Todos os dias ao acordar Travo comigo diálogos intensos: O que se tornou o que seria? O que se tornou o que calhou de não ser?
E fito o céu e fito o mar Na esperança de encontrar Nos tons de azul e cinza Nas nossas cinzas espargidas Algo que o fogo do tempo Inclemente Não tenha lambido Não tenha transformado em pó.
E reconto nossas histórias Nossos dias de incólume glória Para uma plateia de Deus comigo Na esperança de que Ele Da vida o grande diretor Mude o final do nosso filme.
Eu já não deveria mais Pensar em dizer que te amo E por mais que tudo seja profano Eu te amo, eu te amo, eu te amo!
Pode ser que eu esteja condenado Mesmo sendo inculpado A ter que conviver para sempre Com esse lancinante dessabor Com esse inclemente ardor De sentir ainda o calor da tua pele E do teu retumbante coração Que marca os passos do meu.
Mas se for esse o preço – O preço do que não tem preço – Ainda assim eu teria escolhido viver Milímetro por milímetro Toque por toque Do que foi e do que restou Do que para mim nunca acabou.
Ninguém precisa de permissão para ir embora da sua vida. As pessoas simplesmente vão quando acham que devem ir, e para aqueles com o mínimo de dignidade, a decisão do outro deve ser obrigatoriamente respeitada. Quer ir? Vai.
É claro que, nessas horas, a gente tenta se vender como a melhor criatura do mundo: “Você nunca vai encontrar alguém que te ame feito eu!” é uma das mais clássicas (e também uma das mais ridículas). O ponto é: será que as pessoa quer de fato alguém que a ame como você a ama? Desde quando você virou a personificação do amor? Só você sabe amar? E se ela achar a sua maneira de amar um saco?
Fato é que, quando alguém se vai, salvo algum acontecimento agudo (uma traição, por exemplo), a pessoa já estava pensando em ir há tempos, por mais que isso não estivesse claro para você. Por algum motivo, a pessoa já estava achando que não valia mais a pena, e calhou de ser naquele dia d, na hora h. Ela só colocou para fora o que já vinha sentindo. Não há muito a ser feito. Aliás, quanto menos for feito, melhor, mas isso já é assunto para outro texto…
Não adianta tentar argumentar. “Se você for embora, nem adianta me procurar depois!” Você realmente acha que a pessoa está indo embora pensando em te procurar depois? Ela quer mais é nunca mais olhar na sua cara! Pode ser algo transitório, passageiro? Pode. E se não for? Vai ficar esperando para sempre?
A vida é curta. Ao invés de ficar se matando tentando entender o que você fez de errado (quem disse que você fez algo de errado?), o negócio é aceitar a separação numa boa, na certeza de que da mesma maneira que aquela pessoa não te quer, há gente te querendo, muito embora essa seja a última coisa que esteja passando na sua cabeça nesse momento.
Para resumir: não meça o seu valor por conta de quem vai embora. Aceite. Faz parte da vida. Sofra, chore, tome um porre, mas levante-se. A vida continua. O que você tem a oferecer pode não ser o que uma pessoa quer, mas pode ser exatamente o que outra quer. Muitas vezes, é apenas uma questão de perspectiva.
Isso não quer dizer que você não tem o que melhorar enquanto pessoa. Tenho certeza que tem! Todo mundo tem! Por isso, use esse momento para fazer uma análise profunda dos seus erros e acertos durante o relacionamento. É uma oportunidade única de evolução e de aprimoramento pessoal.
A fila anda! Lembre-se sempre disso! E vai que nessa sua evolução, a tal da pessoa que te deixou resolve entrar na fila novamente? E se isso acontecer, apenas saiba que vocês não vão estar voltando. Vão estar recomeçando.
P.S.: Fim é fim! Tudo que vier depois disso é recomeço (novo começo, nada de “mais do mesmo”).
É estranho ver uma estranha Que já foi tão próxima. É estranho não saber nada De quem já se soube tudo. É estranho sentir essa estranheza, Essa completa falta de conexão. É estranho reconhecer as feições, E ainda assim achar que é um vulto. É estranho que tudo seja estranho, Onde o amor já desfilou toda sua grandeza.
É estranho.
Eu, estranho.
Você, estranha.
Nós somos estranhos E ao mesmo tempo, Não somos mais nada: Sequer nos estranhamos.
Os copos e os pratos ficaram sobre a mesa, porque voltaríamos para terminar o jantar. Nunca mais voltamos.
A comida, agora fria e fedorenta, terá como destino o lixo. Um desperdício diante da fome do mundo, da nossa fome em particular.
Os finais são sempre tristes. Final feliz talvez seja só a morte, porque este acaba de uma vez com toda e qualquer possibilidade de se conviver com outros finais tristes.
Mas ainda assim a morte é um final triste, porque mesmo a vida mais triste de todas, está permeada de momentos que são felizes. Incríveis. Inesquecíveis.
E talvez o amor seja justamente o espaço entre um final triste e outro. O lugar onde a comida ainda está quente e o vinho ainda não virou vinagre. Tudo no ponto e na temperatura certa. Mesa posta e exposta.
E hoje, quando lembro do nosso final triste, lembro dos momentos de amor que foram felizes. Não foram poucos. Eles eram e existem, e insistem em fazer graça, em me fazer sorrir, ainda que seja um sorriso triste.
E vou seguindo em frente, sendo feliz aqui e ali, torcendo para nunca mais ter que viver um final triste, muito embora eu saiba que essa é uma possibilidade que não existe.
Há tantas poesias e tantas memórias, Tantas histórias que fazem o fim Não ter fim.
E eu tinha medo disso. Medo de ser consumido pelo passado, Pelas recordações, Pelos momentos muito mais do que felizes Que vivemos juntos.
Hoje, não mais.
Aprendi tanta coisa, Experimentei tanta coisa, Vivi tanta coisa boa, Cresci tanto a teu lado… Como posso ignorar isso?
O fim foi estranho – Sabemos disso. Foi um fim sem fim, E assim, precisei criar um, E nele você foi abduzida por ETs.
Talvez eles estejam fazendo experimentos E estudando o seu DNA, Mas os ETs gostaram tanto de você – Feito eu – Que decidiram não te devolver. Eu também não devolveria, Confesso.
Talvez você esteja me vendo de onde está, Mas isso não importa. A menos que os ETs tenham lavado sua memória, Sei que lembra das coisas como eu me lembro, E isso que é o importante: Mesmo ausente, ser presente na vida de alguém.
Que os ETs cuidem bem de você. Você merece e sim, eu sei: Você não é mais do meu mundo.
Você precisa fazer login para comentar.