me pega
e transforma
meu inverno
em verão
e meu inferno
em paraíso
faz chover granizo
é de ti que preciso
quero risos
e minha língua
perto do teu umbigo

me pega
e transforma
meu inverno
em verão
e meu inferno
em paraíso
faz chover granizo
é de ti que preciso
quero risos
e minha língua
perto do teu umbigo

Seja grato por ser único, insubstituível (sim, você não é descartável), cheio de defeitos e qualidades, na certeza de que quem te ama de verdade, ama você por inteiro.
Você não agradará a todos, mas quem disse que isso é necessário?
Apenas seja quem você é, aproveitando as oportunidades diárias que a vida oferece para o seu autoconhecimento e crescimento.
Se priorize! Invista em você! E seja grato por essa coisa incrível que é viver.
Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos
O tempo passa indiferente
A senhora passeia com o cachorro
A mãe vai buscar o filho na escola
“Mais uma cerveja!”, grita o homem no bar
A neta da vizinha respirou pela última vez
Pedro perdeu o emprego e foi assaltado no mesmo dia
E até o final do ano, não há mais feriados nacionais para emendar
O que vai ser da gente?
Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos
O tempo passa indiferente
(e é nítido que caçoa da gente)
As marcas indeléveis das suas ondas nos rochedos da minha alma mudaram por completo a minha percepção de mundo. Minha vida, que antes parecia plana e suave, hoje é escarpada e imprevisível.
Confesso que ainda travo intensas batalhas internas quando comparo o meu eu antigo com o novo. O antigo, antes de você, parecia mais seguro e previsível. Os dias eram repetições e mais repetições. Pareciam roteiros enlatados, e que (hoje) considero enfadonhos. O novo, o com você, me assusta. Sinto-me em uma espécie de montanha russa sem fim, que me leva de sorrisos esfuziantes até lágrimas de sangue. É tudo visceral. É tudo com um pé no chão enquanto o outro pé flerta com um precipício.
Já pensei em desistir de tudo, e ir de volta para o meu antigo mundo, onde você era apenas um desejo, um tesão, uma ideia, um momento, um instante. Só que já não sei mais voltar. Dentro de mim há esta certeza velada, que volta e meia nego e renego, de que esqueci o caminho de volta propositadamente, na certeza de que cada dia a seu lado desperta em mim sensações, emoções, explosões, amores e paixões que meu eu antigo jamais seria capaz de experimentar.
Tudo com você é diferente. Absolutamente tudo. Do rir ao chorar. Do ouvir ao falar. Do confessar ao desabafar. Do pedir ajuda ao ajudar. Do amar ao odiar. Da briga ao abraço que sela a paz. Da taça de vinho ao beijo na boca. Dos gostos aos cheiros. Da textura da pele até o último fio de cabelo. Das mãos dadas ao passear pelas ruas e avenidas aos orgasmos inundantes e estarrecedores. Do carinhoso beijo de boa noite ao sexo sem barreiras, pudores ou limites, que invade nossa cama diante dos primeiros raios de sol, quando quase todo mundo ainda está dormindo.
E agora, neste exato instante, na medida em que leio releio o que escrevi, me dou conta que este texto é uma espécie de despedida respeitosa de tudo que me preparou para sermos o que somos. O meu eu antigo tinha um propósito, e o responsabilizo diretamente por eu, meu eu de hoje, ter chegado até aqui. Ele se foi e não deixa saudades mas sim uma miríade de possibilidades. Ao seu lado, meu amor, sinto-me parte do infinito.
Vai que eu vou embora
E jogo nossos sonhos fora
Mesmo sem saber para onde ir?
Vai que eu tomo tento
E dou ouvidos ao vento
Que insiste em me fazer seguir?
Vai que acabam as maçãs
As noites e as manhãs
E eu me vou sem me despedir?
Vai que eu vou,
Vai que eu não fico?
Vale a pena arriscar,
Vale a pena deixar
A pressão chegar ao pico?

Repara nos meus olhos.
Não me denunciam?
O meu desejo que explode e inunda
Não faz de mim réu confesso?
Devo pedir perdão
Pelo que quero de novo?
…
A dureza dos meus dias
Só se aplaca em tuas entranhas,
E o gosto e o cheiro das tuas partes nuas
São a verve de todas as minhas fantasias.
…
Declaro-me orgulhosamente culpado
Por não ser na tua vida um santo:
Meu corpo pulsa e esguicha por ti
Verdades táteis e aromáticas
Todo santo dia.
O amor morre. Morre no silêncio. Não há sepultamento e muito menos atestado de óbito. Partes do cadáver ficam pelo chão.
O amor morre nas lonjuras. Não nas distâncias físicas mas nas psíquicas. Nas que só vivem quando há, quando existe amor.
Minha cabeça se apoia na coluna do bar ao lado de minha mesa. Finjo que saboreio a moça que me olha, enquanto gin que está na minha mesa esquenta. Finjo. Um, dois, três segundos… Minutos… Horas. Parece funcionar para a multidão que me olha em fúria: cadê aquela filha da puta que você ama?
Saco do fundo do baú aquele olhar sexy, aquele comentário picante. Ela quer me dar, mas ela não é ela. Ela não tem o gosto e o cheiro de quem eu quero que me afogue. Ela nunca teve do meu caralho a posse. No máximo um “válido por duas horas”. Nada mais.
Dou um trago no cigarro de um amigo. Lembro-me dela em minha cama. Tenho una ereção infinita. Só ela sabia fazer isso com minha pica. Gozar litros. O teto, a parede, o chão. Não vejo nada parecido com ela ao meu redor, e me lembro que ainda que eu não esteja só, dentro dela não estou.
A noite corre solta. Não saio daqui sozinho. Procuro o meu ninho. Aonde você está, cachorra? Me dá seu pescoço! Me deixa rouco de te ouvir gritar.

No café da manhã, enquanto ela lia as notícias e conversávamos sobre elas.
Na hora de dormir, vendo “O mundo visto de cima”.
Sinto falta de tudo que acontecia durante o dia.
Nunca senti uma saudade tão intensa.
Já xinguei Deus por conta disso. Já agradeci a Deus por tudo isso.
Tenho memórias e milhões de histórias.
Tenho sorrisos que aparecem por conta de lembranças. Também tenho lágrimas que aparecem pelo mesmo motivo.
Mas, acima de tudo, sempre muita saudade.
E quero viver com ela mais memórias e milhões de histórias.
Porque se não é pela presença, é pela saudade que eu vivo.

Eu vi a birra da criança
Eu vi a alegria dos bate-bate
Eu vi os escorregadores e os balanços
Eu vi os cachorros rolando na grama
Eu vi o senhor e seus passarinhos
Eu vi as flores e as cutias
Eu vi o casal se beijando ardentemente
Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho
Eu vi o coreto e a igreja matriz
Eu vi o moço que vendia balas e balões
Eu vi o lago e os peixinhos.
E ali, bem ali
Bem no meio daquele campo
Eu revivi a minha infância
Cheio de saudades de quem deste mundo
Já se foi sem mim.

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