Tanta gente com pressa de tudo
E o essencial sendo deixado na calçada
Um dia o vento e a chuva levam
Quem sabe um dia
Não restem nem vestígios do

Tanta gente com pressa de tudo
E o essencial sendo deixado na calçada
Um dia o vento e a chuva levam
Quem sabe um dia
Não restem nem vestígios do

Andando pela rua
Mente distraída
Ausente do mundo
Corpo do avesso
Sinto teu perfume
E respiro fundo…
Continuo vivo
Reconheço
Em casos extremos
Da mais pura saudade
O vento tráz de onde for
O que remete à felicidade
Grande benfeitor
Esse tal vento
Que distrai a saudade
Salva dias
Cura feridas
Enquanto não acontece
O que faz falta
O que não se mata
A todo momento.

Há tempos
Que os ventos
Não conspiravam
Na mesma direção
Há tempos
Que as palavras
Algumas vezes duras
Não caiam como benção
Há tempos
Que os sonhos
Que deixavam sem dormir
Não traziam consolação
Há tempos
Que a saudade
Era desespero
E não consolação
Há tempo
Ainda há muito
Tempo
O tempo do amor
Para nosso contento
Obteve, finalmente
O seu deferimento.

Em silêncio eu espero
Em silêncio, eu espero
E espero na espera
Esperando esperança
No silêncio que impropera
O tempo rasga
O tempo dói
O tempo não cura
Pelo contrário!
Vira do avesso
Eviscera as factíveis
E inesquecíveis lembranças
Do que só tem começo
Ele faz esquecer
Faz esquecer de esquecer
Relembra com intensidade
Cada vez mais tenaz e forte
É legião – e não centúria ou coorte! –
É esforço pra lá de inútil
É desperdício de momentos
É jurar o amor de morte
E assustar-se com sua vingança
Ferindo-nos com um certeiro bote
Do qual não se escapa
Quer seja por prudência ou pura sorte
Mas sei que devo entender –
E ainda assim não entendo! –
Na nossa dor somos vivos
E está por deveras doendo
Mesmo que não saibamos
O futuro acabará sendo
Um desesperado recuperar
De horas……………………
De minutos………………………..
De segundos……………………………….
Que prudentemente ou não
Acabamos perdendo
Que eu esteja errado, então…
Que o vento espalhe
As areias do tempo
E que algum dia
Possamos chamar
Esse aparente – e convincente! –
Desperdício
De um grande investimento
Que não deixou resquícios
E que só criou para o futuro
Uma miríade de melhores momentos
Ainda que, por ora
Nem isso sirva de alento
Só duro e cruel sofrimento.

Teria, vento, como levar
Até ela
As palavras que sussurro?
Faça com que ela
Se arrepie
Sinta calafrios
E que se incomode com
Os murmúrios
Da minha presença
Desenhada em
Seu corpo, sua alma
Em nosso presente
Passado
E futuro.
