Já tive medo de perdê-la
Até que me dei conta
Que cada dia sem perdê-la
Vale por toda uma vida
Já tive medo de perdê-la
Até que me dei conta
Que cada dia sem perdê-la
Vale por toda uma vida
Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos
O tempo passa indiferente
A senhora passeia com o cachorro
A mãe vai buscar o filho na escola
“Mais uma cerveja!”, grita o homem no bar
A neta da vizinha respirou pela última vez
Pedro perdeu o emprego e foi assaltado no mesmo dia
E até o final do ano, não há mais feriados nacionais para emendar
O que vai ser da gente?
Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos
O tempo passa indiferente
(e é nítido que caçoa da gente)
Vai que eu vou embora
E jogo nossos sonhos fora
Mesmo sem saber para onde ir?
Vai que eu tomo tento
E dou ouvidos ao vento
Que insiste em me fazer seguir?
Vai que acabam as maçãs
As noites e as manhãs
E eu me vou sem me despedir?
Vai que eu vou,
Vai que eu não fico?
Vale a pena arriscar,
Vale a pena deixar
A pressão chegar ao pico?

Repara nos meus olhos.
Não me denunciam?
O meu desejo que explode e inunda
Não faz de mim réu confesso?
Devo pedir perdão
Pelo que quero de novo?
…
A dureza dos meus dias
Só se aplaca em tuas entranhas,
E o gosto e o cheiro das tuas partes nuas
São a verve de todas as minhas fantasias.
…
Declaro-me orgulhosamente culpado
Por não ser na tua vida um santo:
Meu corpo pulsa e esguicha por ti
Verdades táteis e aromáticas
Todo santo dia.
Tenho medos infantis
Coragens imensas
Defeitos singulares
Qualidades intensas
Tudo faz de mim o que sou
…
Tenho uma sensibilidade aguçada
Percebo coisas mesmo sem querer
Não sou capaz de sorrir quando estou triste
Não sou capaz de fingir o que não sei ser
…
E assim, deste jeito ímpar
Disponho-me a ser seu par
Nos piores e nos melhores momentos
Em todas as dimensões do que é amar
…
Nas lágrimas e nas risadas
Nas faxinas e nos pratos por lavar
Nos boletos e nas mancadas
Nos olhos fechados do beijar
…
Por isso beija-me
Porque não estou de passagem
Cheguei para contigo seguir viagem
Rumo a todo e qualquer lugar
A multidão fazia o que sabia:
Acusava
Julgava
Apedrejava
Matava
E ria!
…
E depois ia embora
A moral e os bons costumes
Defendidos no meio da via
…
Crueldade
Maldade
Hipocrisia
Ficou o perfume
A cama por fazer
Um vinho avinagrado
A vida por acontecer
…
E o amanhecer
Antes terno e doce
Agora um coice
Amargo feito fel
…
Quem sabe um dia
Por pura ironia
A vida nos mostre
Como a vida deveria ser
Me negue teus beijos
Me puna por me amar
Reclame da tua vulnerabilidade
Da tua fragilidade
Do teu coração descompassado
Das tuas pernas trêmulas
Do teu desejo que tudo queima
Quando teus lábios
Encontram os meus
…
Me negue teus beijos:
Negue-se
Não quero ir
Só até aonde dá pé
…
Eu quero é me afogar
No teu mar
Te beber
Te brindar
Bem no fundo
Das tuas profundezas
…
Nadar no raso
Na superfície
É tolice
Não é verdadeiramente
Nadar
Me mostra aquelas poesias
Que você escrevia
Quando o nosso amor
Escorria pelos seus dedos
…
Me fala do tempo
Em que éramos três:
Nós
Você e eu
…
Me fala das fotografias
Onde tudo que a gente queria
Era perpetuar
Todo e qualquer instante
…
E hoje, que tudo temos
Que tudo podemos
Me fala do nosso amor
Como se não fosse algo distante