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Além dos limites

Beber vinho a teu lado

É beber-te

Gota por gota,

Lentamente,

Sabendo que há olhos d’água,

Rios e afluentes –

Até oceanos e mares –

Surgindo a minha frente.

E em tempo,

Meu barco levar-te-á

Até os limites –

E além deles –

Paulatinamente.

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A Paródia

Bateu a saudade,

E aquela vontade louca de ouvir tua voz,

Sentir o teu abraço,

O cheiro do teu perfume.

Bateu a saudade,

Feito pássaro que entra pela janela ou pela porta –

Que mantenho abertas -,

Porque não sei como as fechar.

Bateu a saudade.

Trigésima segunda vez só hoje.

Marco em um papel feito comanda de bar.

A conta?

Eu sei que sou eu quem vai pagar.

Trigésima terceira.

Trigésima quarta.

Trigésima quinta.

Trigésima sexta.

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Dos meus diários

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Molheira

Eu estou em casa,

Sentado à mesa,

Esperando você chegar.

As taças, o saca-rolhas,

Aquele vinho que você gosta,

Milhares de risadas,

Queijo parmesão.

Eu estou em casa,

Sentado à mesa,

Meu coração em uma baixela,

Meu sangue na molheira –

Vivo –

Borbulhando.

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Explosão

Desejo que por mim fala

Que me deixa sem voz

Desejo que me consome

Que me fustiga a alma

Desejo que me faz derrubar paredes

Que me faz criar poças

Desejo que me vasculariza

Que me engrandece

Desejo que nunca me esquece

Que tem nome e dona

Vivo em estado de visceral desejo

É fato

Eu reconheço

Eu já sei

Desejo, desejo,

Beijo, vinho

Queijo, beijo

Explodi!

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Pegadas

Olhei para trás e vi minhas pegadas

Algumas um pouco borradas pelo tempo

Outras tantas ainda vivas apesar do tempo.

Pegadas que viraram poças

De sangue, suor

Esperma, lágrimas,

Vinho, saliva.

Cicatrizes

Momentos felizes

Pegadas que não se repetirão mais

Pegadas que nunca serão esquecidas.

Mas o que são estas minhas pegadas

Senão a minha própria vida?

A elas sou apegado

E eu sou desses

Que criam e vivem histórias

E minhas pegadas sempre serão

Ainda que depois da minha morte

A prova de que eu continuo vivo.

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Gata no cio

Sexta-feira 13, vinho e você:

Pudera todo dia eu ter tanto azar assim.

gatoafp

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Sem você

Vinho sem você não tem contexto.

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On the Rocks – Rita Lee

Repost em homenagem à querida Rita Lee. Que Deus a receba em seus braços. Obrigado por tudo! ❤️❤️❤️

Postado originalmente em 2022.

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Hoje é dia de beber tudo sem gelo, até porque está um frio danado em Niterói (sim, 16⁰ é o suficiente para aa pessoas congelaram por aqui).

E assim sendo, nada como ouvir uma musa nacional tocando com músicos do gabarito de Steve Lukather. Absurdo! As guitarras desta música são dele. On the Rocks está sendo sentida na pela hoje. 😉

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Suntuosa

Entendo pouco ou quase nada de espanhol, mas tenho visto nos detalhes da língua labaredas e estampidos que eu desconhecia.

No meu curriculum, nego-me a dizer que tenho espanhol básico ou algo que o valha. Eu não entendo espanhol. Eu sinto. Em nível mais do que avançado, diga-se de passagem.

Tem a ver com os vinhos e com as poesias que há dentro deles. Com os amores intensos que não duram mais que uma noite. Com a aproximação suave de quem chega de repente e fica. Constrói, cativa.

Em espanhol também choro saudades de quem já fui. Foi preciso ser o que não mais sou para que eu fosse o meu agora. Para que as lágrimas que tanto vi refletidas em uma taça de vinho se transformassem em sorrisos. Para que eu pudesse ver além do cristal.

Mas, sobretudo, em espanhol eu te beijo. Em espanhol sou raso e sou fundo. Sou incêndios, furacões e tormentas. O antes, o durante, o fim do mundo.

O espanhol é todas as línguas. A minha, a tua. Língua dos confessionários que são as camas e os quartos. Teus quartos. Tuas entradas. Não há saída.

Teu cabelo negro e avermelhado diante do sol adentra meus vislumbres de Neruda e rasga meu peito. Teu gozo é em braile e arranha meu pescoço, minha alma. Tira-me o chão. Devolve-me tudo.

O espanhol fez e faz isso por mim todos os dias. Estou ouvindo o teu chamado até quando tu não me chamas. Óleo de macadâmias que não saem das minhas mãos bezuntadas de ti que esfrego em minha face. Estou e vivo rúbio.

Ouça minhas palavras com cautela, pois como disse, não sei falar espanhol. Entretanto, bem sei que tu me conheces mais pelo que não digo. Lonjuras entre nós são puro castigo. É real e iminente o perigo.