Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

E a gente vai…
Sóbrio ou ébrio
De pé ou de joelhos
Sorrindo ou chorando
Mas a gente vai…
Ir é necessário
Ainda que não seja por opção
Ir faz-se necessário
Em um universo de infinitas possibilidades
É um sinal de gratidão
Pelo que já foi
Pelo que é
Pelo que ainda está por vir.

Que nunca se acabe
O nosso amor que cabe
Em uma casca de noz
E que feito elefante
É gigante
Azucrinante
Bem maior
Do que o universo
Bem maior
Do que nós
O nada nos define
Pois tudo somos
Tudo nos consome
Tudo consumimos
Eis o nosso paradoxo:
Será que realmente existimos?
E desta dúvida sempre rimos
Diante do quão infinitos
Que infinitamente somos.

As horas avançam
E a necessidade encrustrada desperta
E revela planos
Tramóias e enganos
Verdades incompletas
Que não escondem
A porta que deixas aberta
Em teu peito
Durante a noite
Onde me escondo
Deliciosas descobertas
E no teu sussurro desconexo
No teu gemido que sai rouco
Nas marcas que deixas em meu corpo
No teu vigor que me deixa louco
Entrego-me
Renego-me
Nossa unicidade plena
Não é doxa ou paradoxa
É teorema
E nessas sessões de tortura consensual
Reciprocidade arreganhada
Desavergonhada
Toques e retoques
Tudo pleonasticamente abissal
Fazemos-nos homem e mulher
E que seja feito o que o universo quiser
Desse fogo que nos rasga
Nos assa e amassa
Enquanto nos comemos à colher
E a manhã que chega úmida
Fronhas e lençóis
Que escorrem
E que nos fazem lembrar
Que não há melhor prazer na vida
Que por a roupa de cama para lavar.

Por que me chamou e falou comigo? Não sei. Por que respondi? Não sei.
Não chamei. Fui chamado. Você me chamou e nem percebeu. Você me chamou e eu vim.
A vida é assim. Quando há uma conexão de almas, quando há mais do que pode ser visto com os olhos, o mundo se transforma em um lugar mágico e sagrado. Não resta espaço para a dúvida, para o medo. As coisas acontecem simplesmente porque tem que acontecer, e o universo conspira para isso. O universo mostra o caminho, as respostas. Nos surpreende, nos faz ir em frente. O universo é por nós quando estamos em busca de nós mesmos.
Não se surpreenda se as suas necessidades e desejos mais profundos forem atendidos sem que precise sequer verbaliza-los. Há mais, muito mais do que pode ser visto com os olhos. Há o que só pode ser visto e sentido pelo coração.

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – Geraldo Vandré
Frases contraditórias. Muitas vezes se espera para saber. A iluminação pode surgir em um piscar de olhos, mas ela também pode aparecer depois de um tempo. O importante é estarmos em busca do saber.
Acho que a dúvida de muitos é onde encontrar esse saber, que em última análise se transforma em uma grande busca por respostas. Procuramos em livros, em artigos, em amigos e em familiares as respostas para as quais precisamos. Tais respostas costumam variar bastante. Algumas se apresentam contraditórias. Nos esquecemos, entretanto, de perguntar para quem via de regra sabe todas as respostas: nosso eu interior.
Entretanto, isso não é tão simples quanto parece. É preciso que o seu eu interior esteja conectado ao universo e preparado para receber respostas, muitas vezes, completamente diferentes das que esperavamos obter.
O universo tudo sabe. Se o universo te fez chegar até às perguntas, as respostas já existem. Ouça-as. Veja-as. Elas estão em todos os lugares, até mesmo nos mais inusitados.
Mas não… É bem provável que ela não venha na forma de palavras. É bem provável que não seja verbalizada. É bem provável que venha através de sinais.
Sim, sinais! É a música que toca, o pássaro que voa distante, o vento, o barulho das ondas do mar… Contextualize os sinais diante de suas perguntas e pronto. Eis que surgem as suas respostas.
Aceite-as. Receba-as com gratidão. Por mais dolorosas ou difíceis que sejam ou pareçam ser, são as verdadeiras respostas. São as únicas respostas. São a verdade. A verdade que sempre esteve dentro de você e que o universo simplesmente aflorou quando você realmente quis ou estava preparado para encontra-la.
Não tema a verdade. Ela é o único meio de sermos realmente livres. Deixe a verdade te surpreender.

