Avatar de Desconhecido

Tudo é ponte

Teu livro me espreita da cabeceira, enquanto engulo um farto gole de cerveja.

Comemoro as tuas andanças, as tuas idas e vindas, partidas e chegadas. Você em movimento. Eu em movimento a você.

Os lençóis e a cabeceira ainda estão marcados pelo nosso amor. Testemunhas de gozos incansáveis, de confissões doridas. Coisas inesquecíveis. Coisas feitas e ainda por fazer.

Vejo uma calcinha. O cheiro de menta que emana do aromatizador ecoa pelo quarto e abafa uma única lágrima que desce do meu rosto com fúria no maior estilo “Que porra é essa? Cadê você?”

Saudade. Faz menos de uma hora que você se foi. Foi o tempo de eu dirigir da rodoviária até em casa e ser tragado pela tua ausência. Nem a beleza da Baía de Guanabara vista da Ponte Rio Niterói durante a noite foi capaz de tornar o “eu sei que você já volta” mais palatável. Uma situação indigesta é uma situação indigesta. Não há música que me salve disso.

Passei por duas Operações Lei Seca. Não fui parado em nenhuma delas. Eu deveria ter sido preso por andar embriagado de você, completamente atordoado pelo cheiro do teu perfume que mora no meu carro, na minha pele, nos meus sonhos.

Arrisco um Law & Order: SVU na esperança de ver um episódio novo. Por reflexo, tento alcançar teu corpo a meu lado em uma vã tentativa de me abrigar do mundo e ganhar um coçada nas costas. Você não está aqui como estava pela manhã, como esteve até o nosso “vai com Deus”.

Te espero sabendo que te espero por opção, por amor, por tesão, por teimosia, por esperança. “Tudo é rio”, da Carla Madeira. Capítulo 8. Até você voltar, terminarei de ler o livro.

Durma bem durante a viagem.

P.S.: As panelas que ficaram sobre o fogão eu lavo pela manhã. Volta logo. Quero você.

Avatar de Desconhecido

Bolo de nós

O que quer que seja

De morango ou de cereja

Há um pedaço de nós em nós.

Avatar de Desconhecido

Explosão

Desejo que por mim fala

Que me deixa sem voz

Desejo que me consome

Que me fustiga a alma

Desejo que me faz derrubar paredes

Que me faz criar poças

Desejo que me vasculariza

Que me engrandece

Desejo que nunca me esquece

Que tem nome e dona

Vivo em estado de visceral desejo

É fato

Eu reconheço

Eu já sei

Desejo, desejo,

Beijo, vinho

Queijo, beijo

Explodi!

Avatar de Desconhecido

Cúmplices

Todas as vezes que penso no amor, inevitavelmente me vejo pensando em você.

Todas as vezes que penso em você, inevitavelmente me vejo pensando no amor.

Você e o amor são uma coisa só.

São cúmplices!

Associação criminosa!

Me sequestraram sem pedir resgate!

O pior é eu estar gostando deste cativeiro…

Avatar de Desconhecido

Plágio

Tu que és luz da minha luz

Que de mim tudo traduz

Diga-me o que fazer

Com estes versos que nunca escrevi.

Tenho medo da rima que não encontro

Do que já disseram antes de eu ter dito

Fico aflito:

Serão os versos infinitos

Ou é um plágio tudo que sinto?

Sinto que parece ser tudo único

Mas há alguém que já tenha escrito

Sem sentir o mesmo?

Ou será que sou plágio de mim mesmo

Viciado em teu beijo

E só sei falar disso?

Tu que és luz da minha luz

Me traduza em poesias

Pelos teus próprios dedos.

Só assim acreditarei em meus versos

Ainda que todos estes sejam teus.

Avatar de Desconhecido

Eu passarinho

Eu passarinho

Que achou seu ninho

Depois de uma vida inteira a procurar.

Envolva-me em teus silêncios

Como me envolves em teus braços,

Quando fazes o tempo parar.

Acredita em ti mesma

Feito eu acredito em ti,

Porque sem ti

Não há motivos para acreditar.

E ainda que eu não seja

Nada parecido para ti

Entenda-me:

Amo-te porque és o meu tudo isso

E de alguma forma é meu ofício

Em ti me aninhar.

Avatar de Desconhecido

Dias

Escolher-te-ei todos os dias

Até que chegue o fim dos meus dias

Porque quando não estás em meus dias

É como se dias não houvesse.

Avatar de Desconhecido

Vênus e Marte

Amo-te nos teus piores dias

Porque amar-te apenas nos melhores

Não é amar-te

E saiba que por ti serei sempre teu Marte

Para que sejas sempre minha Vênus

Vênus e Marte, Sandro Botticelli, 1483
Avatar de Desconhecido

Destemido

Já tive medo de perdê-la

Até que me dei conta

Que cada dia sem perdê-la

Vale por toda uma vida

Avatar de Desconhecido

Vai que…

Vai que eu vou embora

E jogo nossos sonhos fora

Mesmo sem saber para onde ir?

Vai que eu tomo tento

E dou ouvidos ao vento

Que insiste em me fazer seguir?

Vai que acabam as maçãs

As noites e as manhãs

E eu me vou sem me despedir?

Vai que eu vou,

Vai que eu não fico?

Vale a pena arriscar,

Vale a pena deixar

A pressão chegar ao pico?