No teu último pensamento Nas costuras da fronha do teu travesseiro Nas dobras do lençol que não rimam com teu corpo Nas pernas que se movem sem saber para onde ir É aí que estou.
Porque o dia pode passar sem mim As risadas podem disfarçar a minha ausência O trabalho pode abafar as nossas indecências A música alta pode abafar os gritos da tua alma Mas é aí que estou.
E não estou aí porque pedi Não estou aí porque quero Estou porque me queres Porque tuas lembranças te inundam E deixam marcas indeléveis nas tuas coxas.
Estou aí.
No mosaico de pensamentos conflitantes Na busca interminável e arfante Por uma droga que possa aplacar O fogo que dança no meio do teu peito E que se renova em tuas fugas incessantes.
Estou aí Continuo aí Nos teus gozos Nas tuas cicatrizes Não obstante.
As lágrimas turvam nossos olhos e prejudicam a nossa visão. É preciso que elas cessem para que se possa ver e entender o que está de fato acontecendo conosco e ao nosso redor.
As pessoas tendem a valorizar o difícil, o improvável, o inatingível. Muitos, inclusive, se apaixonam por esta busca frenética e chamam isso de amor.
Não. O amor não é e nem precisa de nada disso. O amor chega fácil. É claro, objetivo e direto. É óbvio. Não precisa ser convencido. O amor não joga. É leal. É fiel. É recíproco. É respeitoso, íntegro e integral. É correspondido. É leve. Eleva. Faz crescer. E, sobretudo, o amor nunca se coloca ou permite ser colocado em uma posição na qual possa se perder ou mesmo deixar de existir.
Nem por isso dispensa manutenção, claro. Amor é dia a dia. Amor é cotidiano. Amor é no detalhe e no todo. Amor é jornada. Amor é estrada. Amor é pé no chão.
Se for muito complicado, não é amor. É alguma outra coisa que você resolveu chamar de amor para preencher algum vazio. E se você não estiver inteiro, vai chamar qualquer porcaria ou migalha de amor e vai sofrer horrores por conta disso.
É ou não é amor? Só você é capaz de responder essa pergunta.
Lembra daqueles sonhos? Sim! Esses mesmos que você guarda aí dentro faz um tempão…
O que você fez ontem para transformar os seu sonhos em realidade? O que fará hoje? E amanhã?
Não fique apenas nos sonhos! Faça acontecer. Lute para que sua vida não seja apenas um conjunto de lembranças do que poderia ter sido. Até porque não serão só lembranças… Serão lembranças permeadas de amargura.
O dia é hoje! Não perca mais tempo! Siga seus sonhos! E que os problemas do dia-a-dia, do cotidiano, não sirvam como desculpa para que você não viva sua vida em toda sua plenitude.
Nesse momento, não preciso de metáforas, metonímias, catacreses, perífrases… Quero abundantes hipérboles, pleonasmos e anáforas. Quero que as palavras rasguem meu corpo feito navalhas. Quero que jorrem sangrentas obviedades. Quero purgar a realidade. Quero olhar nos olhos da verdade.
Diga-me! Não importa se nascerão deuses ou demônios! Diga-me!
E ainda que eu vire pó, do pó ascenderei ao céu
Não sei se como vítima, juiz ou réu
Meu coração não sabe ficar ao léo
Diga-me! Antes que uma surdez catastrófica me reclame!