Não se ensina alguém a dirigir em uma Ferrari. De forma análoga, o universo só nos apresenta algo novo e melhor quando estamos preparados para isso. Portanto, é fato que durante nossas vidas, sobretudo na medida em que alcançamos um nível de consciência mais elevado, só conheceremos sensações e sentimentos mais profundos e sublimes depois de gradativas e contínuas experiências, que podem durar dias ou anos. Vai depender do aluno. Vai depender da experiência.
Não há, entretanto, como se falar que o passado não prestou ou não nos serviu. Somos o produto de nossas história, de erros e acertos, que nos levaram a ser o que somos hoje. E se hoje estamos em um nível de consciência mais elevado, é natural que experiências mais adequadas e propícias apareçam.
Dirigir uma Ferrari pode dar medo. É natural. Há muito o que se aprender antes de se ter domínio sobre esta maravilha. Entretanto, como seria se não tivessemos medo? Como seria se nos achassemos completamente aptos a guiar a Ferrari da mesma forma que guiamos um Gol 1000? Sem dúvida alguma, seria o fim da linha. Nos acabaríamos na primeira curva, sendo o carro bom ou não. Estragaríamos uma oportunidade única por não estarmos preparados para ela.
E nessa analogia tosca, por pura falta de alguma idéia melhor, é chave entendermos que o passado, ou seja, nossas experiência anteriores, bem como o medo, tem papel fundamental em nossas vidas. Sem eles, seríamos loucos suicidas. Simples assim.
Que fique claro, entretanto, que nem o nosso passado e nem nosso medo devem ser vistos como limitadores do que podemos e queremos ser. Ter a oportunidade e não aproveita-la é como dizer não para o universo de infinitas possibilidades que se apresenta que se apresenta quando estamos prontos. É como reconhecer que há de fato algo melhor e maior reservado, mas que será sumariamente ignorado, quer seja por capricho, por costume, ou por qualquer outro motivo menos nobre.
Quando a Ferrari aparecer na sua vida, encare-a, sinta-a. Abandone sua zona de conforto. Ela limita por completo a sua capacidade de ser feliz. Não desperdice suas chances.
Se beber, não dirija.

Quando eu era mais novo, por ser muito racional e por todo um histórico familiar que prefiro deixar de fora nesse momento, eu acreditava que a única maneira de ser feliz era controlando tudo. Obviamente, eu não tinha consciência disso, e usava termos alternativos para definir o tal controle. No caso de namoradas, ciúmes. No caso do colégio, perfeccionismo (notas sempre muito altas). E por aí vai…
Acontece que é simplesmente impossível controlar tudo. Não dá! Desde quando é saudável marcar em cima da namorada 24 horas por dia? Desde quando é saudável estudar não pela nota máxima, mas apenas para ter a nota máxima e usá-la como ferramenta de manipulação? “Sabe como é, coordenador… Sou o melhor aluno.”
Na prática, como não é possível controlar tudo, acabamos por criar mecanismos de manipulação dos mais variados tipos. Lidamos com os outros e ao mesmo tempo tentamos anulá-los, de forma que seja inequívoco o poder que exercemos sobre estes. O objetivo é ter e estar SEMPRE no controle.
Bem… Como vocês podem imaginar, a vida acaba ensinando que isso simplesmente não funciona. Pode funcionar no curto prazo, mas com as pessoas ficando mais maduras e espertas, o mundo da manipulação acaba ruindo. Só que você (eu, no caso) é o último a se dar conta disso, e acaba investindo de forma mais pesada ainda em maneiras de controlar o que por natureza é incontrolável: a vida.
O resultado disso? Cansaço, ansiedade, depressão… Uma sensação de impotência incrível que, por bem ou por mal, acaba tirando você (eu) da ilusão de que você é o “Master of Puppets” (sim, referência ao Metallica) e que todos são suas marionetes, cuja única finalidade existencial é satisfazer as suas (minhas) vontades. Cai por terra a ilusão de que outros são objetos secundários, passivos, sem sentimentos, etc.
E aí, dependendo das suas crenças, você acaba procurando caminhos para tentar resolver isso. Livros de autoajuda, psicoterapia, tratamento psiquiátrico, etc. Considero todos estes meios válidos, e acredito que todos podem contribuir de alguma forma. Entretanto, o formalismo da Psicanálise e da Psiquiatria levam vantagem sobre os demais, creio eu. Você não quer cair nas mãos de alguém que escreva um livro dizendo que a única saída para os seus problems é o suicídio, não é mesmo?
E depois de um tempo, você percebe que durante uma vida inteira levou sobre os ombros um peso gigantesco que não precisava levar. A tentativa vã de controle sobre tudo e todos requeria um imenso esforço, ainda que parecesse algo natural, parte da sua vida. E percebe que o que precisa acontecer, de fato acontece. A mulher que tem que ficar na sua vida, fica. Os amigos, idem. Tudo! As tentativas de controle são sumariamente ignoradas pela vida, pelo universo, e apesar do medo que isso possa gerar, não dá para negar as emoções atreladas a essa imprevisibilidade.
A vida como eu a conhecia mudou depois que me dei conta disso. Sofri e sofro quando tenho que sofrer. Sorri e sorrio quando tenho que sorrir. Eu vivo. Eu não controlo. Eu mato no peito o que tiver que vir. E com essa simples mudança, percebi que a vida tinha muito mais para me dar do que eu achava que tinha. É a famosa Lei do Retorno: eu deixo a vida me levar, e a vida me leva (Zeca Pagodinho que o diga). Onde vou parar? Não faço a menor idéia! Entretanto, depois de tomar tanta porrada da vida, descobri que essa é a ÚNICA maneira de viver. Se a vida é infinita em suas possibilidades, é para isso que estou aqui.
Que o universo e a vida conspirem em nosso favor!

Que a saudade não seja dor
Mas uma celebração do privilégio
Da vida permitir que exista em mim
Pedaços generosos da sua existência
Que as lembranças sejam bálsamo
Para um coração para lá de agradecido
Por ter com você compartilhado e vivido
Momentos absolutamente inesquecíveis
Que ausência se torne presença
Mesmo com o muito que já está em mim
Lamento, mas eu sou assim
Não abro mão de quem eu amo
E que o universo conspire
Para que todos os meus restantes dias
Sejam de felicidade e alegria
Quer seja na saudade ou na presença esfuziantes.
