Há vazios que o vil metal não preenche
Em meio à facetas falsárias e perenes
Mas há também vida logo à frente
Que irrompe em corpos de almas urgentes.

Há vazios que o vil metal não preenche
Em meio à facetas falsárias e perenes
Mas há também vida logo à frente
Que irrompe em corpos de almas urgentes.

sinta-me pulsar dentro de ti
.
me engula
me esconda
me aperte
me desague
me extraia
.
devolva-me desfalecido
para meu coração –
doido varrido –
se sentir
vivo

Resolvi chamar de amor o que era pura dor
E que minhas poesias inspirava.
Talvez mais algumas palavras
Mais estrofes, mais versos
Mais telefonemas e mensagens
Mais angústia
Mais lágrimas
Mais humilhações
Mais descaso
Mais falta de respeito
Mais indignidade.
Resolvi chamar isso de amor
E hoje entendo o porquê:
Falta de amor próprio
Responsabilidade minha
E de mais ninguém.
Faltou-me coragem
Para deixar ir embora de vez
A dor que não me deixava.
E no final das contas
“Amar é quase uma dor”
Apenas quando não é amor:
É apenas dor romantizada.
O amor de fato é flor
E como toda flor
Faz valer a jornada.

me conta mais de você
me fala dos seus planos
para os próximos 15 minutos
para os próximos 30 anos
mas por ora só o agora
onde nada planejamos
vamos inundar lençóis
onde nunca naufragamos

na madrugada
a saudade é açoite –
insistente
insolente
inclemente –
que quase mata
e nunca morre

acordei a teu lado
sem saber que estava
apenas dormindo
para todos os efeitos
morto
roto
escroto
amônia
teu corpo
revivi

Hoje, olhei e admirei muitas flores
De todas as cores
Que encontrei pelo meu caminho.
E hoje, certeza que de meu rosto
Foi-se embora o sorriso tosco
De quem se via caminhando sozinho.
Deus é comigo até o fim.

Também eu sei falar de coisas tristes,
De tudo de ruim que me aconteceu,
Das dores que me perseguiram inclementes,
Das saudades absurdas que me gelaram o peito,
Das vozes que, delirante, fingi que ouvi,
Das noites em claro e da sensação de quase morte,
Dos fins de tarde que pareciam o fim do mundo,
Do Apocalipse que comia e regurgitava minhas vísceras.
Ninguém por perto.
Medo diserto.
Respirar funesto.
Desenredo decerto.
Até que me dei conta
De que nunca me eximi,
Ou mesmo tentei fugir,
Das catástrofes que a mim –
E em mim –
Cabiam:
Tentar esquecer
Era, pois, a forma mais dissimulada
De me lembrar,
Todo santo dia,
De tudo que ainda me habitava
E de tudo que já me foi tudo um dia.

Aos trancos e barrancos
Encontrei meu canto
Enquanto meu pranto
Meio que por encanto
Explodiu em sorrisos.

Entrego-me a teus carinhos de sempre,
Que hoje me tocam como nunca.
Deixa-me repousar em teu ventre,
Com teus dedos em minha nuca.
Livra-me do mal que me espreita,
Cuja dor parece que não caduca.
Rogo tão só a tua presença,
Para que eu não me afogue em alguma reles baiuca.
