Avatar de Desconhecido

Insuficiente

O de vez em quando

Nunca me foi suficiente.

Suficiente só me seria

O de uma vez

O diariamente

O cotidianamente

O constantemente

O literalmente

O deliberadamente

O veemente

O incrivelmente

O espontaneamente

O reciprocamente

O ridiculamente

E mais que tudo isso

O para sempre.

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Dia dos Namorados – 2022

Não foi o presente

Nem a comida

Nem a bebida

E nem o lugar:

Foi você e sempre foi você.

Meu coração, meu corpo, minha alma.

Meus desejos mais sinceros.

Tudo que fiz do errado ao certo.

Cada palavra

Cada gesto

Longe ou perto

Tudo como seu perfume em meu corpo

Que se renova a cada banho

Tal flor nascida e renascida

Em frente a minha janela

Todos os dias.

Algumas vezes choro escondido,

Mas não por tristeza

E sim por saudade.

E pelo menos esta saudade

Eu sei que levarei comigo

Até o fim do sempre.

Você foi a história mais bonita

Que eu já tentei escrever um dia.

E por mais que eu tenha tentado

Retratar-te em poesia

Sei que minhas palavras sequer chegaram perto

Do amor que já senti em teus braços

E da certeza que eu tinha

De que em nenhum outro abraço

Eu jamais sentiria.

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À mercê do mar

Diga-me, mar,
O que fazer
Com estas ondas de felicidade que me banham,
Que não sei se são pura ressaca
Ou se é assim que agora hão de ser.

Diga-me, mar,
Se do amor já é chegado o tempo,
Para em tuas águas recomeçar
Rumo ao destino por mim desejado,
A mercê do poder e da força dos teus ventos.

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Na estrada

Estou seguindo nesta estrada

Retas e curvas

Não deixo escapar nada

E o melhor de tudo

É que estou de carona –

Dia e noite, na madrugada –

E ainda assim me dirigindo

Por esta jornada

Que nunca se repete

E que nunca, nunca

Se acaba.

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Distante

Quem é você?
Onde você estava,
Quando nosso amor morreu
E de nós não sobrou nada?

Saia dos meus sonhos!
Largue a minha mão!
Porque eu quero voar
E ser poeira na imensidão.

Que sejam lugares distantes,
Onde nada aconteceu,
Onde nunca existimos,
Onde nunca fomos você e eu.

Me deixa gritar
Os gritos que ninguém ouve,
Me deixa entender
Que o amor sempre esteve longe.

Dói demais dizer
Adeus para o que não existe,
Saber que eu era seu
E que por isso eu era triste.

E se você nunca mais me ver,
É porque me tornei invisível,
Andando leve pelas nuvens,
Sonhando com o que é possível.

Talvez seja melhor assim,
Eis aí o meu destino,
E esteja eu onde eu estiver,
Estarei abraçado comigo.

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Vossos filhos não são vossos filhos – Khalil Gibran

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

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Inefável

Falar de ti é difícil,
Porque falar contigo
Sobre tudo –
É o que há de mais fácil.

Falar de ti é definir-te,
E tua natureza é indefinível,
Presente nos sorrisos que esbanjas,
Nos abraços que aquecem a alma.

Falar de ti é um vício,
E fiz disto um ofício,
Nos bares da vida te procuro,
E sorvo-te até em beijos que não são teus.

Quero-te em níveis absurdos,
Mas sei que o maior dos absurdos
É acordar e não ver-te em minha cama,
E lembrar que não sou mais teu.

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Em todo lugar

Já disse tantas vezes que te amo

E todas as vezes que disse que te amo

Foram pouco perto do meu querer.

E hoje, que não mais digo que te amo

Amo-te ao ponto de sequer precisar dizer que te amo

Posto que meu amor por ti está no canto dos bem-te-vis

Lá, ali e aqui.

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Mergulho

Do meu orgulho me dispo,
Mas não sem antes fulminar
Com a fúria enlouquecida de meus dentes,
O que com um reles e vadio olhar
Não antes rasguei da tua roupa.

Não percebes que ficaste nua na mesa?
Não percebes que tua calcinha ficou pelo chão?

És o molho e a calda,
A refeição e a sobremesa.

FODA-SE TUDO!
FODAM-SE TODOS!

Fodamos nós…
A sós…
Ou sobre a mesa
Sobrecoxa
Sobre tuas coxas
Sobremaneira!

PORRA!!!

O teu gozo é a ladeira
Para o infinito.

Eu grito!
Eu urro!
Entre nós
Não há muros.

Eu só vivo
E só quero –
Exatamente –
Tudo do que em ti
E em mim mais ainda
Mergulho.

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Escuridão

Não é de fato um adeus
Aquele que é lamentado em palavras
E chorado em poesias.

Talvez seja o prenúncio
De que um adeus que está por vir,
Mas não é mais do que isso.

O derradeiro adeus é mudo,
Cego e surdo:
É a morte do porvir.