Eu exagerava Nas palavras que te dizia, Em como te descrevia, Mas havia um motivo: Tudo relativo a ti Era em mim exagerado.
Cada despedida, Uma morte. Cada abraço, Uma ressurreição.
Tu eras um exagero em minha vida, Daqueles que nunca são suficientes, Que nunca são o bastante. E ao mesmo tempo não eras vício, Mas sim uma opção, Que eu fazia e refazia, Todos os dias.
As minhas intenções E mesmo limitações, Eram muitas e claras, Porque eram óbvias E eram a minha maneira De dizer que eu – Todo o meu eu – Era todo teu.
Amei-te por amar-te, Sem pensar ou teorizar, Porque amando-te, Descobri-me, despi-me, Como nunca havia feito antes.
E hoje, Nas andanças do tempo, Todos os dias, Guardo-te nos exageros Também presentes Nos jardins de minhas memórias, Onde só brotam rosas brancas.
Há inocência nas palavras do poeta. Há projeções. Há idealizações. Há fantasias. Há idiossincrasias. Há crenças. Há fé. Há verdades que o tempo se encarrega de mostrar Que não possuem lastro algum na realidade.
E nesse processo, algumas poesias se apagam, Outras tantas se perdem, E o poeta se sente um bobo, Um contador de histórias ridículas, Um louco, Um palhaço de circo Cercado por hienas famintas.
A plateia dele ri e debocha. Caçoa-o de forma vil, Torcendo pela sua morte, Mal sabendo que é na morte, – Mais uma entre tantas mortes – No meio do escárnio e do suplício, É que o poeta encontra a sua redenção, Retomando a sua forma mais sublime.
Há inocência nas palavras do poeta, Posto que a inocência é o seu líquor, sua essência, De forma que ele apenas lamenta Por quem em suas palavras Nada dele viu ou a ele sentiu, Fustigando o poeta pela sua própria existência.