Como uma estrela
A me iluminar
Que mesmo depois de morta
Continua a brilhar
Como uma estrela
Que viveu para me guiar
E eu sigo esperando
Você ressuscitar.

Como uma estrela
A me iluminar
Que mesmo depois de morta
Continua a brilhar
Como uma estrela
Que viveu para me guiar
E eu sigo esperando
Você ressuscitar.

Uma coisa que eu aprendi é que para cada pergunta que já fiz sobre a minha vida, antes mesmo da pergunta ter sido formulada, já havia uma resposta. E a resposta estava ali, bem na minha frente, apenas esperando a pergunta correta ou mesmo adequada para emergir.
E pensando sobre isso, me dei conta que já tive medo de fazer certas perguntas por ter medo de me deparar com as suas respostas. Sim, essas mesmas respostas que eu dizia que procurava. A questão é que de fato as dúvidas não existiam. O que existia era um mecanismo de defesa, pois ao não fazer as perguntas eu podia dizer que desconhecia ou mesmo que não sabia das respostas.
Quanta tolice! Quanta imaturidade! Quanto tempo perdido em questionamentos intermináveis, até mesmo quando o óbvio insistia em se fazer presente. Quanta energia desperdiçada! Quantos “socos na parede” apenas para perceber que a parede não se importava com meus socos e permanecia completamente indiferente à dor em minhas mãos, à dor em minha alma, em meu coração. Minha dor e de mais ninguém.
Admitir que eu não sabia lidar com algumas respostas (i.e. a verdade) foi um dos processos mais dolorosos que já tive que enfrentar na minha vida. E até para isso já existia uma resposta:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” – João 8:32
E assim, percebi que talvez eu não quisesse me libertar. Talvez eu apenas quisesse que as coisas não fossem como elas realmente eram. Talvez a esperança de que algo mudasse fosse grande e forte o suficiente para me fazer pensar em esperar até que a resposta mudasse. E muitas vezes eu fiquei esperando, esperando, esperando…
Seria, então, a esperança algo ruim? A esperança paralisante é. Algumas vezes, tudo que precisamos fazer é olhar para Deus e dizer: “Toma! Isso é grande demais para eu resolver!” E assim seguir em frente, na certeza de que as coisas serão como tiverem que ser. O que seria a fé senão isso?
Ainda tenho medo de algumas respostas – que isso fique claro, mas também tenho esperança. Não necessariamente a esperança de que algumas respostas mudem, mas a esperança de que encontrarei em meu caminho meios que me façam ir adiante mesmo diante de respostas com as quais não sei lidar (ainda).
E que assim seja. Eu tenho fé e isso é tudo que eu realmente tenho.

Te amar não é cômodo,
Mas eu te amo uma casa inteira.

O mentiroso (ou a mentirosa) quer, antes de mais nada, ganhar tempo. Sendo a verdade inevitável (ela sempre aparece), a mentira é apenas um adiamento do inexorável banquete das consequências e das atribuições de responsabilidades. O mentiroso (ou a mentirosa) sabe que pode dormir rei e acordar roto. E sim, o universo sempre conspira para que a verdade se restabeleça, e justamente por isso é que os dias de um mentiroso (ou de uma mentirosa) estão sempre contados.
Aproveite enquanto pode, mentiroso (ou mentirosa). É só questão de tempo.

Talvez seja melhor calar-te
Com um pedaço de mim
Ocupa-te
Há trabalhos a fazer
E não aceito
Mal feitos
O pagamento?
Quentes rios:
Invado-te
Conquisto-te
Domino-te
Ocupo-te.

Passei um tempo
Olhando para baixo
Cabeça arriada
Olhos amoados
Sorriso dormente
Peito apertado
Pés no chão
Passei um tempo assim
Tomando coragem
Fazendo cara de paisagem
Com receio de encarar a verdade
Foi um tempo que me dei
Tempo que eu precisava
Para me dar conta
Que o horizonte
Que eu conhecia
Era por mim desconhecido
Eu era uma piada pronta
E de mim só Deus não ria
Salvou-me a fé
E a vida continua
Meus olhos fixos no horizonte
Que ainda hoje desconheço
Mas reconhecer a minha ignorância
Já me parece um grande recomeço.

Olha
Aceita
Encara
Repara!
Repara em quantos dias nós já perdemos
Torcendo para que os dias que já perdemos
Não sejam tão muitos
Repara no que não dissemos
No que não vivemos
No que não mais somos…
Ah, meu amor…
Repara!
Porque a vida não para
Estamos cobertos por escaras
E nossos corações jazem intranquilos.

Eu sou
O que está por detrás
Das portas que não abro
O que não encaro
Nas janelas que embaço
As músicas que não escuto
Os petiscos que não degusto
Os vinhos que não abro
As conversas que não tenho
Os sentimentos que ignoro
E tudo mais que disfarço
Eu estou
Sem sede
Sem fome
Entalado
Mofado
Abismado
Atordoado
Disperso
Possesso
Compresso
Inconfesso
Puto!
E mais nada
Eu estou
O reverso
Eu estou
Ao contrário
E diante
Desse corolário
Eu estou morto
Mas esse óbito –
Valha-me, Deus! –
É temporário.

Todos nós temos histórias tristes para contar, até mesmo os que são felizes. Porque não são as nossas histórias que definem se somos felizes ou não, mas sim como nós contamos (até para nós mesmos) estas histórias.
