Entre as bolhas que murmuram Na taça de espumante, Vejo completamente nua A minha alma e a tua.
Lembro-me do correr dos hojes: Dos momentos, Das conversas, Do sol, Dos ventos, Dos aceites, Das entregas…
No silêncio, Ouço as bolhas do espumante Mais ainda murmurantes, Explodindo em meus ouvidos, Chamando-me para aceitar o sentido De tudo que vem acontecendo.
E agora, Diante da taça vazia, Aninho-me a teu corpo E deixo-me ir Para o amanhã, Onde lutaremos pelo pão – E por tudo mais que nos for Essencial, verdadeiro e necessário – De cada dia.
E desta vez, que nem tudo se exploda, Só do espumante as infinitas bolhas: Bolhas de alegria, alegria! Posto que tu és revigorante euforia.
A vida nem sempre vai seguir de acordo com o que você espera, e muito menos acontecer de maneira linear. Você vai dormir com algumas certezas, e no dia seguinte, aparentemente do nada, tudo muda.
É o emprego de anos que se perde. É a pessoa amada que se vai. É o amigo que se mostra ingrato. As possibilidades são muitas.
E aí, bate aquele desespero. A gente pensa que Deus não existe, pergunta o que fez para merecer aquela situação, se desespera, lamenta, chora… E isso é normal. Somos humanos. É comum o estranhamento quando alguma mudança importante está ocorrendo em nossas vidas. Viva essa perda, essa espécie de luto se for o caso, mas não fique nessa por muito tempo. Não mesmo.
Uma das coisas que aprendi é que o que tem que ficar, fica, e o que tem que ir, vai. Não há muito que possa ser feito a respeito disso. Trabalhar feito um louco pode não livra-lo da demissão. Amar e ser fiel não necessariamente vai manter a seu lado a pessoa amada. Ajudar seu amigo em um momento difícil não é garantia de reconhecimento de uma amizade verdadeira.
Mas nada acontece por acaso. O tempo é o senhor de nossas vidas. Há planos para nós que nossa visão imediatista e limitada ignora. Para que o novo chegue, é preciso que o antigo se vá. É preciso abandonar o passado para abraçar o futuro.
Então, toda vez que parecer que você fez tudo que era possível para que algo funcionasse e ainda assim não deu certo, relaxe. Aceite. Agradeça. Lá na frente, com o passar do tempo, você vai entender tudo com uma clareza absurda e será capaz de dizer “Ainda bem que tudo isso me aconteceu!”
Seja lá porque motivo for, nunca perca a sua fé. O melhor ainda está por vi.
Antes de mais nada, é importante entender o que é “ghosting”.
“Ghosting é um termo usado para designar o término repentino de um relacionamento sem deixar explicações. Este termo vem do inglês, e é derivado da palavra ghost, que significa fantasma em português. O praticante de ghosting some misteriosamente como se fosse um fantasma.” – Fonte: Wikipedia
E por que alguém agiria assim? Há algumas possibilidades.
– Covardia: a pessoa quer curtir a parte boa do relacionamento e na hora que deseja ir embora, por qualquer motivo que seja, não quer encarar o outro ou mesmo dar qualquer tipo de explicação. Isso é cruel e desumano, e demonstra com clareza que a pessoa não possui nenhum tipo de responsabilidade afetiva. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, mas quem fica precisa de um fechamento para viver o seu luto e seguir em frente. Facilita muito a vida de quem precisa seguir sem a companhia de quem se foi.
– Manipulação: há o “ghosting” temporário, também conhecido como tratamento de silêncio. Uma ferramenta de manipulação antiga e muito eficaz. Via de regra, é utilizada para punir alguém que não se comportou de acordo com o esperado. Note que o conceito de esperado nesse caso não passa por certo ou errado. É punição para quem ousou questionar ou se opor ao manipulador. É uma maneira imatura ou perversa de dizer que não está satisfeito com algo. Isso é feito na esperança de que a parte afetada venha pedir desculpas, na grande maioria das vezes, por coisas que nunca fez. Portanto, também é uma ferramenta de controle, de adestramento.
