Se com o meu nascimento
Inicia-se a implacável
Contagem regressiva
Agressiva
Para minha morte
Valha-me, Deus!
Dá-me um pouco de sorte!
Para que não haja morte em vida
Ainda que seja eterna a vida após a morte.

Se com o meu nascimento
Inicia-se a implacável
Contagem regressiva
Agressiva
Para minha morte
Valha-me, Deus!
Dá-me um pouco de sorte!
Para que não haja morte em vida
Ainda que seja eterna a vida após a morte.

Há noites em que você me chama
E o fogo que arde em seu corpo
Em sua cama
Queira você ou não
Chega até mim
Já respiramos um dentro do outro
Não há limites
Nada de esquisitices
Amor visceral
Que de nós flui
E que nos faz sorrir
E outras coisas mais
Confesso que sinto sua falta
Do seu perfume
Do seu hálito com alucinante
De todos os nossos cheiros
De todos os nossos gostos
Que valem mais que diamantes
Que fluem –
E como fluem! –
E nos afogam
Morremos em nossos braços
Por alguns instantes.
Aliás, você não é mais uma
E por mais tenham existido algumas –
Meu passado eu não renego –
Você é e desde sempre foi
A única de qual não quero
Jamais me despedir
No máximo –
Que fique perfeitamente claro –
Quero com você me despir.

Ousei dizer que da vida já tinha visto de um tudo
Grave erro
Proposital engano
Assisti ao vivo o meu ego em seu enterro
Por crer que tinha visto de um tudo, achei que de tudo já sabia
Quanta ousadia!
Hoje sei que não sei mesmo de um tudo
E talvez de um tudo nem queira saber
A grande verdade é que não me brutalizei com os anos
Não deixei ir a minha inocência
Dói-me quando vejo a dor de alguém
Ainda que em troca eu só receba intolerância
E em cada aprendizado ou reaprendizado
Por mais que as lágrimas jorrem em primeiro plano
No fundo haverá para sempre o meu eu sonhador
Posto que do muito que não sei, sei do amor
E no amor
Eu sei que de um tudo eu amo.

A maior doçura do mel se sente com os ouvidos
Mel…
Mel…
Mel…
Mel aqui…
Mela aqui…
Doçura em favos
De carne e osso.

Por falar demais
Pedi desculpas até pelo que não tinha feito
E por falar demais
Fui condenado até pelo que não fiz
E assim é a justiça do amor:
Sequer cabe recurso
Posto que está sofisticamente em curso
Incondicional e resoluto
Causticante e absoluto
Anacoluto e abrupto
Cerceamento de defesa.

Não fale com o coração
Para quem mal de tá ouvidos
Para quem não escuta
Para quem não tenta ou se ocupa
Em tentar entender
Em tentar sentir
Aquilo que vai muito além das palavras brutas
Até porque
Mesmo sem querer
Um dia o vocabulário do coração se acaba
E mudo
Ele se acostuma
E perde aquela necessidade:
Já não tem mais nada a dizer
E depois disso tudo
Ele se escuta
E recomeça
Lentamente
A bater.

Daqui a 10 anos
Não quero estar onde estou
Onde estive
Quero-me para mim
E somente por mim
Já que sou o maior presente da minha vida
Daqui a 10 anos
Quero ter sentido
E sido muito mais
Posto que a vida é fugaz
E sei que somente depois da morte
Haverá algum tipo de paz
Daqui a 10 anos…
Dez anos?
Dez anos é tempo demais
Melhor deixar logo tudo para trás
E recomeçar hoje
Agora
Sem demora
Já está mais do que na hora
De viver de dentro para fora.

Queria amar-te
Como um cachorro ama seu dono
Só que não me sinto sendo de alguém
E tua vagareza me dá sono
Que fique claro, portanto:
Não fosse a ração que eventualmente tu me dás
Dar-te-ia tão somente meu abandono.

Não lembro
Não digo
Não divido
Não compartilho
Não planejo
Nada faço
Para que te sintas comigo
E ainda assim
Na ilusão de que tenho-te para sempre
Vivo essa vida doente
De ser tão independente
E de fato não estar bem sequer comigo
Não orbitas ao meu derredor
E sim, queres mais de nós
E eu sigo impassível
Querendo que seja inesquecível
O que faço de tudo para tornar perecível
A culpa não é tua, meu amor
Minha alma é muito sofrida
Minha vida muito dorida
E eu aquele sempre debochado sorriso de vida:
Eu não mais te amo.

Deixa eu te contar…
Fui embora querendo ficar
Queria voltar
Sei lá!
Cismei com essa coisa de te amar
Não largo mais o celular
Que grita
Apita
Crepita
Explicita
Esse vício que virou te amar
Mas não é só no celular…
É no corpo
No coração apertado
Nos olhos vidrados
No discurso emocionado
No tesão reprimido
Boca, pescoço
Nuca e ouvidos
Não se trata de castigo
É só essa mania de te amar
Amo
Já aceitei essa parte
Amo
Já aceitei essa parte!
Sendo coisa, vício ou mania
Se reafirma como poesia
Inspira
Desvela fantasias
No teu amor encontrei alforria
Mas no fundo ainda sou escravo
E ainda assim descarto qualquer agravo
Posto que não quero mais minha alma vazia.
