Avatar de Desconhecido

P.S. 61

A causa mortis do amor é sempre a mesma: inanição.

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Zetasnes

Destoam tuas palavras dos teus atos,

Tuas mórbidas cores escorrem e mancham o teu discurso,

Tua verve é unicamente a tua insanidade,

O prêmio que te busca é a inalcançável amargura.

.

E ainda ousas clamar por piedade,

Para a insensatez das tuas evidentes cisuras,

Mas és náufrago somente na tua loucura,

Que regurgitas em sanhas verborrágicas.

.

Não há perdão e menos ainda piedade,

Para tua absolutamente surreal conduta,

Na prática, carregas a insígnia da mediocridade,

E flertas com o mal com extrema desenvoltura.

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Teu néctar

Saudei a vida feito um borboleta

Que se liberta de sua crisálida

Por nela não caber mais.

.

Cresci e não foi fácil.

Crescer nunca é fácil.

Crescer pinica e faz chorar.

.

Mas agora, posso voar

E ver lá de cima

Como são pequeninas

As antes coisas grandes da vida

Que em mim também já não cabem mais.

.

Agora, conto com o vento

Estou pelo voo sedento:

Ei de te achar

E voarei até ti

Para do teu néctar degustar.

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Bem curado

Fui comprar um queijo bem curado,

E o vendedor me disse: “Foram 6 anos.”

Retruquei assustado: “De cura?”

E ele me disse: “Não, de terapia”.

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Testamento

Para ti, minha filha,

Deixo de herança todas as minhas mazelas.

Que tua alma se consuma feito a minha,

No caldeirão de malfeitos no qual fui marinada e ungida,

Posto que sou sagrada.

Mas que tu entendas, minha filha:

Até os meus malfeitos são perfeitos –

Milimetricamente perfeitos –

Lustrosos e rebuscados ao ponto de mentes menos sagazes os defenderem.

Sou teu arquétipo e não admito que diferente de mim sejas.

Sou tua juíza e teu algoz –

Cassei tua voz! –

E projeto em ti tudo que sou,

Que nego,

Que invejo –

Sou pura inveja! –

Que odeio,

Que gostaria de ter sido,

Que nunca fui.

Agradeças, minha filha.

E quando pensares em ser diferente,

Bem no fundo da tua mente,

Ouvirás a minhas voz e não te atentarás

Que sou dona do teu inconsciente.

Esta é para ti a minha fiel herança:

Tornei-te esta insegura criança,

Que jamais será capaz de perceber,

Até mesmo quando adulta,

Que és apenas mais uma de minhas infinitas –

E ainda assim narcisicamente perfeitas –

Lambanças.

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Nos domingos

Nos domingos, as cores são outras.

O verde é da Heineken e da salada com folhas para lá de frescas (com tomate cereja, por favor).

O amarelo é da batata frita, da farofa.

O branco é do arroz (que eu não como, mas que não pode faltar).

O rosa é da carne mal passada, quase ao ponto (ao ponto de alguém reclamar que está “crua”).

O preto é do carvão, que aquece e acolhe, que traz vida.

Mas o vermelho… Este é de paixão, do amor, do desejo, dos sonhos e dos beijos, da vida, do hoje, do ontem e do amanhã.

Um brinde aos domingos!

Nos domingos, além da carne, o fogo a alma queima.

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Abraço

Nada escapa do meu abraço,

Que acolhe antes e pergunta depois.

Porque eu aprendi na vida

Que o abraço precisa ser casa,

Precisa ser lar, feijão com arroz.

Nada escapa do meu abraço,

Porque eu já precisei ser abraçado

E não fui.

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Dia dos Namorados – 2025

Que seja verdadeiro:

O amor distante.

O amor presente.

O amor último.

O amor primeiro.

O amor em todas as partes.

O amor por inteiro.

O amor que existe e independente das circunstâncias.

O amor que vive e sobrevive em todas as instâncias.

O amor que é resiliente e paciente.

Que ora é silêncio, e ora é saliente.

Amor para todas os gostos e estações,

Sempre com o dulçor e o frescor da primavera.

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Folie à deux

Conta-me e eu te conto.

Distorça!

Manipule!

Incite!

Difame!

Distorço!

Manipulo!

Incito!

Difamo!

Conta-me e eu te conto.

Horas ao telefone,

Repetimos seu nome,

Nada foi em vão,

Roubamos seu coração,

Sua alma em nossas mãos,

E a crucificamos em praça pública.

Conta-me e eu te conto.

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Crescer

Por pura vaidade, não reconhece a perda.

Luta batalhas que não fazem mais sentido.

Chama a atenção para as suas causas irrelevantes –

Todas elas –

Irrelevantes para o mundo; o mundo que não é só dele.

Distorce, trama, difama, manipula,

Pois não tem a coragem de se olhar no espelho.

E ali, bem no meio da poça de sangue

Que se formou dos cortes que fez a si mesmo,

Prosta-se feito criança que espera a saída do escola.

Quer rever seu pai, sua mãe.

Quer que eles lhe digam que vai ficar tudo bem.

Quer se rever criança e poder ser criança.

Mas isso não é mais possível: a criança precisa morrer.

O bebê que ainda é precisa desfraldar.

Precisa sepultar partes suas em definitivo para ser.

Precisa viver o luto que é crescer.