Deixo a cargo do mar
Trazer ou levar
Esclarecer ou escancarar
Meus (auto)enganos.

Deixo a cargo do mar
Trazer ou levar
Esclarecer ou escancarar
Meus (auto)enganos.

Olho para o mar
E no horizonte,
Vejo o ir e vir das embarcações.
Não vejo a que eu espero.
Não vejo a que sempre estive a esperar.
.
Olho para o mar novamente.
Desta vez com os olhos marejados.
A saudade escorre pelo meu rosto,
Pelo meu peito, até meus pés,
E me deixa de joelhos.
.
Seguro um punhado de areia
E o deixo escorrer por entre meus dedos.
Sou ampulheta viva
E a minha vida
Por mim está a passar.
.
Olho para o mar mais uma vez.
Quem sabe, talvez?
Entre motivos e porquês,
Há um coração que pulsa alto,
Esperando o amor aportar.

Não quero ir
Só até aonde dá pé
…
Eu quero é me afogar
No teu mar
Te beber
Te brindar
Bem no fundo
Das tuas profundezas
…
Nadar no raso
Na superfície
É tolice
Não é verdadeiramente
Nadar
Do meu orgulho me dispo,
Mas não sem antes fulminar
Com a fúria enlouquecida de meus dentes,
O que com um reles e vadio olhar
Não antes rasguei da tua roupa.
Não percebes que ficaste nua na mesa?
Não percebes que tua calcinha ficou pelo chão?
És o molho e a calda,
A refeição e a sobremesa.
FODA-SE TUDO!
FODAM-SE TODOS!
Fodamos nós…
A sós…
Ou sobre a mesa
Sobrecoxa
Sobre tuas coxas
Sobremaneira!
PORRA!!!
O teu gozo é a ladeira
Para o infinito.
Eu grito!
Eu urro!
Entre nós
Não há muros.
Eu só vivo
E só quero –
Exatamente –
Tudo do que em ti
E em mim mais ainda
Mergulho.

Estou vivo!
Há um calçadão de pedra portuguesa
Chamando por mim lá fora
Há a brisa do mar
Há a água de coco
Há luz do Sol me abraçando
Há amigos para me acompanhar
Há até banho de mar!
Tenho me sentido tão rico
Nessas coisas cotidianas
Tenho doado sorrisos
Beijos e abraços
E só posso dizer que estou extremamente grato.
Um bom dia para todos que sabem, como eu, que a felicidade não pode ser comprada com dinheiro, e que cada dia longe de si mesmo, no emaranhado das tolices do que não é essencial, é um dia perdido.
BOM DIA!!!

Sempre dei muita importância
Às palavras
Aos detalhes
Ao que foi dito
Gravado
Escrito
Reescrito
Prescrito
Proscrito
Até o infinito
Mas não se diz só com palavras:
Palavras sem lastro o vento leva
Feito barco à deriva
Que vagueia
Em direção aos rochedos
Na mais completa falta de perspectiva
Fica, então
O dito pelo não dito
Porque palavras sem atitudes
São feito barco impossível de navegar
Posto que até um porto
Terra firme
É imprescindível chegar.

No calçadão da praia
Olhos nos olhos
Mãos e almas entrelaçadas
Excesso de tudo
Carência de nada
Completude de vida
Na acepção mais viva
Da viva palavra
Beijo sem igual
Abraço transcendental
Todo o resto virou pouco
E virou tudo
O que era pouco mais que o nada
A declaração de amor
A entrega irrestrita
Os sorrisos que declaram
Muito mais do que as bocas falam
E o mar a olhar
O júbilo que nos faz levitar
Nosso amor é a pimenta da terra
Que tempera na medida certa
Que faz rir
E faz chorar
Plenitude do ser
Do viver
Do querer estar.

Eis-me aqui no porto seguro de todas as naus: o fundo do mar.
Ah! Mar…
Sou um náufrago do amar.

Sou um náufrago
Tu és meu mar
Estou a tua inteira mercê
Que tudo decidas para onde me levar
Seja longe ou perto
O destino já é incerto
Sobreviver já seria muito
Viver, então, algo fortuito
Não me resta mais nem esperança
Esta é sempre a primeira que morre
Peço que sejas amável, porém
Enquanto sangue dentro de mim ainda corre
Mas estarei feliz
Se dessa vida eu me for
Partirei deliberadamente afogado
Inundado pelo teu amor.
