Feito oxigênio,
Estás em minhas artérias,
És meu pulmão.
Saturação?
100%.

Feito oxigênio,
Estás em minhas artérias,
És meu pulmão.
Saturação?
100%.

Queria discutir grandes questões
Falar de Filosofia
Sentir as coisas do mundo.
Mas não…
Eu só vejo televisão
Faço parte de uns grupos de discussão
E tenho uma opinião formada sobre tudo.

O que quer que seja
De morango ou de cereja
Há um pedaço de nós em nós.

Desejo que por mim fala
Que me deixa sem voz
Desejo que me consome
Que me fustiga a alma
Desejo que me faz derrubar paredes
Que me faz criar poças
Desejo que me vasculariza
Que me engrandece
Desejo que nunca me esquece
Que tem nome e dona
…
Vivo em estado de visceral desejo
É fato
Eu reconheço
Eu já sei
…
Desejo, desejo,
Beijo, vinho
Queijo, beijo
Explodi!

Todas as vezes que penso no amor, inevitavelmente me vejo pensando em você.
Todas as vezes que penso em você, inevitavelmente me vejo pensando no amor.
Você e o amor são uma coisa só.
São cúmplices!
Associação criminosa!
Me sequestraram sem pedir resgate!
O pior é eu estar gostando deste cativeiro…

Tu que és luz da minha luz
Que de mim tudo traduz
Diga-me o que fazer
Com estes versos que nunca escrevi.
Tenho medo da rima que não encontro
Do que já disseram antes de eu ter dito
Fico aflito:
Serão os versos infinitos
Ou é um plágio tudo que sinto?
Sinto que parece ser tudo único
Mas há alguém que já tenha escrito
Sem sentir o mesmo?
Ou será que sou plágio de mim mesmo
Viciado em teu beijo
E só sei falar disso?
Tu que és luz da minha luz
Me traduza em poesias
Pelos teus próprios dedos.
Só assim acreditarei em meus versos
Ainda que todos estes sejam teus.

Olhei para trás e vi minhas pegadas
Algumas um pouco borradas pelo tempo
Outras tantas ainda vivas apesar do tempo.
…
Pegadas que viraram poças
De sangue, suor
Esperma, lágrimas,
Vinho, saliva.
…
Cicatrizes
Momentos felizes
Pegadas que não se repetirão mais
Pegadas que nunca serão esquecidas.
…
Mas o que são estas minhas pegadas
Senão a minha própria vida?
A elas sou apegado
E eu sou desses
Que criam e vivem histórias
E minhas pegadas sempre serão
Ainda que depois da minha morte
A prova de que eu continuo vivo.

Eu passarinho
Que achou seu ninho
Depois de uma vida inteira a procurar.
…
Envolva-me em teus silêncios
Como me envolves em teus braços,
Quando fazes o tempo parar.
…
Acredita em ti mesma
Feito eu acredito em ti,
Porque sem ti
Não há motivos para acreditar.
…
E ainda que eu não seja
Nada parecido para ti
Entenda-me:
Amo-te porque és o meu tudo isso
E de alguma forma é meu ofício
Em ti me aninhar.

Posso te contar um segredo?
Eu já tive medo dela.
Medo de me perder de mim.
Eu ouvia minha mãe dizendo:
“Nada na vida pode ser tão bom.
Há algo de errado em todo esse frisson.
É só questão de tempo.”
(para eu me foder)
Mas minha mãe nunca me disse isso e nem precisava dizer.
Sem perceber (ou percebendo),
Ela sempre me fez crer
Que perder (seja lá o que for),
Era o meu insuperável destino.
E na terapia eu matei essa menino –
(morte necessária) –
E apesar de ainda ouvir a minha mãe dizer
(até mesmo quando ela não diz),
Aprendi a ficar em paz comigo.
Minha mãe já foi meu único abrigo
Diante de tramoias e perigos,
Que nunca existiram,
Que eu nunca vi acontecer.
E hoje, beijo-lhe a testa de maneira doce,
E convivo com o que ela gostaria que eu fosse
Ainda que eu saiba que este não sou eu.

me pega
e transforma
meu inverno
em verão
e meu inferno
em paraíso
faz chover granizo
é de ti que preciso
quero risos
e minha língua
perto do teu umbigo
