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É ou não é?

As pessoas tendem a valorizar o difícil, o improvável, o inatingível. Muitos, inclusive, se apaixonam por esta busca frenética e chamam isso de amor.

Não. O amor não é e nem precisa de nada disso. O amor chega fácil. É claro, objetivo e direto. É óbvio. Não precisa ser convencido. O amor não joga. É leal. É fiel. É recíproco. É respeitoso, íntegro e integral. É correspondido. É leve. Eleva. Faz crescer. E, sobretudo, o amor nunca se coloca ou permite ser colocado em uma posição na qual possa se perder ou mesmo deixar de existir.

Nem por isso dispensa manutenção, claro. Amor é dia a dia. Amor é cotidiano. Amor é no detalhe e no todo. Amor é jornada. Amor é estrada. Amor é pé no chão.

Se for muito complicado, não é amor. É alguma outra coisa que você resolveu chamar de amor para preencher algum vazio. E se você não estiver inteiro, vai chamar qualquer porcaria ou migalha de amor e vai sofrer horrores por conta disso.

É ou não é amor? Só você é capaz de responder essa pergunta.

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Entradas (sem saídas)

Pode apagar a minha fotografia,

Mas eu estou dentro e entro em você

Dia após dia,

Nesta saudade que não silencia.

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Como eu sou

Deixa eu te dar um beijo de despedida,

Porque eu vou ali viver a vida

Como a gente sonhou.

Vou suar minha camisa,

E vou contar minhas moedas,

Vou procurar nos bolsos das calças

Se necessário for.

Mas não, não vou falar de saudade,

Só de felicidade, de noites viradas,

E de histórias de amor.

E só quero que quem esteja ao meu lado

Tenha o cuidado de amar não o que tenho,

Mas o homem que eu sou.

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Conjugados

Há um poema
Entre tuas pernas
Que foi escrito
Com minha língua

Há um poema
Em tua face
Que foi escrito
Com tua caligrafia

Há partes que não cabem
Há partes que não entram
Cheiros e gostos rimados
Por fora e por dentro

Nestes saraus devassos
Nossa história escrevemos
Lirismo que não se cala
Que ou grita ou está gemendo.

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Estranhos

É estranho ver uma estranha
Que já foi tão próxima.
É estranho não saber nada
De quem já se soube tudo.
É estranho sentir essa estranheza,
Essa completa falta de conexão.
É estranho reconhecer as feições,
E ainda assim achar que é um vulto.
É estranho que tudo seja estranho,
Onde o amor já desfilou toda sua grandeza.

É estranho.

Eu, estranho.

Você, estranha.

Nós somos estranhos
E ao mesmo tempo,
Não somos mais nada:
Sequer nos estranhamos.

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Sob juramento

Há quem fale dos próprios erros,

Como se fossem dos outros,

Causados por outros,

Tal como se fossem vítimas

De uma trama

Que nunca sucedeu.

Já os meus erros,

Sob juramento, confesso:

Sou a eles apegado,

E são todos meus.

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Confissões

Por que eu deveria me envergonhar de minhas lágrimas, se todas elas foram de verdade?

Tudo que você viu foram confissões escorrendo pelo meu rosto. Tudo que você viu existia em mim. Tudo que você viu sou eu.

Se você me viu chorando algum dia, é porque eu já confiei muito em você. E nesse dia, você não viu a minha fraqueza, mas a força e o tamanho de tudo que me habita. E se você achou isso estranho, a grande verdade é que você nunca vai me compreender: eu não caibo em você.

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Miragens

Os ritos de passagem são necessários.

As lágrimas, o cansaço,

A tristeza, a exaustão,

A dor, a solidão…

Sentir um pouco de tudo vale.

Mas se são ritos de passagem,

É neles que se iniciam novas viagens.

Então, aproveite a paisagem:

É estrada sem retorno

Para longe de falecidas miragens.

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Desterrados

Será que eu não entendi direito
As faíscas em nossos olhos
As mãos dadas
Os nossos suspiros
As nossas conversas e delírios
Os nossos beijos e abraços
O nosso gozo vitorioso
As batidas de um só coração –
Apenas um só coração –
Que pulsava por nós dois?

Será que eu não entendi direito
Tudo que não precisava de explicação?

Era amor ou não?

Se não era amor
O que era?

Era, era amor!

Era amor
E sinto a dor
Da morte
Do que era

Era amor
E hoje é flor
No jazigo
Que nos desterra.

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Porto seguro

Por que voas, borboleta,
Se ao final
Sei que repousarás
Em meu peito?

É porque meu voo, meu amado,
Aquece a tua alma
E este fogo
Incendeia o nosso leito.

Voa, borboleta…
Voa…
E ao final
Repousa em meu peito.

Aquieta-te, meu amado!
Não há pouso
Ou lugar seguro
Que não seja o nosso leito.