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Plágio

Tu que és luz da minha luz

Que de mim tudo traduz

Diga-me o que fazer

Com estes versos que nunca escrevi.

Tenho medo da rima que não encontro

Do que já disseram antes de eu ter dito

Fico aflito:

Serão os versos infinitos

Ou é um plágio tudo que sinto?

Sinto que parece ser tudo único

Mas há alguém que já tenha escrito

Sem sentir o mesmo?

Ou será que sou plágio de mim mesmo

Viciado em teu beijo

E só sei falar disso?

Tu que és luz da minha luz

Me traduza em poesias

Pelos teus próprios dedos.

Só assim acreditarei em meus versos

Ainda que todos estes sejam teus.

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Eu passarinho

Eu passarinho

Que achou seu ninho

Depois de uma vida inteira a procurar.

Envolva-me em teus silêncios

Como me envolves em teus braços,

Quando fazes o tempo parar.

Acredita em ti mesma

Feito eu acredito em ti,

Porque sem ti

Não há motivos para acreditar.

E ainda que eu não seja

Nada parecido para ti

Entenda-me:

Amo-te porque és o meu tudo isso

E de alguma forma é meu ofício

Em ti me aninhar.

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Dias

Escolher-te-ei todos os dias

Até que chegue o fim dos meus dias

Porque quando não estás em meus dias

É como se dias não houvesse.

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Sobre nós

É sobre ter paciência
Entender que precisa madurar
Antes de colher

É sobre o amor
Amargo feito fel
Que vira brigadeiro de colher

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Crescimento

Chegou rouca
Ficou louca
Calei sua boca
Com o que entre nós cresceu

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Vênus e Marte

Amo-te nos teus piores dias

Porque amar-te apenas nos melhores

Não é amar-te

E saiba que por ti serei sempre teu Marte

Para que sejas sempre minha Vênus

Vênus e Marte, Sandro Botticelli, 1483
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Atemporal

Jamais pense que tenho tempo de sobra.

Tempo de sobra é algo que ninguém tem.

Nascemos para morrer e isso é inexorável.

Por isso, entenda que você é uma prioridade na minha.

Escolhi você e escolho você todos os dias.

É assim que decidi viver o que ainda me resta de tempo.

Quero viver você até o fim do meu tempo.

É você quem dá sentido ao meu tempo.

Até o fim.

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Destemido

Já tive medo de perdê-la

Até que me dei conta

Que cada dia sem perdê-la

Vale por toda uma vida

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Infinito

As marcas indeléveis das suas ondas nos rochedos da minha alma mudaram por completo a minha percepção de mundo. Minha vida, que antes parecia plana e suave, hoje é escarpada e imprevisível.

Confesso que ainda travo intensas batalhas internas quando comparo o meu eu antigo com o novo. O antigo, antes de você, parecia mais seguro e previsível. Os dias eram repetições e mais repetições. Pareciam roteiros enlatados, e que (hoje) considero enfadonhos. O novo, o com você, me assusta. Sinto-me em uma espécie de montanha russa sem fim, que me leva de sorrisos esfuziantes até lágrimas de sangue. É tudo visceral. É tudo com um pé no chão enquanto o outro pé flerta com um precipício.

Já pensei em desistir de tudo, e ir de volta para o meu antigo mundo, onde você era apenas um desejo, um tesão, uma ideia, um momento, um instante. Só que já não sei mais voltar. Dentro de mim há esta certeza velada, que volta e meia nego e renego, de que esqueci o caminho de volta propositadamente, na certeza de que cada dia a seu lado desperta em mim sensações, emoções, explosões, amores e paixões que meu eu antigo jamais seria capaz de experimentar.

Tudo com você é diferente. Absolutamente tudo. Do rir ao chorar. Do ouvir ao falar. Do confessar ao desabafar. Do pedir ajuda ao ajudar. Do amar ao odiar. Da briga ao abraço que sela a paz. Da taça de vinho ao beijo na boca. Dos gostos aos cheiros. Da textura da pele até o último fio de cabelo. Das mãos dadas ao passear pelas ruas e avenidas aos orgasmos inundantes e estarrecedores. Do carinhoso beijo de boa noite ao sexo sem barreiras, pudores ou limites, que invade nossa cama diante dos primeiros raios de sol, quando quase todo mundo ainda está dormindo.

E agora, neste exato instante, na medida em que leio releio o que escrevi, me dou conta que este texto é uma espécie de despedida respeitosa de tudo que me preparou para sermos o que somos. O meu eu antigo tinha um propósito, e o responsabilizo diretamente por eu, meu eu de hoje, ter chegado até aqui. Ele se foi e não deixa saudades mas sim uma miríade de possibilidades. Ao seu lado, meu amor, sinto-me parte do infinito.

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Vai que…

Vai que eu vou embora

E jogo nossos sonhos fora

Mesmo sem saber para onde ir?

Vai que eu tomo tento

E dou ouvidos ao vento

Que insiste em me fazer seguir?

Vai que acabam as maçãs

As noites e as manhãs

E eu me vou sem me despedir?

Vai que eu vou,

Vai que eu não fico?

Vale a pena arriscar,

Vale a pena deixar

A pressão chegar ao pico?