No que pensar
Do que falar
Quando tudo ao redor
Parece não ter sentido,
Ainda que tenha sido sentido?

No que pensar
Do que falar
Quando tudo ao redor
Parece não ter sentido,
Ainda que tenha sido sentido?

Talvez eu fique fora da foto
Ou mesmo do agradecimento no livro
Tudo bem… Não preciso.
Me basta ter sido preciso
Quando tua alma precisava de abrigo.

No café da manhã, enquanto ela lia as notícias e conversávamos sobre elas.
Na hora de dormir, vendo “O mundo visto de cima”.
Sinto falta de tudo que acontecia durante o dia.
Nunca senti uma saudade tão intensa.
Já xinguei Deus por conta disso. Já agradeci a Deus por tudo isso.
Tenho memórias e milhões de histórias.
Tenho sorrisos que aparecem por conta de lembranças. Também tenho lágrimas que aparecem pelo mesmo motivo.
Mas, acima de tudo, sempre muita saudade.
E quero viver com ela mais memórias e milhões de histórias.
Porque se não é pela presença, é pela saudade que eu vivo.

Te olhar nem sempre é com os olhos.
Por vezes, sinto minhas entranhas atiçadas, pois és parte delas.
Por vezes, quando as minhas pálpebras fingem que dormem, lá estás, lá vives.
Nenhuma força é maior do que ti, e por isto acabaste com meu estado de natureza.
És o meu estado meu estado civil, e o céu se faz anil todos os dias, até nos dias que não te vejo.

Presente de Natal?
Ter vivido algo
Digno de sair no jornal
(bem longe da seção policial)

Vinho sem você não tem contexto.

Menino sentado no muro
Vivendo o futuro
Antes que ele aconteça
Os pés descalços
As mãos para o alto
Tentando pegar uma estrela
E agora que virou adulto
É só mais um vulto
Tentando meninar
Revivendo o passado
Antes que desaconteça.

E nas madrugadas
Nunca, nunca frias
Sentiam-se invisíveis e imunes
Protagonistas de seus próprios dias:
Nada, nada temiam
Pois o medo não lhes reconhecia.
E nas vielas quase escuras
Em retas e curvas
Seus corpos queimavam
E se consumiam
Sem nenhum pudor –
Puro resplendor –
Que em seus corpos flamejantes ardia.
Cegavam olhos curiosos
De pregadores –
Pecadores! –
Zelosos tentando manter ao longe
Aqueles que tinham a galhardia
De ser a soma fecunda e profunda
Do estarrecedor desejo que a eles consumia.
Tendo a Lua como única testemunha
Da sua luxúria e devassidão
Não se importavam
Em fazer ouvir aos outros
Os inúmeros
“Eu te amo”
Ditos entre suas peles e almas despidas.

Enquanto você vive sua vida
Como se nada estivesse acontecendo,
Eu vou carregando as dores de nós dois.
E até nisso eu me iludo…
Não há dores de nós dois.
Há só a minha dor
E ela dói muito.

P.S.: Poesia antiga, mas a poesia mais dolorosa e real que já senti em minha vida.