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Domingo de inverno

Domingo eu te quero

Domingo eu te tenho

Domingo eu te pego

Domingo não me contenho.

.

Domingo eu te rio

Domingo de ti rios

Domingo de Niterói

Domingo de nós.

.

Domingo

Sempre domingo.

Com mais idade,

Jogaremos bingo.

Mas por ora

No aqui e no agora –

Sem demora –

Existimos e resistimos

Em mais um delicioso domingo.

Niterói/RJ – Brasil

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Germinando

E se as lágrimas forem necessárias para fazer a vida germinar?

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Ainda há tempo

Que eu procure pessoas e esteja em lugares onde a minha presença seja celebrada.

Que eu seja recebido e acolhido com sorrisos, e que eu leve sorrisos por onde eu andar.

Que eu olhe e que me olhem nos olhos, mas não com quaisquer olhos: que seja com os olhos do coração.

Que eu guarde com carinho, ternura e respeito, dentro do meu peito, todos os amores que já não mais são.

Que minhas asas, há tanto tempo guardadas, me elevem para que também se elevem meus pensamentos e desejos.

Nunca é tarde demais para voltar a sonhar viver.

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Sobre Deus

Acordei triste e agitado. Perguntei a Deus os motivos do meu sofrimento. Injustiça, desamor, brutalidade, maldade, abandono. Por quê? Por quê???

E em um lampejo de lucidez, a resposta veio clara na minha mente feito o sol do meio dia.

“Não dizes ser cristão? Não dizes ter fé em Deus e em Nossa Senhora? Dá teu testemunho. Mostra para quem quer que seja que um homem de Deus pode cair 100 vezes apenas para que vejam Deus reergue-lo outras 100.”

Tomei meu café e dei graças. Silêncio.

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Previsão sem tempo

Olhei no fundo de seus olhos –

Olhos que ela me escondia –

E emiti um alerta.

Estado de atenção:

Lágrimas fortes previstas

Para hoje ou para daqui a 3 anos.

Em algum momento,

Será necessário sentir.

Em algum momento,

Será necessário viver.

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Por ocaso

A falta que me fazes?

Sabes bem dela.

Sabes das dores que carrego no peito.

Sabes que arfo por ti todas as manhãs.

Sabes que me sinto inadequado nos lugares.

Sabes que só pego no sono por pura exaustão.

Sabes que procuro teu cheiro no colchão.

.

Mas não é só tu que sabes.

Não é só tu que vês.

.

Há quem ache graça.

Há quem queira a graça de saber.

E disso tu não sabes,

Ou finges não saber.

.

Por ora é teu o tempo e o espaço.

Por ora é teu o meu querer.

Por ora te demoras.

Por ora espero-te até morrer.

.

Mas todo dia renasço e Deus sabe:

Numa dessas dá-se o ocaso,

E o acaso vem a minha porta bater.

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Mimados, muito mimados

Pais são referência. São carinho, cuidado, afeto, atenção. Tudo movido por um dos sentimentos mais nobre que existem: o amor parental.

Pais transmitem valores. São guia e bússola em se tratando do que é certo e do que é errado. São acolhimento e refúgio, mas são também responsáveis pela transmissão de valores e limites através da educação.

No livro “Podres de Mimados”, do psiquiatra Theodore Darlymple, o assunto é abordado de maneira direta a inequívoca.

A obra “argumenta que o excesso de sentimentalismo e a busca por gratificação imediata, especialmente em relação às crianças, estão destruindo a capacidade de discernimento e de reflexão crítica.

O autor critica a tendência de culpar o sistema e a sociedade em vez de assumir a responsabilidade individual, a incapacidade de tolerar a frustração e a busca constante por soluções fáceis.

Dalrymple argumenta que a cultura moderna, especialmente com a influência da mídia e do mundo digital, contribui para essa infantilização e para a dificuldade em lidar com a realidade.”

