Do meu orgulho me dispo,
Mas não sem antes fulminar
Com a fúria enlouquecida de meus dentes,
O que com um reles e vadio olhar
Não antes rasguei da tua roupa.
Não percebes que ficaste nua na mesa?
Não percebes que tua calcinha ficou pelo chão?
És o molho e a calda,
A refeição e a sobremesa.
FODA-SE TUDO!
FODAM-SE TODOS!
Fodamos nós…
A sós…
Ou sobre a mesa
Sobrecoxa
Sobre tuas coxas
Sobremaneira!
PORRA!!!
O teu gozo é a ladeira
Para o infinito.
Eu grito!
Eu urro!
Entre nós
Não há muros.
Eu só vivo
E só quero –
Exatamente –
Tudo do que em ti
E em mim mais ainda
Mergulho.
Na ausência de palavras articuladas, No silêncio sepulcral que não é meu, Mas que me invade e me domina, Arde-me e consome-me, Tudo cabe, Tudo é, Tudo existe.
Não tenho medo de silêncios, Mas tenho pavor a tudo que eles dizem, Porque nunca sei se o que eles dizem É o que de fato estão a me dizer.
Silêncios não me matam, Mas silêncios me torturam.
E eu permaneço em silêncio, No opróbrio do nada ignorar, E do nada, do absolutamente nada, – Posto que o silêncio é o nada – Nada saber.
Sou um cara do bem. Se você deixar claro para mim que não me quer por perto, eu nao estarei por perto. Não vou forçar a barra. Simples assim.
Talvez eu esbarre em você pela rua ou clique em algo que eu nao deveria clicar na Internet. Faz parte. Não foi por querer. Talvez tenha sido um acidente, curiosidade, obra do destino, ou algo assim. Acontece. Talvez aconteça mais de uma vez. Não sei.
Não crie expectativas tendo como base estes pontos fora da curva. Se você me conhece pelo menos um pouco, sabe o que penso da vida e que sempre acreditei que o único caminho possivel entre duas pessoas é uma reta, ou seja, um diálogo aberto e franco. Nada de estratagemas. Não os uso.
Siga e seu caminho e releve estas bobagens. O que quer que eu tinha para falar para você, com certeza eu já falei (a menos que você tenha se negado a me ouvir, e aí eu não posso fazer nada). Caso tenha algo a me dizer, entretanto, aí já é outra questão. Neste caso, serei educado e todo ouvidos como sempre fui.
Não será você quem determinará a minha maneira de agir. Eu sou sempre assim. Você me conhece e sabe diso. O nome disso não é maturidade; é sanidade. Sob toda e qualquer circunstância, a vida continua.
Me perdoes por não olhar-te Como se fosses o prato do dia.
A minha fome não é de comida: Eu preciso alimentar meu coração Dar de comer a minha alma E nada disso se dá Em uma só refeição.
Somos incompatíveis Não porque nos falte afinidade – Que mais do que há, diga-se de passagem – Mas porque o que tens para me oferecer É justamente o que não preciso E o que tenho para te oferecer Soa-te como completa falta de juízo.
Não é uma crítica – Que fique claro – São duas almas buscando um caminho Que vamos seguir como se entre nós Nada tivesse acontecido Até – quem sabe? – tudo acontecer de novo E de novo, e de novo, e de novo, e de novo…
Não preciso de ti para nada E sei que não precisas de mim para nada também.
Somos despretensiosamente voluntários Das longas conversas, Das longas caminhadas, Dos longos abraços, Dos longos beijos, Dos corpos em chamas, Das nossas almas em chamas também.
Sei que tens receio de dizer: “Eu te amo”, E eu tenho também.
Mas se houver verdade nisso, Diante de todos os indícios, Saiba apenas que eu também.
Descobri que és diferente Quando tocaste nas feridas Da minha alma e do meu coração Sem perguntar se as lesões Foram autoinfligidas
Sim… A insistência A carência A teimosia A imaturidade A inocência A vaidade A arrogância O apego O desespero O desamor O pânico O medo A raiva A humilhação A solidão
Eu me feri Eu me machuquei Tudo doeu Muito sangrou
Eu me crucifiquei E nem mesmo de mim me salvei E agora eu sei: Dor não se cura com mais dor.
Descobri que és diferente Porque me mostraste Que posso lamber minhas feridas E seguir em frente Fazer diferente Porque és diferente E diferente – Agora que me lembro Do que eu já fui – Eu também já sou.
Eu me perdoo Eu me abraço E por isso eu sigo em frente.
Longe das palavras, Longe das poesias, Senti na minha boca O cheiro Que somente a ti Pertencia.
Não me dei conta Naquele momento, Naquele lugar, Que as águas Que eu estava A navegar Eram de fato De outra fantasia.
Até que ela me perguntou Se dela eu no futuro Me lembraria, E foi aí que me lembrei De que para ti Também disse Que não me esqueceria.
E na inocente sinceridade Que a ti eu devia Calei a sua boca Como pude Sem qualquer pudor, Inibição, Ou hipocrisia.
Talvez eu a ela Ainda responda Não hoje – Defintivamente não hoje – Posto que o seu mel Da minha boca Ainda escorria Quando fui-me embora Prometendo voltar Amanhã Ou qualquer outro dia.
Entre o esquecer E o lembrar, Minha boca Permaneceu calada, Mas chocou-me Não ser mais teu O cheiro que Inebriava minha alma E somente de ti Verdadeiramente resplandecia.