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Crescimento

Chegou rouca
Ficou louca
Calei sua boca
Com o que entre nós cresceu

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Vênus e Marte

Amo-te nos teus piores dias

Porque amar-te apenas nos melhores

Não é amar-te

E saiba que por ti serei sempre teu Marte

Para que sejas sempre minha Vênus

Vênus e Marte, Sandro Botticelli, 1483
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Atemporal

Jamais pense que tenho tempo de sobra.

Tempo de sobra é algo que ninguém tem.

Nascemos para morrer e isso é inexorável.

Por isso, entenda que você é uma prioridade na minha.

Escolhi você e escolho você todos os dias.

É assim que decidi viver o que ainda me resta de tempo.

Quero viver você até o fim do meu tempo.

É você quem dá sentido ao meu tempo.

Até o fim.

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Revelação

Quero beijar a tua boca que não fala,

Mas que tudo revela.

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Açoite

Quando a noite chega, chega também o açoite

Chega a saudade que mato no álcool

Chega nos canais de TV que evito ver

Chega no desejo que nego

Chega no saber que estás sei lá onde

Quando o dia chega, chega também o açoite

Mais uma noite que passei sem ti

Meu corpo sem teu cheiro

Os lençóis arrumados e ilesos

Mais um café sem gosto

Queria eu ter o poder de voltar no tempo

Para refazer ou reescrever o momento

Que confesso, desconheço

Em que nos perdemos um do outro

Queria eu ter o poder avançar o tempo

Até viver ou sentir por um momento

Que te esqueci e não me lembro

Que não sei viver sem ti

Açoite

Noite e dia

Dia e noite

Açoite

Açoite

Açoite

Açoite

Açoite

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Destemido

Já tive medo de perdê-la

Até que me dei conta

Que cada dia sem perdê-la

Vale por toda uma vida

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Aleatoridades

Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos

O tempo passa indiferente

A senhora passeia com o cachorro
A mãe vai buscar o filho na escola
“Mais uma cerveja!”, grita o homem no bar
A neta da vizinha respirou pela última vez
Pedro perdeu o emprego e foi assaltado no mesmo dia
E até o final do ano, não há mais feriados nacionais para emendar

O que vai ser da gente?

Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos

O tempo passa indiferente
(e é nítido que caçoa da gente)

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Vai que…

Vai que eu vou embora

E jogo nossos sonhos fora

Mesmo sem saber para onde ir?

Vai que eu tomo tento

E dou ouvidos ao vento

Que insiste em me fazer seguir?

Vai que acabam as maçãs

As noites e as manhãs

E eu me vou sem me despedir?

Vai que eu vou,

Vai que eu não fico?

Vale a pena arriscar,

Vale a pena deixar

A pressão chegar ao pico?

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Todo santo dia

Repara nos meus olhos.

Não me denunciam?

O meu desejo que explode e inunda

Não faz de mim réu confesso?

Devo pedir perdão

Pelo que quero de novo?

A dureza dos meus dias

Só se aplaca em tuas entranhas,

E o gosto e o cheiro das tuas partes nuas

São a verve de todas as minhas fantasias.

Declaro-me orgulhosamente culpado

Por não ser na tua vida um santo:

Meu corpo pulsa e esguicha por ti

Verdades táteis e aromáticas

Todo santo dia.

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Qualquer lugar

Tenho medos infantis

Coragens imensas

Defeitos singulares

Qualidades intensas

Tudo faz de mim o que sou

Tenho uma sensibilidade aguçada

Percebo coisas mesmo sem querer

Não sou capaz de sorrir quando estou triste

Não sou capaz de fingir o que não sei ser

E assim, deste jeito ímpar

Disponho-me a ser seu par

Nos piores e nos melhores momentos

Em todas as dimensões do que é amar

Nas lágrimas e nas risadas

Nas faxinas e nos pratos por lavar

Nos boletos e nas mancadas

Nos olhos fechados do beijar

Por isso beija-me

Porque não estou de passagem

Cheguei para contigo seguir viagem

Rumo a todo e qualquer lugar