Ah! Meu amor!
Que bosta!
Eu te amo não basta.
A língua se contorce,
Faltam palavras,
Sobram desejos,
Abraços,
Beijos…
Ah! Meu amor!
Puta que pariu!

Ah! Meu amor!
Que bosta!
Eu te amo não basta.
A língua se contorce,
Faltam palavras,
Sobram desejos,
Abraços,
Beijos…
Ah! Meu amor!
Puta que pariu!

Considero uma das poesias mais bonitas que eu já escrevi. Gosto muito, muito desses versos.
Anteparo
Parece que cresce
Que remexe, que tece
Que cria raízes
Mas é fotografia
De álbum antigo
De melancolia
Só que é tão presente
Que quando ausente
Não deixa nem respirar
E quando presente
Faz o não coerente
Para a razão se ausentar
Talvez seja eterno
O jeito mais que doce
De não falar de amor
De um amor tão calado,
Que berra pecados,
Que urra e canta…
A beleza de amar
O que o torpe destino
Não quis coroar
Pois nem coroa apresenta
E seu cetro só ostenta
Lágrimas de um trovador
E nesse império
De luxúria e mistério
Rego com lágrimas o que plantei
Um sopro de vida
Uma divina rotina
De carinhos não meus
Quem sabe outra chance
Outro dia, outro lance,
Com a sorte desnuda
Feito meu peito rasgado
Pelos lábios molhados
Que eu afirmo: são meus.
Que sirva de aviso –
Não há prejuízo
Em amar até morrer
Pois até no desamparo
O amor é o anteparo
Dos males do eu.
Tenho medos infantis
Coragens imensas
Defeitos singulares
Qualidades intensas
Tudo faz de mim o que sou
…
Tenho uma sensibilidade aguçada
Percebo coisas mesmo sem querer
Não sou capaz de sorrir quando estou triste
Não sou capaz de fingir o que não sei ser
…
E assim, deste jeito ímpar
Disponho-me a ser seu par
Nos piores e nos melhores momentos
Em todas as dimensões do que é amar
…
Nas lágrimas e nas risadas
Nas faxinas e nos pratos por lavar
Nos boletos e nas mancadas
Nos olhos fechados do beijar
…
Por isso beija-me
Porque não estou de passagem
Cheguei para contigo seguir viagem
Rumo a todo e qualquer lugar
A senhora esperava os carros pararem
Para que ela pudesse atravessar a rua.
Tantos carros –
Muitos carros! –
Nenhum deles a sentia.
A pressa deixava todos cegos.
Cegos que viam cabelos brancos,
Dificuldades nos movimentos,
E anos e mais anos e mais anos.
E a senhora ali,
Desnorteada,
Diante da ingratidão do mundo
Que ela mesma ajudou a construir.

As nossas taças de cristal
Uníssonas em Dó
Por favor –
EXIJO –
E nessa exigência
Me regozijo:
NUNCA tenha dó de mim.

Sim, chegamos. Não cheguei até aqui sozinho. Essa aqui é a minha segunda casa, e tive a ajuda de muita gente para chegar até esse número, que apesar de ser só um número, também é bastante emblemático. É parte de mim e da minha vida. Um registro das minhas crenças e das minhas percepções do mundo.
Meu muito obrigado a todos que, de alguma forma, inspiraram, viveram e dividiram comigo os momentos que me fizeram gerar tanta coisa bonita! Algumas tristes, é bem verdade, mas todas sempre cheias de amor e verdade. Não há uma única palavra nesse blog que não tenha sido de fato sentida e de alguma forma vivenciada.
Aos meu leitores/seguidores, um agradecimento especial. O carinho e as inúmeras mensagens que chegam são sempre recebidas com muito entusiasmo e felicidade. Esse blog é de vocês também! Espero que tenha levado e que continue levando palavras de conforto e encorajamento, além de inspirações de todos os tipos. Em última análise, que esse blog seja algo que acrescente alguma coisa na vida de todos vocês.
MUITO OBRIGADO!
P.S.: Esse post é 0 1.001. Rs.

Mesmo não sabendo quem eu era
Deixei de sê-lo
E não mais sendo
Acabei sendo o que eu não era
Mas que de fato eu sou –
Sempre fui
As respostas só surgiram
Quando desisti de buscar por elas
E assim acabei descobrindo que as perguntas
Sequer eram para ser aquelas!
E quando chegou a hora –
Sem pressa ou demora –
Perguntas e respostas se esvaíram
E restou apenas o aqui
O agora
O afinal
Tanto tempo me perdi
Nos excessos
Do passado
Do futuro
Que eu não me via bem ali
Ao alcance de mim
Embora cercado por muros
Que eu mesmo ergui!
E disso tudo fica a lição
Da vida que hoje vivo
Por conta da que antes não vivi:
Em dado momento –
Meu e somente meu momento –
Eu fiz uma escolha
E dela não me arrependi
Eu escolhi –
E todos os dias escolho –
O eu que eu conheci.

Entre tantos parapeitos,
Por que escolheste pousar justo neste?
Justo nestas janelas,
Nas minhas janelas,
Que para mim eram só mais umas janelas –
Entre tantas outras –
De onde eu via o mundo,
E de onde eu não imaginava
Que tu me vias.
Abriste meus olhos –
Sim, as tais janelas –
E enxergou-me por dentro,
Enquanto eu sorria do lado de fora.
Deixei que o fizesse sem pressa –
Mas também sem demora –
Porque eu não saberia descrever
Tudo que dentro de mim ficou
E nunca foi-se embora.
E desde então,
Minhas janelas seguem abertas para o mundo,
Em todo e qualquer segundo,
E de todo e qualquer jeito.
Pois sempre que pousas
No meu parapeito
Convido-te a entrar
Para repousar,
E para te aninhar
Bem dentro –
No centro –
Do meu peito.

É o aperto no coração
Que faz sangrar o que não deveria ser dito
Perguntas sem respostas
Cartas que vão e não voltam
Monólogos compartilhados
Ansiedade que dispara
O que fica para depois
O que nunca é antes
É o breve
O rápido
O descuido
O descaso
A ingratidão
Os pés no chão
Ainda que com asas
É a espera
O aleatório prognóstico
A comida que esfria sobre a mesa
Feito amor que saiu para comprar cigarros
E nunca mais voltou
São as fotos
A presença distante
O gosto do beijo
O vinho e o queijo
A incapacidade de lidar
Com o sim e com o não
É a mão estendida
A promessa não esquecida
A loucura da solidão
O medo do escuro
A esperança de que não tenha sido tudo em vão
Minha ira
Casca de ferida
Mais que dorida
Que não se cura
E que está sempre pronta para virar perdão.

Ele a amava de forma tão absoluta
Que ela nunca o entendeu
É que ela não precisava ser amada assim
E foi o que ele nunca percebeu
Quanto mais profundo o mergulho
Quanto mais alto o vôo
Maiores os riscos
E há quem diante destes fique arisco
Há quem precise de profundidade
Há quem precise de altura
Mas também há quem precise
Simplesmente de nenhuma fartura
Aos olhos dela, ele é um louco
Aos olhos dele, ela também é
Estar no controle ou perder o controle?
Vida alta ou baixa como a maré.
