Engasgou-se com palavras:
Tanto com as que disse
Como com as que não disse.
Silenciou-se quando deveria falar,
Falou quando deveria silenciar.
Palavra é ponte
Palavra é muro
Palavra é afago
Palavra é murro.

Talvez se a gente bater aquela fotografia
E ela virar poesia de alguma forma
Algum dia
Vai que você a posta no Instagram?
Para que vejam a sua mãe e sua irmã
Para que saibam de mim
Ainda que não me aceitem
Mas para que saibam que eu existo.
Talvez se eu lhe oferecer mais um trago
Um aceno, um abano
Um aperto, um agrado
Talvez… Talvez…
E talvez você me entenda:
É tudo pessoal
Vivo e sentimental
Lógico e irracional
Coração na ponta dos dedos
No tato, no toque, na escrita
Em tudo
E meus pés nunca tocam o chão.
Talvez, meu amor
O maior de todos
Você, meu amor
Quem sabe assim eu caiba
De alguma maneira
Nas músicas do Ed Sheeran
Que eu queria ter escrito
Vivido com você.
E talvez (com certeza)
Se restassem apenas 10 centavos
E eu tivesse que apostar na Mega Sena
Eu viveria em uma Teimosinha com você.
Você não é os meus talvezes
É todos os meus porquês
Meu fundo de panela
Alho, cebola e pimenta do reino
Meu cravo e minha canela
Meu hoje, meu ontem
Meu sempre
Talvez não!
Nunca talvez
Todos os dias
Você sempre.

De todas as vezes que senti
(e foram muitas),
Esta foi a que doeu mais.
Talvez porque agora eu esteja pronto
Para sentir tudo aquilo que eu dizia antes
Que nem doía.

Tenho pedidos
E entregas,
Perguntas
E respostas,
Dúvidas
E certezas,
Risos
E lágrimas
Guardados sob meu colchão.
.
E durante a noite,
Quando menos espero,
Eles dão o ar de sua graça
E me acordam aflito.
.
Mas a aflição tem diminuído,
E aos poucos
Estou me acostumando a lidar
Com o que me parecia impossível.
.
Outro dia ouvi a nossa música
E peguei o violão.
Arrisquei uns acordes.
Preciso arriscar mais.
Preciso praticar mais.
Preciso viver mais.
Preciso xingar mais.
.
Tenho me arriscado cada vez mais a viver,
Ainda que haja coisas sob meu colchão.
.
Que um dia elas estejam sobre meu colchão.
.
Que um dia elas não estejam mais em meu colchão.

Te lembro nua em nossa cama,
Enquanto minha fala jocosa implicava:
“Estás com frio? Estás eriçada!”
A mordida em teus próprios lábios me respondeu sem palavras,
Que eras e querias ferro em brasa,
E que de frio em ti não havia ou cabia absolutamente nada.

Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.

Me olhei no espelho do banheiro e não te vi a meu lado.
Foi a primeira vez em muito, muito tempo.
Senti uma dor aguda –
Dor de morte.
Nenhuma lágrima –
Estado de choque.
E então me ocorreu que fiz de tudo –
Talvez mais do que devia –
Para evitar este reflexo dorido,
O “nós dois” esquecido,
O caminhar rumo ao desconhecido,
Rumo a outros braços – outro coração.
Agradeci a Deus por tudo.
Somente um obrigado – mudo!
Recordações de todos os tipos –
Paixão, amor, tesão, vício –
E um senso de que nada foi em vão,
Nada mesmo –
Nem as manchas que ficaram no colchão.
Me olhei no espelho do banheiro e não te vi a meu lado.
Foi a primeira vez em muito, muito tempo,
Que eu me vi.

Caminho por noites escuras
Sem lua
Sem rumo
Sem porquê
Sem porém.
Caminho porque caminho
E vou sem destino
Esperando chegar
Sabe-se lá onde
E encontrar sei lá quem.
Mas é nessa escuridão
Diante do que sobrou de mim
Que pretendo virar chama
E queimar a língua dos caretas
Que acharam que este era meu fim.

Me desculpes por aquilo que eu não disse,
Quando te amei, virei para o lado, e adormeci.
Eu diria no dia seguinte,
Da mesma forma de sempre,
Com a mesma vontade de sempre,
Em uma dialeto que só tu serias capaz de entender.
Me desculpes se, no meu cansaço,
Relaxei nos teus braços, triunfante,
Radiante, eufórico, vitorioso,
Sentindo ainda o torpor do nosso gozo,
Teu cheiro em meu corpo,
Meu coração em tuas mãos.
Me desculpes pela minha verdade,
Pela minha ingênua sinceridade,
Por nunca ter te ocultado nada,
Por ser simples, previsível, correto,
Do meu amor estar sempre certo,
Sempre homem, todo teu.
Me desculpes por não ter te traído,
Por em nenhum momento ter te esquecido,
Por te achar a mais linda de todas,
De todas as que eu nunca quis,
E que diziam, me fariam – quem sabe – feliz!
Mas não eram como eras, como sou.
Agora que fostes embora,
Abraço-me a solidão de minhas horas,
Revelando-me aos poucos, sem pressa,
Para o mundo, que com todas as portas abertas,
Me acolheu, me convidou, me escolheu,
Para ser do amor um eterno aprendiz.
