E agora, mãe,
Devo sorrir ou chorar?
Joguei todos os meus sonhos fora!
A senhora há de me cuidar?
E quando a senhora for só memória,
De mim a senhora há de lembrar?
Pois vivi a tua história,
E a minha nunca pude nem começar.

E agora, mãe,
Devo sorrir ou chorar?
Joguei todos os meus sonhos fora!
A senhora há de me cuidar?
E quando a senhora for só memória,
De mim a senhora há de lembrar?
Pois vivi a tua história,
E a minha nunca pude nem começar.

Prometa estar comigo aos domingos.
Só aos domingos.
Todos os domingos.
Prometa que antes do primeiro raio de sol –
E muito depois do último! –
Tu estarás a meu lado
Corpo colado
Mão com mão.
Porque não há domingos sem ti
E hoje é só mais um domingo…
E domingos tem o cheiro das tuas coxas,
E este cheiro permeia, encanta e semeia
Nas minhas bochechas e no céu da tua boca,
De domingo a domingo.

Que eu procure pessoas e esteja em lugares onde a minha presença seja celebrada.
Que eu seja recebido e acolhido com sorrisos, e que eu leve sorrisos por onde eu andar.
Que eu olhe e que me olhem nos olhos, mas não com quaisquer olhos: que seja com os olhos do coração.
Que eu guarde com carinho, ternura e respeito, dentro do meu peito, todos os amores que já não mais são.
Que minhas asas, há tanto tempo guardadas, me elevem para que também se elevem meus pensamentos e desejos.
Nunca é tarde demais para voltar a sonhar viver.

Bateu a saudade,
E aquela vontade louca de ouvir tua voz,
Sentir o teu abraço,
O cheiro do teu perfume.
Bateu a saudade,
Feito pássaro que entra pela janela ou pela porta –
Que mantenho abertas -,
Porque não sei como as fechar.
Bateu a saudade.
Trigésima segunda vez só hoje.
Marco em um papel feito comanda de bar.
A conta?
Eu sei que sou eu quem vai pagar.
Trigésima terceira.
Trigésima quarta.
Trigésima quinta.
Trigésima sexta.
…

A saudade não respeita nada e nem ninguém.
Não respeita momento, lugar, tempo, distância.
A saudade é implacável.
Transforma um vinho na geladeira em uma noite de amor sem fim,
Transforma uma escova de dentes deixada para trás em uma série no Netflix ainda por terminar,
Transforma o estar sentado em um antigo restaurante na materialização de presença física, feito quem espera o outro voltar do banheiro,
Transforma uma praia em uma sessão de fotos com voz, cheiro, gosto, toques, cabelos, sorrisos, gemidos, planos, anos, vidas, filhos, viagem, carro, unhas, aliança, aeroporto, rodoviária, almoço de domingo, café, mel, mamão, salada de frutas, ovos mexidos, pão.
A saudade não é o amor que fica.
É muitas vezes a vontade de não ter conhecido, de não ter vivido, de não amar como nunca se amou na vida, como ainda desesperadamente se ama.
A saudade é a tortura e a alucinação de quem ama e repousa em uma cama que não deixa dormir.
É o chamado incessante e silencioso de quem deixa o corpo e a alma em chamas.
Eu sou um incêndio vivo.

O desejo incontrolável de torcer pelo sucesso do outro, independentemente da distância e das saudades.
O desapego, o fim da vaidade, o aplauso do ego.
Ser lembrança e guardar na lembrança com carinho todos os detalhes, todos os momentos, todos os cheiros, todos os gostos, todos os tudos que não cabem em nenhum vocabulário.
Abandonar a raiva, abraçar a despedida como amiga, chorar cada lágrima dorida com dignidade, tal como tributo ao próprio amor.
Agradecer a Deus pelos momentos, pelas oportunidades, pelo crescimento.
Amar é, acima de tudo, aceitar o infortúnio como dádiva.
E eu te amo. E te amarei por toda a eternidade.
Meu amor de ti independe e esta é a essência do próprio amor que veio em mim morar.

Acordei triste e agitado. Perguntei a Deus os motivos do meu sofrimento. Injustiça, desamor, brutalidade, maldade, abandono. Por quê? Por quê???
E em um lampejo de lucidez, a resposta veio clara na minha mente feito o sol do meio dia.
“Não dizes ser cristão? Não dizes ter fé em Deus e em Nossa Senhora? Dá teu testemunho. Mostra para quem quer que seja que um homem de Deus pode cair 100 vezes apenas para que vejam Deus reergue-lo outras 100.”
Tomei meu café e dei graças. Silêncio.

Não sou um poeta;
Sou um necessitado por poesias.
E como nem sempre as encontro
No sabor que eu quero,
Acabo por escrever algumas linhas –
Mesquinhas –
Mas minhas.

Vou te dizer, meu bem:
Pior que estar sem ti
É estar contigo
Sem estar.
Faltava-me a coragem
(ainda falta-me a coragem)
De largar a dor
Que hoje é te amar.
Mas vou te dizer, meu bem:
Pior que estar sem ti
É estar sem mim
Para contigo estar.

Olhei no fundo de seus olhos –
Olhos que ela me escondia –
E emiti um alerta.
Estado de atenção:
Lágrimas fortes previstas
Para hoje ou para daqui a 3 anos.
Em algum momento,
Será necessário sentir.
Em algum momento,
Será necessário viver.
