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Diga-me!

Nesse momento, não preciso de metáforas, metonímias, catacreses, perífrases… Quero abundantes hipérboles, pleonasmos e anáforas. Quero que as palavras rasguem meu corpo feito navalhas. Quero que jorrem sangrentas obviedades. Quero purgar a realidade. Quero olhar nos olhos da verdade.

Diga-me! Não importa se nascerão deuses ou demônios! Diga-me!

E ainda que eu vire pó, do pó ascenderei ao céu

Não sei se como vítima, juiz ou réu

Meu coração não sabe ficar ao léo

Diga-me! Antes que uma surdez catastrófica me reclame!

Diga-me! Não espere que eu clame! Diga-me!

Ou não diga… E não direi também.

megafone

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Bendigo-te

Bendigo-te

Ainda que insistas

Que nada que eu diga

Faça sentido ou exista

Bendigo-te

Na tua negação

Nas desculpas mais do que pensadas

Para acalmar tua paralisante (e irritante!!!) razão

Bendigo-te

Por todos os “não sei”

Por todos os “vamos ver”

Por tudo que em ti já revelei

Bendigo-te

E afirmo-te:

Não há coração

Mais moribundo

Do que aquele

Que insiste

Que quase desiste

De fazer circular por teu corpo

A felicidade

Que chegou em tua vida

Não… Não chegou tarde.

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Um lugar qualquer em qualquer lugar

Viajar para um lugar distante, novo

Não de alma; só de corpo

É como rever o que nunca fui visto

E achar novidade no que parecia morto

 

Como turista acidental de mim mesmo

Descobri que até onde a paz parece estar escondida

Também há milagres, cores e sabores:

Um viva para a minha despretensiosa e corriqueira vida!

men greeting sun

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Haja toalhas!

Não sei se sabes…

Mas dizem que quanto mais se corre da chuva

Mais a água insiste em nos molhar

 

Já dizia o ditado popular:

“Quem está na chuva é para se molhar”

 

Que fiques molhada, então

Bem molhada

De maneira alguma irei te enxugar

Pelo contrário

No que depender de mim

Teu corpo inteiro vai molhar-se de pingar

 

Que tu escorras em mim

Gota a gota

Simples assim.

MULHER DA CHUVA

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Sincronicidade

Eu estive nas entranhas do seu corpo

Quis o destino que nossos sonhos

De carne e osso

Se materializassem

E criassem esse grande colosso

 

Do que falo?

Repare no seu corpo enquanto falo

Repare no meu corpo enquanto falo

Não é controlável

Não é domável

É selvageria de dar gosto

 

Como é quando se lembra de mim

E não estou por perto?

Eu sei… Parece loucura

Mas essa sincronicidade

Sem limites

É brutalmente real

Como dentro, assim fora

Assim aflora

Ora lógica difusa

Ora lógica nítida

Ora réu que a todos acusa

 

No lugar de nossos arquétipos

Desejos e sonhos reais

Manifestação de seres racionais

Que descobriram que o descoberto

Não era suficiente, pelo contrário

Os deixava inquietos, boquiabertos

Deliciosamente incertos

Na busca do que transcende ao eu

E os sublima em nós

Quando estamos a sós

Diante de nós mesmos

 

Quem é o comandante desta nau?

Entenda… Não há comando

Esse é o desafio

Estamos à mercê do vento

Eufemismo dos nossos pensamentos

Que se revelam em segredo

Quer seja no início do dia

Quer seja no meio da noite

Sabemos como desenrola-se tal enredo

 

Inapropriadamente perfeitos

Inadvertidamente direitos

Pura e perfeita confissão

Somos tempestade, raio e trovão

Desejo, amor e paixão

Existimos somente na nossa sanidade

Que faz questão absoluta de emergir

Para nos mostrar que nunca

Absolutamente nunca

É tarde para existir.

sincronicidade

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Meu Corvo

Na medida em que a noite passava

Em penúria absoluta de repouso

E que em posição fetal

Meu corpo se confortava

Uma anjo de carne e osso

Tomou-me em seus braços

E despertou-me de mim

Em seus beijos e abraços

 

E diante deste alvoroço

Meu corpo e alma acalmaram-se

Após um dia para lá de insosso

Impávido levantou-se, então

O adormecido colosso

E hasteou sua bandeira

Lembrando-me:

Também ser de carne e osso

 

E desde então

As noites não são mais

Um agonizante estorvo

E você, meu angelical corvo

Resgatou-me do mundo dos mortos

Onde havia pilhas e mais pilhas

De putrefatos corpos

Que morreram na espera

De um anjo redentor

Morreram, de fato

Esperando…..

Esperando……….

Esperando…………….

Por amor.

corvo-do-norte-2-forma-de-corvo

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Vida e Morte

Para alguns

Só há morte

Quando é possível

Achar um corpo

 

Para outros

Só há vida

Quando é possível

Viver como quem não está morto.

reflexao_sobre_a_vida_minha

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Vivendo em poesia

Eu precisava de um motivo para não ir

E de todos, o mais racional escolhi:

Ainda que o corpo fosse, a alma ficaria

E corpo vazio não escreve ou vive em poesia.

abc_poesia

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Pedido ao vento

Teria, vento, como levar

Até ela

As palavras que sussurro?

Faça com que ela

Se arrepie

Sinta calafrios

E que se incomode com

Os murmúrios

Da minha presença

Desenhada em

Seu corpo, sua alma

Em nosso presente

Passado

E futuro.

murmurio

 

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Denominação de Origem Controlada

Era só espumante

Que tocava seus lábios

Escorria pelo seu corpo

Por caminhos inconfessáveis

Que conheço muito…

Muito bem

E enquanto percorria

Esse relevo paradisíaco

Picos, cânions e vales…

Mudava até de nome:

Champagne!

E eu o sorvo

Ora com fúria

Ora com afeto

Até o último gole

Não deixo uma gota na taça

Que nem de longe disfarça

O serviço foi

Completo.

Champagne