Dito isso, fica claro que os praticantes do “ghosting” são no mínimo imaturos e no extremo manipuladores perversos.
Você não tem que lidar com o “ghosting”. Não é saudável. Não é normal. Basta levantar a cabeça e seguir adiante. Está precisando de um fechamento para poder viver o seu luto? Crie um! Não perca seu tempo com quem não merece. Sua saúde mental agradece.
Pedi um amor e ele me deu um bolo mofado. “Eu pedi amor”, disse.
– Isso é amor. – Mas não vai me fazer mal? – Talvez.
Olhei e novo e percebi uma larvinha de mosca saindo da cobertura.
– Vai querer ou não? — Ele olhava a larva também. – Não sei. — A larvinha agora afundava cada vez mais no bolo. – Eu não vou ficar parado o dia todo aqui, sabe.
Lembrei que não sabia cozinhar e levei o bolo para a casa. Primeiro tentei tirar tudo que se movia na cobertura, mas era impossível . Me contentei em raspar o mofo, fechar os olhos e engolir uma garfada.
Vomitei.
Dormi com o estômago roncando e acordei com dor de barriga dos infernos. Não saí de casa nos próximos três dias: sem amor, não tinha vontade de tomar banho nem de escovar os cabelos. Não queria olhar o céu e nem os olhos das pessoas. No quinto dia sem amor, não quis abrir as pálpebras muito menos as janelas da casa.
Prestes a perder as forças, olhei para a mesa e resolvi tentar de novo. O estômago reclamou, mas não devolveu. O intestino resolveu não opinar. Fui dormir indigesta e ao mesmo tempo aliviada. Pela manhã, as maquiagens do banheiro voltaram a fazer sentido. As roupas no chão pediram para serem penduradas. A maçaneta da porta pedia para ser girada e eu obedeci.
A cada passo, sentia o estômago revirar, mas também sentia que estava viva. Segui na rua disfarçando uns arrotos enquanto olhava vitrines.
À noite, resolvi encarar o bolo de novo.
Ele não pareceu tão ruim quanto no dia anterior. Na verdade, olhando de lado nem dava para ver a parte feia. Segui comendo o bolo, segui com o estômago revirado e mais importante: segui com vontade de entrar no ônibus e pagar minhas contas.
Até que o bolo acabou.
Preocupada, fui até ele pedir mais amor. O bolo que ele me entregou estava coberto de moscas.
– Está fedendo demais. — comentei. – É o que eu tenho.
Não consegui colocar sobre a mesa da sala, já que atraía mais moscas. Botei dentro do forno e cortei uma fatia: o cheiro era insuportável. Tampei o nariz aproximei o garfo da boca, tentando não mastigar as moscas mortas. Sabendo que não poderia ficar sem amor e nem me livrar de todos os insetos, engoli. O estômago não roncou nem a garganta contraiu: já estavam habituados.
Quando o amor acabou, ele me entregou um prato fundo.
– Mas isso é vômito! – Eu chamo de amor.
Entendi que era bolo vomitado e resolvi guardar na geladeira. No dia seguinte provei uma colherada antes de ir trabalhar, e, para a minha surpresa, eu já não sentia mais gosto de nada. Tomei outra colherada à noite, pra garantir que iria ter vontade de tomar banho e sair com meus amigos.
No dia seguinte tive um pouco de febre, mas segui dando umas colheradas. Dois dias depois, a cabeça doeu.
A febre voltou. A garganta inchou.
Sem conseguir engolir o amor, fechei as cortinas e esperei a morte bater. Quando ouvi o som da campainha, suspirei aliviada.
Mas não era ele.
Não era alguém que eu conhecesse. Tinha cabelos encaracolados e trazia um prato com uma espécie de massa branca. Leve, limpa, tinha cheiro de primavera.
– Isso não é amor. — Eu disse. – É amor, sim. — Parecia surpreso. – Não, não é. — Eu ri.
Os olhos dele encheram de lágrimas. Antes que eu pudesse mudar de ideia, levou a torta de creme embora.