Repare em mim
Em você
Em nós
Na gente
No que você sente
Por conta de existirmos.
.
Não deixe
Para nos sentir
Na saudade
Porque ela ensina e revela
Mas é professora arrastada
Que geralmente chega muito tarde.

Repare em mim
Em você
Em nós
Na gente
No que você sente
Por conta de existirmos.
.
Não deixe
Para nos sentir
Na saudade
Porque ela ensina e revela
Mas é professora arrastada
Que geralmente chega muito tarde.

Talvez te querer um pouco menos.
Não por orgulho ou vaidade,
Mas porque tudo é motivo de saudade,
E quando estou a teu lado,
Já antecipo a dor do soco da despedida,
Que sempre é por demais dorida,
Ainda que seja um simples “Até mais tarde”.
.
Mas fato é que não há como te querer um pouco menos,
E todo e qualquer momento
É tempo de te querer um pouco mais.
Que sentido faz então eu querer
Algo do qual não sou capaz?
.
Queria… –
Será? –
Fato é que depois deste desabafo
Eu te quero ainda mais.

Como podes me odiar
Se não me conheces?
Como podes de mim saber
Sem saber através de mim?
Como podes acreditar
Sem questionar se há crédito?
A vida é feita de escolhas,
De verdades, de mentiras,
Te cegou a tua ira,
Cerrados estão teus ouvidos,
Nosso futuro resumido,
A um passado distorcido,
Que nunca existiu de fato.

Me pediram para falar de cheiro
E falei de você.
Me pediram para falar de gosto
E falei de você.
Me pediram para falar de sei lá o que
E falei de você.
Falo de você
Até quando não me pedem
Para falar de você.
Porque falar de você
É falar de mim.

O mundo desaba
A lágrima cai
A vida continua
E o sorriso não se esvai.

Preciso de alguém que me salve
Dessa mania de amar mais do que devo
Mas mais do que devo ainda hei de amar
Alguém que me salve do que preciso
Como digo que não devo.

Deixo a cargo do mar
Trazer ou levar
Esclarecer ou escancarar
Meus (auto)enganos.

Na ponta dos dedos,
Aquele ponto, aquele momento,
Em que tudo foi posto a perder.
.
Sobraram palavras,
Faltaram ouvidos,
Sobraram medos,
Faltaram decisões.
.
Faz sentido perceber
O que é de fato sentido –
Deveras sentido,
Compartilhado,
Repetido Ad nauseam –
E que não há mais muito
(ou mesmo pouco)
Que se possa fazer.
.
A esperança é um dom
Que eu perdi,
Um dom que mataram,
Que deixaram em mim morrer.

Se algum dia,
Nossas cores deixarem de ser nossas cores,
Todo o mundo ficará cinza.
Irão embora os sabores,
Os cheiros das flores,
Cinza. Tudo cinza.
E do cinza, das nossas cinzas,
Nem lembranças restarão,
Pois o vento há de levá-las
Para um futuro ermo
De onde nunca voltarão.

A vida passa, meu bem.
Passaremos a vida a deixar
A vida simplesmente apressada passar?
