Não fosse o sol tímido
E a brisa fresca
Lambendo a minha face
Eu nem saberia que é inverno.
…
Porque no meu coração
É sempre verão
E nele habita aquecido
Tudo que me é eterno.

Não fosse o sol tímido
E a brisa fresca
Lambendo a minha face
Eu nem saberia que é inverno.
…
Porque no meu coração
É sempre verão
E nele habita aquecido
Tudo que me é eterno.

Sempre procuro tuas pernas
Quando sinto frio em minhas orelhas.

Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que é daqueles domingos
Em que a presença não dava espaço para a saudade
E quando as mínimas coisas eram o máximo.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que caminhamos na praia
Que tomamos água de coco
E que compramos o pouco que nos faltava.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que conversamos sem pressa
A garrafa de vinho aberta
Festa em nossos corações.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que vimos o jogo juntos
Que tomamos café e comemos bolo
Falando inglês e explodindo em risadas abertas.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Assim como sei que eu te amo.

A causa mortis do amor é sempre a mesma: inanição.

Destoam tuas palavras dos teus atos,
Tuas mórbidas cores escorrem e mancham o teu discurso,
Tua verve é unicamente a tua insanidade,
O prêmio que te busca é a inalcançável amargura.
.
E ainda ousas clamar por piedade,
Para a insensatez das tuas evidentes cisuras,
Mas és náufrago somente na tua loucura,
Que regurgitas em sanhas verborrágicas.
.
Não há perdão e menos ainda piedade,
Para tua absolutamente surreal conduta,
Na prática, carregas a insígnia da mediocridade,
E flertas com o mal com extrema desenvoltura.

Saudei a vida feito um borboleta
Que se liberta de sua crisálida
Por nela não caber mais.
.
Cresci e não foi fácil.
Crescer nunca é fácil.
Crescer pinica e faz chorar.
.
Mas agora, posso voar
E ver lá de cima
Como são pequeninas
As antes coisas grandes da vida
Que em mim também já não cabem mais.
.
Agora, conto com o vento
Estou pelo voo sedento:
Ei de te achar
E voarei até ti
Para do teu néctar degustar.

Fui comprar um queijo bem curado,
E o vendedor me disse: “Foram 6 anos.”
Retruquei assustado: “De cura?”
E ele me disse: “Não, de terapia”.

Para ti, minha filha,
Deixo de herança todas as minhas mazelas.
Que tua alma se consuma feito a minha,
No caldeirão de malfeitos no qual fui marinada e ungida,
Posto que sou sagrada.
Mas que tu entendas, minha filha:
Até os meus malfeitos são perfeitos –
Milimetricamente perfeitos –
Lustrosos e rebuscados ao ponto de mentes menos sagazes os defenderem.
…
Sou teu arquétipo e não admito que diferente de mim sejas.
Sou tua juíza e teu algoz –
Cassei tua voz! –
E projeto em ti tudo que sou,
Que nego,
Que invejo –
Sou pura inveja! –
Que odeio,
Que gostaria de ter sido,
Que nunca fui.
…
Agradeças, minha filha.
E quando pensares em ser diferente,
Bem no fundo da tua mente,
Ouvirás a minhas voz e não te atentarás
Que sou dona do teu inconsciente.
Esta é para ti a minha fiel herança:
Tornei-te esta insegura criança,
Que jamais será capaz de perceber,
Até mesmo quando adulta,
Que és apenas mais uma de minhas infinitas –
E ainda assim narcisicamente perfeitas –
Lambanças.

Nos domingos, as cores são outras.
O verde é da Heineken e da salada com folhas para lá de frescas (com tomate cereja, por favor).
O amarelo é da batata frita, da farofa.
O branco é do arroz (que eu não como, mas que não pode faltar).
O rosa é da carne mal passada, quase ao ponto (ao ponto de alguém reclamar que está “crua”).
O preto é do carvão, que aquece e acolhe, que traz vida.
Mas o vermelho… Este é de paixão, do amor, do desejo, dos sonhos e dos beijos, da vida, do hoje, do ontem e do amanhã.
Um brinde aos domingos!
Nos domingos, além da carne, o fogo a alma queima.

Nada escapa do meu abraço,
Que acolhe antes e pergunta depois.
Porque eu aprendi na vida
Que o abraço precisa ser casa,
Precisa ser lar, feijão com arroz.
Nada escapa do meu abraço,
Porque eu já precisei ser abraçado
E não fui.