Fonte: Google Gemini (AI da Google)

Tal percepção coincide com as minhas observações empíricas. Crianças, adolescentes e jovens, sobretudo da Geração Z, se acham “donos do mundo”, porque são infantilizados pelos seus pais, que acreditam cada vez mais que o amor entre pais e filhos é algo transacional. Ou seja, pais e filhos fazem trocas entre si para manter o equilíbrio e uma boa convivência familiar.

Eu me lembro bem de como eram as refeições na minha casa quando eu era criança. Eu comia o que estava na mesa e pronto. Hoje em dia, vemos crianças, adolescentes e jovens agindo de maneira tirânica com o incentivo, consciente ou inconsciente, de seus próprios pais. “Não quer comer isso? Compra o que você quiser na rua.”

E o “afeto transacional” se estende até o infinito. Pais e mães se desdobram para “comprar” o “amor” de seus filhos, quer seja fazendo todas as suas vontades (seja lá quais forem) ou mesmo através do compra direta material. “Toma esse iPhone aqui, meu filho… A gente te ama.”

Por onde andam as frustrações as quais fui submetido?

“Você é muito novo para isso.”

“É o que tem para comer.”

“Isso é assunto entre seu pai e sua mãe.”

“Já te expliquei. É assim e ponto final.”

“Não vai e pronto.”

Nem de longe apoio o uso de violência física (acho abominável), mas pais não serem capazes de dizer não para os filhos ou impor a sua autoridade quando necessário? Como assim? Afinal de contas, quem são os pais e quem são os filhos?

Obviamente, sou favorável a um diálogo amplo entre pais e filhos, mas é preciso que a autoridade dos pais seja o fiel da balança, sob pena de termos (como já temos), toda uma geração que é incapaz de ouvir um não como resposta, o que a faz incapaz de lidar com qualquer tipo de frustração. E pior: é uma geração que se acha no direito de chantagear os pais quando as suas necessidades não são atendidas, o que nos leva de volta ao conceito de “amor transacional”.

Nem de longe escrevo este texto como um teórico ou especialista no assunto, mas escrevo com a autoridade de quem é pai. E escrevo porque quero alertar outros pais sobre a questão, na certeza de que bater de cinto não resolve, mas ser omisso e condescendente também não.

Precisamos criar adultos saudáveis e aptos para os desafios da vida. Precisamos permitir que nossos filhos lidem com as consequências de seus atos e omissões, escolhas e decisões. Precisamos permitir que nossos filhos se frustrem e se acostumem a lidar com isso, sob pena de criarmos adultos inaptos para viver em sociedade e estabelecer relacionamentos saudáveis.

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Sob meu colchão

Tenho pedidos

E entregas,

Perguntas

E respostas,

Dúvidas

E certezas,

Risos

E lágrimas

Guardados sob meu colchão.

.

E durante a noite,

Quando menos espero,

Eles dão o ar de sua graça

E me acordam aflito.

.

Mas a aflição tem diminuído,

E aos poucos

Estou me acostumando a lidar

Com o que me parecia impossível.

.

Outro dia ouvi a nossa música

E peguei o violão.

Arrisquei uns acordes.

Preciso arriscar mais.

Preciso praticar mais.

Preciso viver mais.

Preciso xingar mais.

.

Tenho me arriscado cada vez mais a viver,

Ainda que haja coisas sob meu colchão.

.

Que um dia elas estejam sobre meu colchão.

.

Que um dia elas não estejam mais em meu colchão.

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Basta deixar

Vou te chamar de esperança e te convidar para jantar.

Vou te mandar rosas vermelhas e bombons de licor para acompanhar.

Vou te dar bom dia e o teu dia abençoar.

Vou te ouvir com atenção e teus segredos abraçar.

Vou me aninhar em teus braços e me apaixonar.

E pode acreditar: será de verdade.

É só o teu coração deixar.

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P.S. 54

O que você não está mudando na sua vida, você está escolhendo viver.

(leia novamente)