 

Eu não te dei suspiros;

Só ajudei-te a desengaiola-los.

Eu não te dei prazeres;

Só ajudei-te a vivencia-los.

 

Eu não te dei nada,

Porque de fato era do nada que precisavas.

 

Só olhei-te com os olhos e lentes do amor,

E de dentro do teu coração,

Estas e milhares de outras sementes brotaram.

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Olhos de outrora

Por ora, moça,

Enxuga teus olhos e vai.

 

E mais adiante,

Quando estiveres menos ofegante,

Espero que entendas

Que a vida se esvai

Nas pequenas doses de morte

Que ingeres a todo instante.

 

O sim e o não –

Não ditos –

Mau ditos…

Malditos!

Cansativos

E maçantes.

 

E teus olhos,

Hoje opacos e distantes,

Sequer relembram os olhos de outrora,

Quando descobriste que eras –

Ainda que por lapidar –

O mais lindo dos diamantes.

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Decerto

Há coisas que são só para os olhos

E há aquelas coisas

Que ousam –

Que pousam! –

No ventre,

No útero,

No nascer,

No adeus,

Em Deus,

 

Há coisas –

E de todas essas coisas –

Há o grito,

Calmo ou aflito,

Onde te penumbro,

E nunca te ofusco.

 

Há luz,

Há verdade,

Há claridade

Na cerca que não cerca,

No abraço que não prende,

Na doença que não e moléstia,

Na ausência que é presença

Farta e certa.

 

E tudo

No momento certo,

Quer seja no coração que sangra,

Ou no que o orgulho lacra –

Aberto! –

Renasce por suas próprias forças,

Posto que o amor

Ressurge e urge

No presente fingido,

Cujo futuro –

Decerto –

É comunhão,

Entrega,

Vida,

Sublime abnegação,

Água no deserto.

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Paz e arroz

Vejo o que não via

E sinto o que eu não queria.

No horizonte que se queima,

Queima a minha fantasia.

 

Nos copos e bares,

Aldeias e mares,

Restos do que somos,

Apesar dos pesares.

 

E somos o que somos,

Em todos os lugares,

Presenças indesejadas,

Veias, vasos, capilares.

 

E no sonho acordado,

Nas esféricas luzes do dia a dia,

Eis que nasce o controle

Do que o controle nada queria.

 

E nas lembranças secas

De copos e bares,

A libido acesa,

Só olhares… Aqueles olhares…

 

Entrego-me ou rio?

Vivo ou fantasio?

Nas dores do poente

Ela deságua… Rios.

 

Deságua, vai…

Finge que me satisfaz,

Mas em meus sonhos é outra a face,

Cuja verdadeira face ficou para trás.

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Prestando conta da sua vida aos outros…

“Prestar é dar, conceder, dispensar, exibir ou entregar a alguém aquilo que lhe corresponde. Prestação é o processo resultante da ação de prestar. Conta, como substantivo, é uma anotação do que se deve. Eu poderia parar por aqui. A definição da expressão é argumento suficiente para lhe mostrar o quanto é desnecessário prestar conta da sua vida a qualquer pessoa que não seja você. Mas, infelizmente, o processo de libertação não é simples assim.

Enquanto dependentes de nossos pais, prestamos conta de nossos atos e escolhas o tempo todo. A criança corresponde aos pais, pois está sob a responsabilidade deles. Somos programados a agir dessa forma, desde o nosso primeiro ato consciente, entre humanos.

Com base em seus conhecimentos e experiências, nossos pais nos auxiliam e nos orientam no processo de tomada de decisão e construção da nossa personalidade. Infelizmente, esse processo não é livre de interferência. Por estarmos sujeitos à julgamentos, sem domínio dos conceitos de certo e errado, lidamos com a ‘obrigação de agradar’. O lado ruim de tudo isso é que nos viciamos na necessidade de aceitação.

Conquistamos independência financeira, mas continuamos prestando conta. O papel que cabia aos nossos pais na infância, se estende a muitos outros na vida adulta. Um pouquinho ali, um montão aqui. Quando notamos, já estamos lá, justificando o que não precisa, alimentando o poder dos outros sobre nós.

Quando damos conta, o problema está instalado. Então, percebemos que tão importante quanto a independência financeira, é a emancipação mental da necessidade de agradar os outros. ‘Os outros’ comporta uma multidão, cada um com suas vontades, defeitos e qualidades. É problema sem solução, é impossível atender às expectativas de tanta gente. Quer ser livre? Comece sendo responsável por suas reflexões e escolhas!

Na busca contínua por aplausos, não aceitamos o fluxo natural da vida, prejudicando a nossa jornada de aprendizagem como seres humanos. Mesmo com toda inovação e tecnologia desenvolvida na área de navegação por satélite, quando estamos dirigindo em um trajeto desconhecido, com auxílio de GPS, uma hora ou outra, entramos em uma rua sem saída. Assim somos nós, mesmo com toda orientação e conhecimento acumulados no decorrer da vida, estamos sujeitos ao erro, pois tendemos a explorar o desconhecido. Se a regra for apenas seguir em frente, uma hora você vai ficar parado. Acionar a ré, lhe possibilita o próximo movimento. As possibilidades e as ferramentas existem para serem avaliadas e utilizadas. Não adianta lutar contra isso, o passo para trás tem que ser dado no momento necessário. Recuperando o movimento, você tem a oportunidade de escolher se retoma ou troca de caminho.

Quantas vezes, pensar sobre ‘o que os outros vão dizer’, definiu sua decisão sobre algo? Ao prestar contas o tempo todo, você se coloca na posição de devedor, assume dívidas que não existem, com inúmeros credores. Se você já teve uma dívida, conhece o efeito psicológico desse processo em você. Imagine, agora, essa dívida como infinita e todos que estão ao seu redor como credores. Parece um pesadelo, não é? Mas, na realidade, é isso que você faz com sua vida.

Já imaginou que cada um na multidão está assim, sofrendo para agradar e atender expectativas dos outros? Avalie um pouco mais e visualize que todos estão, ‘coincidentemente’, na posição de sofredor e de opressor, precisando que alguém tenha coragem para quebrar esse círculo vicioso de julgamento. Se quer parar de sofrer, comece parando de oprimir. Dê ao outro o direito de escolha. Pare de repetir regras. Pare de enxergar as pessoas como produtos resultantes de uma linha de fabricação seriada. Afinal, não existe especificação definida para ser humano. Apenas ser…

Abraços!

Tina :)”

O texto original, de autoria de Albertina Costa, pode ser encontrado em:

https://www.linkedin.com/pulse/prestando-conta-da-sua-vida-aos-outros-albertina-costa/