Avatar de Desconhecido

Eriçada

Te lembro nua em nossa cama,

Enquanto minha fala jocosa implicava:

“Estás com frio? Estás eriçada!”

A mordida em teus próprios lábios me respondeu sem palavras,

Que eras e querias ferro em brasa,

E que de frio em ti não havia ou cabia absolutamente nada.

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Universal

Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.

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Espelho do banheiro

Me olhei no espelho do banheiro e não te vi a meu lado.
Foi a primeira vez em muito, muito tempo.

Senti uma dor aguda –
Dor de morte.
Nenhuma lágrima –
Estado de choque.

E então me ocorreu que fiz de tudo –
Talvez mais do que devia –
Para evitar este reflexo dorido,
O “nós dois” esquecido,
O caminhar rumo ao desconhecido,
Rumo a outros braços – outro coração.

Agradeci a Deus por tudo.
Somente um obrigado – mudo!
Recordações de todos os tipos –
Paixão, amor, tesão, vício –
E um senso de que nada foi em vão,
Nada mesmo –
Nem as manchas que ficaram no colchão.

Me olhei no espelho do banheiro e não te vi a meu lado.
Foi a primeira vez em muito, muito tempo,
Que eu me vi.

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Reviravolta

Caminho por noites escuras

Sem lua

Sem rumo

Sem porquê

Sem porém.

Caminho porque caminho

E vou sem destino

Esperando chegar

Sabe-se lá onde

E encontrar sei lá quem.

Mas é nessa escuridão

Diante do que sobrou de mim

Que pretendo virar chama

E queimar a língua dos caretas

Que acharam que este era meu fim.

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Será?

Não sei se era uma ilusão,

Mas aquele abraço me trazia verdades.

E é verdade que sinto falta daquele abraço,

Que talvez de uma ilusão não passasse.

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Aprendiz

Me desculpes por aquilo que eu não disse,
Quando te amei, virei para o lado, e adormeci.
Eu diria no dia seguinte,
Da mesma forma de sempre,
Com a mesma vontade de sempre,
Em uma dialeto que só tu serias capaz de entender.

Me desculpes se, no meu cansaço,
Relaxei nos teus braços, triunfante,
Radiante, eufórico, vitorioso,
Sentindo ainda o torpor do nosso gozo,
Teu cheiro em meu corpo,
Meu coração em tuas mãos.

Me desculpes pela minha verdade,
Pela minha ingênua sinceridade,
Por nunca ter te ocultado nada,
Por ser simples, previsível, correto,
Do meu amor estar sempre certo,
Sempre homem, todo teu.

Me desculpes por não ter te traído,
Por em nenhum momento ter te esquecido,
Por te achar a mais linda de todas,
De todas as que eu nunca quis,
E que diziam, me fariam – quem sabe – feliz!
Mas não eram como eras, como sou.

Agora que fostes embora,
Abraço-me a solidão de minhas horas,
Revelando-me aos poucos, sem pressa,
Para o mundo, que com todas as portas abertas,
Me acolheu, me convidou, me escolheu,
Para ser do amor um eterno aprendiz.

bertrand_russel_temer_o_amor_e_temer_a_vida_e_os_que_temem

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Sirius

Há algo no teu sorriso
Que me inquieta,
Que em mim tudo desperta,
Que me fascina.

Há algo na fumaça que sai da tua boca
Que me atravessa,
Que em mim é promessa,
Que me domina.

Há algo no teu corpo riscado
Que me testa,
Que em mim é festa,
Que me desatina.

Há algo em teus cabelos e olhos negros
Que me cativa,
Que a mim desajuiza,
Que me alucina.

Mas acima de tudo,
Há algo em tua alma
Que se traduz em luz,
Que irradia de teus poros,
E que iluminou
Os becos e vielas
Pelos quais já andei,
Sempre contigo por perto
(de alguma forma)
Ou com você em mim.

És uma estrela
De pujante fulgor
Que cintila em meu caminho,
E quando sigo em tua direção –
Estás em toda e qualquer direção –
És a única direção –
Sei que não estou sozinho.

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Mundo mudo

Mundo mudo

Mundo de agora

Me diz pelo vento

Que sopra lá fora

O dizer devido

Para esta hora

Quando foi embora

O aroma floral de outrora

Que exalava de dentro de mim.

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Olhos do coração

O não sempre traz consigo

A esperança de que dias melhores virão,

Pois a vida sempre será farta e bela

Quando vista pelos olhos do coração.

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Inversos

Eis aqui os meus últimos versos para ti: