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Abusado e insolente

Teu segredo

Se revelou de forma veemente

Quando gritou o teu coração

E tentou ignora-lo a tua mente

 

Não seria de mais valor

Ou talvez mais prudente

Deixares de fingir que é dor

O amor que deveras sente?

 

Ah! O amor…

Essa coisa insistente

Que não pede por favor

E que torna o completo carente!

 

Ah! O amor…

Do qual tu foges bravamente

Mesmo sabendo que não há vida

Quando parte de ti está ausente

 

Ah! O amor…

Não, não estás doente

Já que és tão racional

Que reconheças: estás impotente!

 

Ah! O amor…

Que te rendas a este insistente

Que subjuga-te a seus caprichos

Não se trata de mero acidente

 

E que fique claro que sua existência

Não depende do teu aceite

O amor é o amor

Abusado e insolente.

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Olhos do coração

O não sempre traz consigo

A esperança de que dias melhores virão,

Pois a vida sempre será farta e bela

Quando vista pelos olhos do coração.

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Inversos

Eis aqui os meus últimos versos para ti:

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Teu olhar

Este que fazes sem forçar
Que é tímido e discreto
Obsceno e direto
Misterioso e incerto
Uma miríade de convites
Todos eles a me torturar

Cabelos que cobrem
O que precisa ser descoberto
Lábios que explodem
Que fascinam por completo
Presença que avassala
Água cristalina no deserto

E nesse meu sonho que tu és
Que vem, que vai
Devoro teus mistérios
Na certeza de que muitos são
Pois na tua pele eu encontro
Todos os meus desejos mais ébrios

O que pretendes?
Onde estás?
Para onde vais?

Talvez assim eu te encontre
Quer seja por mero acaso
Ou por seguir teu cheiro

Desejo-te

E meu desejo é mais que verdadeiro
Posto que tu és um universo inteiro

um-olhar-pode-dizer-o-que-milhoes-de-palavras

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Besteira

Te amo neste fim de noite

Neste meio fio

Neste precipício

Nesta ribanceira.

Te amo contando trocados

Pedindo fiado

Engolindo poeira.

Tanto faz!

Porque tu és este amor

Que jorra de teu peito

E me fecunda por inteiro.

Te amo porque é o que sei fazer

É o que me faz ser quem sou

E o resto é pura besteira.

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Nossa Sina

Faz-se luz na noite do meu dia,
Quando desfilas calma, silenciosa,
Iluminando os alicerces de minh’alma,
Sem saber que o fazes, pois não me conheces,
Ainda assim atendes minhas lúgubres preces,
Seguindo teu destino que te funde ao meu.

Não sei por onde andas, aonde vais,
Pois também não te conheço,
Mas é inegável que tenho por ti grande apreço,
Pelo simples fato de saber que existes.
Dirijo-me para ti, de cabeça em riste,
Com meu lábaro manchado de sangue.

Açoitado fui, vítima de escárnio,
Mas ainda assim respeito as tiranias
Dos que se julgam senhores – pura verborragia!
Mesmo quando o desespero assolava meu leito,
Sonhava em ti, por ti, para que em teu peito
Pudesse alcançar a verdade por detrás.

E tu esperas por mim, sem perceber,
Caminhando os nossos turvejantes dias,
Para acabar de vez com nossa sentimental anemia.
Lembre-se que, quando chegares, nada será como antes,
E eu que ainda sou um mero cavaleiro errante,
Darei grande brado, para em nossa etérea plaga descansar.

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Apenas pó

Nunca me olhaste nos olhos

Nunca me fizeste perguntas

Nunca ouviste a minha voz.

Me conheces por fotografia

Pelas minhas poesias

E só.

Sabes meu nome e sobrenome,

Mas não se gosto de chocolate

Ou de pão de ló.

Não sabes e prefiro que não saibas,

Pois pelo jeito que de mim falas

De ti só tenho dó:

És apenas pó.

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Se – Rudyard Kipling

O poema “Se”, do escritor inglês Rudyard Kipling, Prêmio Nobel de Literatura em 1907, é uma jóia de valor espiritual inestimável, que merece profundas reflexões. Desfrutemos agora destas palavras imortais e atemporais:

SE

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade;

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho;
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo, e – o que ainda é muito mais – tu és um Homem, meu filho!

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Falta

Fui ali me encontrar:

Volto já ou nunca mais.

Tanto faz se de mim sentirão falta.

A falta que sinto de mim mesmo nunca me faltará.

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Pintassilgo

Canta, coração!

Canta feito pintassilgo –

Preso –

Na gaiola invisível da paixão.

Canta, coração!

Canta até ficar rouco!

E se for chamado de louco,

Cante mais alto,

Pois o teu cantar

É o pulsar do coração.