Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Já dissemos tudo
Já dissemos nada
Já planejamos tudo
Já planejamos nada
E nossa roda gigante
Com aclives e declives
Dignos de um conto de fadas
Navegamos por risos e lágrimas
Nunca dantes defloradas
E entre ervas daninhas
Monstros e espinhos
Nos perdemos no caminho
Mas insistimos nesta telúrica
E epopéica jornada
Dissemos não para o sim
E sim para o não
Acorrentados pelos grilhões amor
Quer seja no prazer ou na dor
Edificamos nossas próprias prisões
Cativos de nossos próprios corações
Somos os sobreviventes
Crentes e carentes
Desse nosso mundo real
Em nada imaginário
Que a felicidade nos alcance
Que tudo seja vida post mortem
E que o medo seja esperança
Que sobre em nós a alegria das crianças
Quer seja nas madrugadas fogosas
Ou em para lá de inesquecíveis prosas
Nosso amor é assim:
Nunca talvez!
Há dias que não
Há dias que sim.

Permita que a alegria e a tristeza invadam seu coração quando necessário. Não fuja destes sentimentos. Sinta-os integralmente e intensamente. Aprenda com eles. Conserte o que pode ser consertado e liberte o que precisa ser libertado. E acima de tudo não perca tempo, pois assim como chegam sem aviso, estes sentimentos também se vão sem avisar.

Não seja refém de si mesmo! Pague o resgate, seja ele qual for, e liberte-se!

Que a saudade não seja dor
Mas uma celebração do privilégio
Da vida permitir que exista em mim
Pedaços generosos da sua existência
Que as lembranças sejam bálsamo
Para um coração para lá de agradecido
Por ter com você compartilhado e vivido
Momentos absolutamente inesquecíveis
Que ausência se torne presença
Mesmo com o muito que já está em mim
Lamento, mas eu sou assim
Não abro mão de quem eu amo
E que o universo conspire
Para que todos os meus restantes dias
Sejam de felicidade e alegria
Quer seja na saudade ou na presença esfuziantes.

A culpa nunca é minha
É da vida
Não é das escolhas que fiz
Ou das que não fiz
É da vida
Não trabalho com o que gosto?
É a vida
Deixei passar meu grande amor?
É a vida
Estou fora de forma?
É a vida
E de fato a vida não se importa
Com o que penso dela
Do que a culpo
Porque ela é, de fato e de direito
A vida
Tão poderosa, maleável
Ao ponto de ser o que eu quero
O que eu permito que ela seja
Mesmo que eu só me dê conta disso
Quando estiver perto do fim
Ou bem longe do começo
E nesse darradeiro momento
Creio que não me servirá de consolo
Ou amenizará meu sofrimento
Culpar a vida pela vida
Que não vivi.
Foi-se
Perdeu-se
A culpa toda é só minha
Faltou avidez
Na minha vida.

Mais uma noite de verão,
De música, alegria e festa,
E eis que, mais do que de repente,
Um sonho, um desejo latente,
Toma conta de mim,
Da minha loucura,
E cura todas as minhas moléstias.
Invade-me uma grande luz,
E no meio de toda a multidão,
Uma grande certeza em meu coração:
Para cada amor que morre,
Um maior ainda nasce,
E seu tamanho fica evidente em minha face,
No sorriso que esbanjo, feito criança.
Ah! dona de minhas esperanças,
Onde estás agora?
Será que a nossa definitiva hora
Ainda está por chegar?
Teu maior dom é fazer com que minha espera
Seja descanso, cor, brilho – quem me dera!
Te ter aqui, agora, afinal.
Não me culpes por perceber
O que não perceberam antes,
Nos teus olhos de diamante,
O valor da minha vida,
E de tudo que eu sempre quis,
Meu Deus, como estou feliz!
Parece que vivo em um conto de fadas.
E a festa continua,
Se estende por além desta noite.
Só quero me livrar do grande açoite,
Que é viver longe das tuas risadas,
Dos teus feitiços, minha fada,
Minha fantasia, meu corpo,
Minha alma, meu destino,
Sem te ter, sou quase nada.
E eu escrevo
Escrevo
Escrevo
Escrevo
Escrevo
Não paro
De fato, não consigo
Não é que eu queira
O poema é meu amigo
Serve-me como alívio e castigo
É que dentro de mim cresce tanto
No riso e no pranto
Na alegria e no desencanto
Que eu simplesmente preciso
Para continuar vivo
De alguém ou algo que me escute
Que simplesmente me escute
Sem entender ou perguntar os motivos
É tudo, é muito
Está nos cheiros
Nos gostos
Nas coisas mais comuns
Nas mais complexas
Quem dera os motivos fossem
Apenas alguns
Mas são infinitos
Aflitos
Desde os mais vulgares
Aos mais eruditos
Não se trata só do que aconteceu
É o agora e o futuro
É o que não vivemos
O que não temos
O que fingimos que não temos
É o que sonhamos
É o que queremos
Lembro-me não só do que fizemos
Mas do que não fizemos também
E as lembranças que não ocorreram –
Que existem, porém –
São o cerne dos nossos assuntos
É que mesmo quando estamos distantes
De fato estamos estamos
Sempre
Realmente juntos
Será possível escrever nossa história
Em 211 poemas ou 711 prosas?
Não foram só doces momentos
Há todo tipo de sentimento
E sinto-te aqui, agora
É assim todo o tempo, ora!
E em nossas risadas
Para lá de animadas
Sequer diferencio
O futuro de outrora!
Não há folhas suficientes para isso
Não é possível tudo isso escrever
Ainda estou na superfície
De tudo que fomos, somos e podemos ser
Não vou nem tentar, então
Que seja um livro aberto
Páginas desordenadas
Rabiscadas
E em branco
Que não saem da memória
Idéias soltas
Idéia fixa
Feitiço
Duelo
Outono
Silêncio
Ato
Intensidade
Realidade nossa
Fica comigo
Tua
Confissão
Brinde
Sim… Tudo isso tem nexo
E nós sabemos disso.

Tudo é transitório
Tudo é mutável
Menos a minha eterna vontade
De distribuir alegria e felicidade
Porque isso fica com as pessoas
É o presente maior que posso dar
Não se compra, não se vende
E deixo pegarem a vontade
Sempre que posso, mais do que gosto
De deixar lembranças boas para as pessoas
É uma maneira de me fazer eterno para elas
Eu tenho essa singela necessidade
Porque o bem que fiz
A alegria e a felicidade que causei
Fazem de mim pura alegria e felicidade
E assim torno-me um ponto de luz na estrada da eternidade.
