Avatar de Desconhecido

Fecha a conta!

Se há uma cor que nos representa?

Vermelha

 

É sangue

É amor

É paixão

É comichão

 

Sim…

Comi no chão

Comeria onde fosse

Como fosse

Quando fosse

O importante são

Os sabores

Os temperos

Os destemperos

Os exageros

A cor vermelha

Que você me trouxe

 

Bem ou mal passada?

Ao ponto

Vermelha

Para escorrer em mim

Me inundar de prazer

E deixa-la ruborizada

Vermelha

Envergonhada

Da sua explosão

Da nossa depravação

Do puro prazer

 

Não se trata de

Querer ou não querer

Estou com fome

Quero comer você

 

Fecha a conta, garçom!

Ou seremos presos

Por mostrar de verdade

O que é sobre a mesa

 

Vermelha

Nossa cor é

Sempre vermelha

Nossos corações

No ponto

Banquete indecente

Eu e você.

carne-ao-ponto

 

 

 

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A seu lado

Nem em uma vida inteira

Serei capaz de contar

Todos os detalhes

De um segundo vivido

A seu lado

 

Eu me lembro bem

O tempo parava…

 

Pena que o tempo

Não parava

De verdade

Só nós éramos

De verdade

Só nós somos

De verdade

Só nós

A verdade

 

Hoje

Sinto falta do tempo

Que eu não senti

Que passou

Quando eu estava

A seu lado

 

Que o tempo

Devolva-se

E devolva-me

E devolva-te

E devolva-nos:

Esse tempo é nosso.

hamburguer-madero

 

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Nas sombras

Era o sujeito

A protagonista

Tornou-se penumbra

Distorcida

Mas ainda assim penumbra

E com o passar do dias

Ao apagar das luzes

Sob os aplausos

Do medo e da culpa

Tornar-se-á sombra

 

E talvez assim

Nas sombras

Das sombras

Consiga ressurgir

Renascer

 

Se eu a verei?

Não sei

Talvez eu me lembre

Do que eu via

Do que eu ardentemente

E eternamente sentia

Talvez, algum dia…

Só o tempo vai dizer.

sombra

 

Avatar de Desconhecido

Souvenir

Juro que só estava

Procurando a rolha

Sabe como é…

É preciso procurar

Devagar

Sem nenhuma

Pressa

Em todos

Absolutamente todos

Lugares possíveis

Rolhas não ficam

Que eu saiba

Invisíveis

 

E tem o queijo…

Camembert ou Brie…

Não lembro ao certo

Onde?

Acho que em cima do sofá…

Talvez embaixo da cama…

E sua intolerância a lactose?

Deixa eu procurar a rolha!

 

Hum…

Por um acaso

Você não a escondeu?

Não?

Que bebamos a garrafa toda

Ou mais de uma

Tu e eu

Pela manhã

Descubro onde ela se meteu.

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Avatar de Desconhecido

Saúde em primeiro lugar

Ainda que me preocupe

Com seu bem estar geral

Não creio que ficar molhada

Cause-lhe algum mal…

 

Mesmo que esteja frio

Não é possível selar

A nascente desse rio

Nós dois sabemos bem disso.

Vinho-3

 

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Bonança?

Depois da tempestade

A bonança…

E isso não necessariamente

É motivo de comemoração:

Pode ser apenas

O olho do furacão.*

*Região central de uma forte tempestade tropical, na qual, no entanto, persiste tempo calmo, podendo-se mesmo avistar céu limpo; como figura de linguagem, deve designar um ponto de calma e tranquilidade em meio à confusão, à pressa ou tensão ; contudo, a expressão é frequentemente utilizada, de forma errônea, com sentido inverso; (exemplo de uso incorreto: “o soldado em combate vive no olho do furacão”)
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Enfrentei este da foto, o Ike, em 2008, enquanto morava no Texas.

 

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Vida e Morte

Para alguns

Só há morte

Quando é possível

Achar um corpo

 

Para outros

Só há vida

Quando é possível

Viver como quem não está morto.

reflexao_sobre_a_vida_minha

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Saudade (i)limitada

Quanto tempo dura a saudade?

A saudade não dura. É como o amor. A saudade simplesmente é.

 

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Pelo telefone

Ainda que se esconda

Eu te vejo

Teu desejo

Escorre pelo telefone

Avatar de Desconhecido

Ampulhetando

Em silêncio eu espero

Em silêncio, eu espero

E espero na espera

Esperando esperança

No silêncio que impropera

 

O tempo rasga

O tempo dói

O tempo não cura

Pelo contrário!

Vira do avesso

Eviscera as factíveis

E inesquecíveis lembranças

Do que só tem começo

 

Ele faz esquecer

Faz esquecer de esquecer

Relembra com intensidade

Cada vez mais tenaz e forte

É legião – e não centúria ou coorte! –

É esforço pra lá de inútil

É desperdício de momentos

É jurar o amor de morte

E assustar-se com sua vingança

Ferindo-nos com um certeiro bote

Do qual não se escapa

Quer seja por prudência ou pura sorte

 

Mas sei que devo entender –

E ainda assim não entendo! –

Na nossa dor somos vivos

E está por deveras doendo

Mesmo que não saibamos

O futuro acabará sendo

Um desesperado recuperar

De horas……………………

De minutos………………………..

De segundos……………………………….

Que prudentemente ou não

Acabamos perdendo

 

Que eu esteja errado, então…

Que o vento espalhe

As areias do tempo

E que algum dia

Possamos chamar

Esse aparente – e convincente! –

Desperdício

De um grande investimento

Que não deixou resquícios

E que só criou para o futuro

Uma miríade de melhores momentos

Ainda que, por ora

Nem isso sirva de alento

Só duro e cruel sofrimento.

sands-of-time