Avatar de Desconhecido

Logopeia – por Túlio Ceci Villaça

Essa poesia é de uma “boniteza” única. Me emocionou.

“No fim, como sempre,

O que nos salvará ou porá a perder

Não serão grandes gestos ou terríveis crimes,

Mas a coisa ordinária que não lembramos ter feito.

A meu favor, o que posso alegar

É que, a qualquer hora do dia ou da noite,

Escolhi sempre o caminho mais longo

Para passar pela praça.”

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Naco

A vida me olhou e disse:

“É chegada a sua hora.”

Fiquei na dúvida:

“Hora de viver ou de ir embora?”

Por via das dúvidas,

Acelerei o passo,

Mudei o compasso,

E permiti que a vida,

Muitas vezes sofrida,

Me desse um abraço.

E do futuro,

Mordi um naco:

Fome do porvir.

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Fora de estação

Não fosse o sol tímido

E a brisa fresca

Lambendo a minha face

Eu nem saberia que é inverno.

Porque no meu coração

É sempre verão

E nele habita aquecido

Tudo que me é eterno.

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Minha madrinha

O nome dela era Rosa, e foi para os braços de Deus no sábado, dia 5 de Julho, aos 81 anos.

Apesar de termos passado os últimos anos afastados, nunca me esqueci do amor que dela recebi. Ela foi muito importante e presente na minha infância e na minha adolescência. Nunca me esquecerei de todas as coisas que ela fez por mim. Será para sempre minha Tia Rosinha, irmã da minha mãe.

O futuro caminha a passos largos. Sempre. Não há lágrima ou lamento que faça voltar o tempo perdido. Queria ter passado mais tempo com ela. Vou carregar essa lacuna comigo até o fim dos meus dias. Coisas (lamentáveis e difíceis de entender) da vida.

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.” – Legião Urbana

Vai com Deus, minha tia. Obrigado por tudo. Seja recebida na casa de Deus com toda a glória que você sempre mereceu.

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Absoluta

Sempre procuro tuas pernas

Quando sinto frio em minhas orelhas.

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Faz de conta que é domingo

Faz de conta que é domingo –

E eu sei que hoje é domingo –

Mas faz de conta que é daqueles domingos

Em que a presença não dava espaço para a saudade

E quando as mínimas coisas eram o máximo.

.

Faz de conta que é domingo –

E eu sei que hoje é domingo –

Mas faz de conta que caminhamos na praia

Que tomamos água de coco

E que compramos o pouco que nos faltava.

.

Faz de conta que é domingo –

E eu sei que hoje é domingo –

Mas faz de conta que conversamos sem pressa

A garrafa de vinho aberta

Festa em nossos corações.

.

Faz de conta que é domingo –

E eu sei que hoje é domingo –

Mas faz de conta que vimos o jogo juntos

Que tomamos café e comemos bolo

Falando inglês e explodindo em risadas abertas.

.

Faz de conta que é domingo –

E eu sei que hoje é domingo –

Assim como sei que eu te amo.

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P.S. 61

A causa mortis do amor é sempre a mesma: inanição.

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Zetasnes

Destoam tuas palavras dos teus atos,

Tuas mórbidas cores escorrem e mancham o teu discurso,

Tua verve é unicamente a tua insanidade,

O prêmio que te busca é a inalcançável amargura.

.

E ainda ousas clamar por piedade,

Para a insensatez das tuas evidentes cisuras,

Mas és náufrago somente na tua loucura,

Que regurgitas em sanhas verborrágicas.

.

Não há perdão e menos ainda piedade,

Para tua absolutamente surreal conduta,

Na prática, carregas a insígnia da mediocridade,

E flertas com o mal com extrema desenvoltura.

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Teu néctar

Saudei a vida feito um borboleta

Que se liberta de sua crisálida

Por nela não caber mais.

.

Cresci e não foi fácil.

Crescer nunca é fácil.

Crescer pinica e faz chorar.

.

Mas agora, posso voar

E ver lá de cima

Como são pequeninas

As antes coisas grandes da vida

Que em mim também já não cabem mais.

.

Agora, conto com o vento

Estou pelo voo sedento:

Ei de te achar

E voarei até ti

Para do teu néctar degustar.

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Bem curado

Fui comprar um queijo bem curado,

E o vendedor me disse: “Foram 6 anos.”

Retruquei assustado: “De cura?”

E ele me disse: “Não, de terapia”.