Foi no silêncio que tudo aconteceu.
Longe das câmeras e dos flashes.
Ninguém viu, ninguém comentou,
E ficou.
Falou mais alto
O sussurro do amor.

Eu sei que é segunda-feira
Mas todo o meu desejo
Toda falta que me fazes
Tudo que em mim queima e arde
Jaz vivo a meus pés:
Caminho em brasas.
.
Não há nada que possas me dizer
Nesta comum segunda-feira
Que acalme a serpente
Que trafega em minhas veias
E me traz extra sístoles:
Quero inocular-te.
.
Comigo estou em guerra
E isto é um fato
Uma parte de mim vive de lembranças
A outra vive a espera das tuas cheganças
E por um acaso é segunda-feira
Mas assim é todos os dias da semana.

Olho para o mar
E no horizonte,
Vejo o ir e vir das embarcações.
Não vejo a que eu espero.
Não vejo a que sempre estive a esperar.
.
Olho para o mar novamente.
Desta vez com os olhos marejados.
A saudade escorre pelo meu rosto,
Pelo meu peito, até meus pés,
E me deixa de joelhos.
.
Seguro um punhado de areia
E o deixo escorrer por entre meus dedos.
Sou ampulheta viva
E a minha vida
Por mim está a passar.
.
Olho para o mar mais uma vez.
Quem sabe, talvez?
Entre motivos e porquês,
Há um coração que pulsa alto,
Esperando o amor aportar.

No dia que você se foi,
O Sol se pôs para não mais nascer.
Desapareceram as estrelas,
Os planetas,
A Lua,
As marés,
A esperança,
A fé.
Cessou o vento
E todo e qualquer movimento.
Tudo torto,
Tudo roto,
Por fora e por dentro,
Mundo morto.
A noite mais escura
Foi também a última noite.
Depois dela,
Nunca mais vivi
Um dia.

Estremeço e enrijeço quando teu nome pulsa no meu telefone.

Tua nobreza advém da tua alma,
E teu título nobliárquico
É vitalício.
.
Tua coroa –
Por ser verdadeira –
Faz sangrar:
É de espinhos.
.
Teu cetro são teus atos,
E o fuxico as armas
De quem ignora
Teus desejos e vontades,
E, sobretudo,
Teus sacrifícios.
.
Curvo-me diante de ti,
E escolheria –
Se assim Deus permitisse –
No meu último dia,
Morrer em teus braços,
Posto que morreria embalado
Pelo amor da minha vida.

Lembro de tudo:
Do adeus mudo
Do argumento surdo
Do pedido
“Fica…”
Porque sem ti
Não tenho para onde ir
E nem para onde voltar.
.
Até hoje
Nas noites mais escuras
Onde o travesseiro é clausura
Ouço teus passos
Sinto teu peso a meu lado
Invisível corpo –
Estupenda alma –
Que pesa a meu lado
Em meu colchão.
.
Pedi a Deus
Que me desse o amor –
Não um qualquer amor –
E Deus me levou
De encontro a ti.
.
Pedi a Deus
Que me desse sentido
E eu fui ouvido
No teu “eu te amo”
No teu “adeus”
Que me deixou sem mim.
.
Mas ainda há de chegar
A primavera
E as poesias do
“Quem me dera”
Se transformarão
Em preces de gratidão
Pelo adeus que em mim
Nunca foi
Nunca partiu.
.
E tudo isso
Será para nós alicerce –
Inequívoca prece –
Do que sempre fomos
E de tudo que ainda somos
No porvir.
.
De ti
Nunca me esqueci
E sei que em ti
Há um pedaço de mim.

Queria ser salvo da vida,
Mas não pela morte –
Salvação inevitável –
Mas pela sorte de entender
Que é uma tremenda sorte
Estar vivo.
.
Como eu gostaria que Deus,
Descesse dos céus e me dissesse:
“Estás vivo; já não é o bastante?”
Mas Deus anda ocupado,
E eu tenho reclamado
Muito mais do que agradecido.
.
Vivo!
E no fundo eu sei que é bom estar vivo,
Mas que isso não me impeça
De morrer para certas coisas –
Ou de matar certas coisas –
Para me manter
Vivo!

Demorei uma vida inteira para entender que castelo não é um lugar, mas um sentimento.
Castelo é onde eu me sinto bem.
Castelo é abrigo, é refúgio, é colo, é convite, é café, é bolo de milho, carinho.
Castelo é onde o mal e os problemas continuam existindo, mas parecem menores diante da sua autoriade imponente e tenacidade resoluta.
Castelo é onde eu posso dormir de olhos fechados.
Castelo é onde eu posso falar sem ser julgado e posso ouvir para acolher.
Castelo é poder ser, viver e deixar viver.
Castelo é onde eu posso ser eu, e sendo eu, ser castelo na vida de quem eu amo.
Castelo é saber e sentir que há quem me ame.
Castelo é amar e ser amado.
Castelo é em comunhão com a vida e comigo mesmo, viver.
