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Das coisas do coração

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Das coisas do coração.

Mas estou vivo,
E por isso deve haver sentido
Tanto no sim como no não.

Mas e toda esta multidão,
Que pula de galho em galho,
Tal como se não houvesse chão?

Disso, não sei, não.

Eu nem sei o motivo,
Muito menos a razão,
Mas confio no meu coração,
E é esta crença que me mantém vivo.

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Mas entenda, meu amor

Não consigo dizer tudo em palavras

E por vezes me perco na urgência de ser compreendido.

Mas entenda, meu amor:

As minhas palavras podem eventualmente me trair,

Mas minhas atitudes jamais te trairão.

Portanto, na dúvida, meu amor,

Repare bem nas minhas atitudes e ações

E também nas minhas reações

Diante das imprevisibilidades da vida.

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Anteparo

Considero uma das poesias mais bonitas que eu já escrevi. Gosto muito, muito desses versos.

Anteparo

Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia

Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar

Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…

A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador

E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus

Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.

Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.

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Lambanças

Premeditei este amor

Acreditei desde criança

Sempre foi meu

E eu já sentia saudades

Antes mesmo de haver lembranças.

E hoje, meu amor

Me lembrei que ainda sou criança

Brincando nos parques teus

Onde tu e eu fazemos lambanças.

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Deus em mim

Queria tuas mãos nos meus cabelos, porque tuas mãos me curam.

Assim também queria as tuas mãos nas minhas costas, porque me seguram.

A vida não é fácil. Não tem sido fácil. E como homem me sinto na obrigação de dizer que está tudo bem.

Mas sabe, amor, nem sempre é assim. Há dias ensolarados, mas também há dias de dor sem fim.

Quando vejo um bem-te-vi, a sensação que tenho é que Deus está me vendo, e sorrio para as possibilidades Dele estar olhando para mim.

Mas sabe, amor, quando te vejo, nos nossos abraços, cafunés e beijos, é aí que mais sinto Deus em mim. Teus toques e bem-te-vis.

Obrigado pelo que nem sabes que fazes. És, como os bem-te-vis, Deus em mim.

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Tudo é ponte

Teu livro me espreita da cabeceira, enquanto engulo um farto gole de cerveja.

Comemoro as tuas andanças, as tuas idas e vindas, partidas e chegadas. Você em movimento. Eu em movimento a você.

Os lençóis e a cabeceira ainda estão marcados pelo nosso amor. Testemunhas de gozos incansáveis, de confissões doridas. Coisas inesquecíveis. Coisas feitas e ainda por fazer.

Vejo uma calcinha. O cheiro de menta que emana do aromatizador ecoa pelo quarto e abafa uma única lágrima que desce do meu rosto com fúria no maior estilo “Que porra é essa? Cadê você?”

Saudade. Faz menos de uma hora que você se foi. Foi o tempo de eu dirigir da rodoviária até em casa e ser tragado pela tua ausência. Nem a beleza da Baía de Guanabara vista da Ponte Rio Niterói durante a noite foi capaz de tornar o “eu sei que você já volta” mais palatável. Uma situação indigesta é uma situação indigesta. Não há música que me salve disso.

Passei por duas Operações Lei Seca. Não fui parado em nenhuma delas. Eu deveria ter sido preso por andar embriagado de você, completamente atordoado pelo cheiro do teu perfume que mora no meu carro, na minha pele, nos meus sonhos.

Arrisco um Law & Order: SVU na esperança de ver um episódio novo. Por reflexo, tento alcançar teu corpo a meu lado em uma vã tentativa de me abrigar do mundo e ganhar um coçada nas costas. Você não está aqui como estava pela manhã, como esteve até o nosso “vai com Deus”.

Te espero sabendo que te espero por opção, por amor, por tesão, por teimosia, por esperança. “Tudo é rio”, da Carla Madeira. Capítulo 8. Até você voltar, terminarei de ler o livro.

Durma bem durante a viagem.

P.S.: As panelas que ficaram sobre o fogão eu lavo pela manhã. Volta logo. Quero você.

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Saturado

Feito oxigênio,

Estás em minhas artérias,

És meu pulmão.

Saturação?

100%.

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Bolo de nós

O que quer que seja

De morango ou de cereja

Há um pedaço de nós em nós.

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Explosão

Desejo que por mim fala

Que me deixa sem voz

Desejo que me consome

Que me fustiga a alma

Desejo que me faz derrubar paredes

Que me faz criar poças

Desejo que me vasculariza

Que me engrandece

Desejo que nunca me esquece

Que tem nome e dona

Vivo em estado de visceral desejo

É fato

Eu reconheço

Eu já sei

Desejo, desejo,

Beijo, vinho

Queijo, beijo

Explodi!

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Cúmplices

Todas as vezes que penso no amor, inevitavelmente me vejo pensando em você.

Todas as vezes que penso em você, inevitavelmente me vejo pensando no amor.

Você e o amor são uma coisa só.

São cúmplices!

Associação criminosa!

Me sequestraram sem pedir resgate!

O pior é eu estar gostando deste cativeiro…