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Anastasia – Slash

Confesso que nunca levei o Slash muito a sério. Sempre achei muito bom o seu trabalho no Guns N’ Roses, mas para mim ele era “só isso” (como se fosse pouco!).

Quis mais uma vez me calar o Spotify. De início, um violão de cordas de nylon, com uma harmonia bem típica da música clássica e até mesmo do Flamenco. E então, uma explosão de licks que vão da música erudita, passando pelo rock/heavy e muito, muito swing. Tudo isso usando o campo harmônico da escala menor harmônica. Algo bem fora da caixinha.

O resultado é de cair o queixo, com uma sonoridade que nos leva da Península Ibérica até o Oriente Médio. É para ouvir em silêncio e com um fone de ouvido de alta qualidade, pois as nuances são muitas.

P.S.: É impressionante como o Slash tem uma digital musical inconfundível. É fácil reconhecer quando é ele quem está no comando da sua guitarra. Ainda mais com a parede de Marshalls ao fundo e sua Gibson. 🙂

Ao vivo, ele não usa a violão com corda de nylon para a introdução. Prefiro a versão de estúdio.
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Obedeça à sinalização

O inconformismo

Que tantas vezes me bateu à porta

Fez-me bater na porta

Até eu bater a porta

Para nunca mais abri-la.

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Não precisamos um do outro

Toda vez que te procuro,

Saibas que é porque te quero

E te quero muito.

E quando me procuras,

Também sei que é porque me queres

E me queres muito.

Tanta querencia –

Nenhuma sofrência –

Não é este o melhor dos mundos?

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Run-Around – Blues Traveler

E aí, você ouve uma música no rádio na década de 1990 e fica simplesmente extasiado com o gaitista. Você pergunta o nome da banda para todos, chegando ao ridículo de tentar cantar o refrão para facilitar as coisas. Nada. Ninguém sabia de nada. O solo de gaita, entretanto, permanece na sua cabeça até hoje!

Cerca de 27 ou 28 anos depois, um amigo seu lança a tal música no Spotify. A música é realmente incrível. O solo da gaita é realmente incrível. A banda é incrível. Dá até vontade de chorar de tanta alegria!

Sem palavras!!! Viva a tecnologia!!! ❤️

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Dona das flores

Tu és dona das flores

Que trazes quando chegas

E que deixas quando vais.

És o jardim onde quero ser sepultado,

O cálice que faz-me vivo,

E tudo de melhor que tenho desfrutado.

Tu és a dona das flores,

Que rega-me sem pudores,

E até em teus espinhos

Não sangro: me curo.

Tu és a dona das flores,

Que explodem em uma miríade as cores

No meu coração, na minha alma,

Na terra que ofereço fecunda

Para nossos brotos ainda por nascer.

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Caudalosa

Não era para dependermos das nuvens.

Era para estarmos acima delas,

Onde há sol o ano inteiro.

E ainda assim,

Que a chuva nos lave,

Que nossos lábios se beijem,

E que a água que desagua por entre tuas pernas,

Pelo rio onde navego todo e inteiro,

Leve-me para a foz deste úmido e caudaloso pesadelo.

(sonho)

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Amargos e doces

E não é que a vida é assim?

Dias amargos.

Dias doces.

Seriam amargos os dias amargos

Não fosse o doçura dos dias doces?

Seriam doces os dias doces

Não fosse o amargor dos dias amargos?

O contraste me faz sentir vivo.

É assim que vivo minha vida.

É assim que me aproximo de outras vidas.

Dias amargos e dias doces,

Porque a vida é assim

Tanto para você

Quanto para mim.

Banoffee com espresso duplo
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Litros

Litros do corpo dela em minha boca.

Meus joelhos sangrando litros rente ao chão.

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P.S. 41

Qual decisão você tomaria se não estivesse com medo?

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Suntuosa

Entendo pouco ou quase nada de espanhol, mas tenho visto nos detalhes da língua labaredas e estampidos que eu desconhecia.

No meu curriculum, nego-me a dizer que tenho espanhol básico ou algo que o valha. Eu não entendo espanhol. Eu sinto. Em nível mais do que avançado, diga-se de passagem.

Tem a ver com os vinhos e com as poesias que há dentro deles. Com os amores intensos que não duram mais que uma noite. Com a aproximação suave de quem chega de repente e fica. Constrói, cativa.

Em espanhol também choro saudades de quem já fui. Foi preciso ser o que não mais sou para que eu fosse o meu agora. Para que as lágrimas que tanto vi refletidas em uma taça de vinho se transformassem em sorrisos. Para que eu pudesse ver além do cristal.

Mas, sobretudo, em espanhol eu te beijo. Em espanhol sou raso e sou fundo. Sou incêndios, furacões e tormentas. O antes, o durante, o fim do mundo.

O espanhol é todas as línguas. A minha, a tua. Língua dos confessionários que são as camas e os quartos. Teus quartos. Tuas entradas. Não há saída.

Teu cabelo negro e avermelhado diante do sol adentra meus vislumbres de Neruda e rasga meu peito. Teu gozo é em braile e arranha meu pescoço, minha alma. Tira-me o chão. Devolve-me tudo.

O espanhol fez e faz isso por mim todos os dias. Estou ouvindo o teu chamado até quando tu não me chamas. Óleo de macadâmias que não saem das minhas mãos bezuntadas de ti que esfrego em minha face. Estou e vivo rúbio.

Ouça minhas palavras com cautela, pois como disse, não sei falar espanhol. Entretanto, bem sei que tu me conheces mais pelo que não digo. Lonjuras entre nós são puro castigo. É real e iminente o perigo.