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Falta

Fui ali me encontrar:

Volto já ou nunca mais.

Tanto faz se de mim sentirão falta.

A falta que sinto de mim mesmo nunca me faltará.

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Pintassilgo

Canta, coração!

Canta feito pintassilgo –

Preso –

Na gaiola invisível da paixão.

Canta, coração!

Canta até ficar rouco!

E se for chamado de louco,

Cante mais alto,

Pois o teu cantar

É o pulsar do coração.

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Das coisas do coração

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Das coisas do coração.

Mas estou vivo,
E por isso deve haver sentido
Tanto no sim como no não.

Mas e toda esta multidão,
Que pula de galho em galho,
Tal como se não houvesse chão?

Disso, não sei, não.

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Mas confio no meu coração,
E é esta crença que me mantém vivo.

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Em nome de deus

Olho para o menino no sinal vendendo balas,
Desviando de carros e motos,
Enquanto um grupo de adultos observa tudo.

Uma criança que não é criança,
Porque não é possível ser criança sem infância.

Tudo que esse menino conhece é violento:
A infância e a educação roubadas,
O trabalho obrigatório a mando dos pais.

Tudo! Absolutamente tudo!

E vem um sujeito falar comigo de meritocracia,
De quanto a educação pode ajudar na mobilidade social…
Coisas eruditas, coisas bonitas,
Mas o menino continua no sinal.

Compro uma bala por via das dúvidas,
Mas logo sou acusado de “alimentar a pobreza”,
Que os tais cheios de mérito fazem questão
De manter longe de seus olhos.
Afinal de contas, o que não é visto,
Não existe.

E agora, já passou a eleição,
E o mundo continua um mundo cão.

Pobreza no cu do pobre é refresco!
E a massa conservadora vocifera:
Eu fui escolhido por Deus,
E este menino, não.

Que tipo de deus filho da puta é esse, então?

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Mas entenda, meu amor

Não consigo dizer tudo em palavras

E por vezes me perco na urgência de ser compreendido.

Mas entenda, meu amor:

As minhas palavras podem eventualmente me trair,

Mas minhas atitudes jamais te trairão.

Portanto, na dúvida, meu amor,

Repare bem nas minhas atitudes e ações

E também nas minhas reações

Diante das imprevisibilidades da vida.

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Anteparo

Considero uma das poesias mais bonitas que eu já escrevi. Gosto muito, muito desses versos.

Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

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Lambanças

Premeditei este amor

Acreditei desde criança

Sempre foi meu

E eu já sentia saudades

Antes mesmo de haver lembranças.

E hoje, meu amor

Me lembrei que ainda sou criança

Brincando nos parques teus

Onde tu e eu fazemos lambanças.

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P.S. 50

Não adianta falar sobre o que só o tempo é capaz de dizer.

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Deus em mim

Queria tuas mãos nos meus cabelos, porque tuas mãos me curam.

Assim também queria as tuas mãos nas minhas costas, porque me seguram.

A vida não é fácil. Não tem sido fácil. E como homem me sinto na obrigação de dizer que está tudo bem.

Mas sabe, amor, nem sempre é assim. Há dias ensolarados, mas também há dias de dor sem fim.

Quando vejo um bem-te-vi, a sensação que tenho é que Deus está me vendo, e sorrio para as possibilidades Dele estar olhando para mim.

Mas sabe, amor, quando te vejo, nos nossos abraços, cafunés e beijos, é aí que mais sinto Deus em mim. Teus toques e bem-te-vis.

Obrigado pelo que nem sabes que fazes. És, como os bem-te-vis, Deus em mim.

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Cegueira

Percebo brutalidade em alguns que me olham

Que veem um eu que não se parece comigo

Um eu que não é meu e só existe em olhos alheios

Cegos pelas projeções que consomem suas próprias vidas.

Se de fato me vissem, penso eu

Se se dessem a chance de me ver

Veriam que o meu eu que de fato sou eu respeitosamente se cala

Diante da cegueira brutal que consome suas próprias vidas.