Repare em mim
Em você
Em nós
Na gente
No que você sente
Por conta de existirmos.
.
Não deixe
Para nos sentir
Na saudade
Porque ela ensina e revela
Mas é professora arrastada
Que geralmente chega muito tarde.

Repare em mim
Em você
Em nós
Na gente
No que você sente
Por conta de existirmos.
.
Não deixe
Para nos sentir
Na saudade
Porque ela ensina e revela
Mas é professora arrastada
Que geralmente chega muito tarde.

Talvez te querer um pouco menos.
Não por orgulho ou vaidade,
Mas porque tudo é motivo de saudade,
E quando estou a teu lado,
Já antecipo a dor do soco da despedida,
Que sempre é por demais dorida,
Ainda que seja um simples “Até mais tarde”.
.
Mas fato é que não há como te querer um pouco menos,
E todo e qualquer momento
É tempo de te querer um pouco mais.
Que sentido faz então eu querer
Algo do qual não sou capaz?
.
Queria… –
Será? –
Fato é que depois deste desabafo
Eu te quero ainda mais.

A frase nem sempre precisa ser dita.
Ela existe e insiste em se fazer presente
Nos atitudes e nos simples gestos que se mostram amiúde.
.
A frase escancara e soleniza sem pompa
O que já foi dito no toque corriqueiro,
No desejo que se esvai líquido e infinito,
Tangenciando as curvas cirúrgicas do tempo,
Rumo ao início de tudo que desde sempre deveria ter sido.
.
Não é sobre dizer eu te amo:
É sobre o rio que busca o mar
E sempre, de olhos cerrados, o encontra.
.
Em nosso leito,
Não resta pedra sobre pedra,
Seixo sobre seixo.
Só queixo sobre queixo,
Só eu e você.
.
E para não deixar dúvidas, mais uma vez,
Insisto na frase que nem sempre precisa ser dita –
E que de mim grita:
Eu para sempre te amo.

Eu sei que é segunda-feira
Mas todo o meu desejo
Toda falta que me fazes
Tudo que em mim queima e arde
Jaz vivo a meus pés:
Caminho em brasas.
.
Não há nada que possas me dizer
Nesta comum segunda-feira
Que acalme a serpente
Que trafega em minhas veias
E me traz extra sístoles:
Quero inocular-te.
.
Comigo estou em guerra
E isto é um fato
Uma parte de mim vive de lembranças
A outra vive a espera das tuas cheganças
E por um acaso é segunda-feira
Mas assim é todos os dias da semana.

Olho para o mar
E no horizonte,
Vejo o ir e vir das embarcações.
Não vejo a que eu espero.
Não vejo a que sempre estive a esperar.
.
Olho para o mar novamente.
Desta vez com os olhos marejados.
A saudade escorre pelo meu rosto,
Pelo meu peito, até meus pés,
E me deixa de joelhos.
.
Seguro um punhado de areia
E o deixo escorrer por entre meus dedos.
Sou ampulheta viva
E a minha vida
Por mim está a passar.
.
Olho para o mar mais uma vez.
Quem sabe, talvez?
Entre motivos e porquês,
Há um coração que pulsa alto,
Esperando o amor aportar.

Lembro de tudo:
Do adeus mudo
Do argumento surdo
Do pedido
“Fica…”
Porque sem ti
Não tenho para onde ir
E nem para onde voltar.
.
Até hoje
Nas noites mais escuras
Onde o travesseiro é clausura
Ouço teus passos
Sinto teu peso a meu lado
Invisível corpo –
Estupenda alma –
Que pesa a meu lado
Em meu colchão.
.
Pedi a Deus
Que me desse o amor –
Não um qualquer amor –
E Deus me levou
De encontro a ti.
.
Pedi a Deus
Que me desse sentido
E eu fui ouvido
No teu “eu te amo”
No teu “adeus”
Que me deixou sem mim.
.
Mas ainda há de chegar
A primavera
E as poesias do
“Quem me dera”
Se transformarão
Em preces de gratidão
Pelo adeus que em mim
Nunca foi
Nunca partiu.
.
E tudo isso
Será para nós alicerce –
Inequívoca prece –
Do que sempre fomos
E de tudo que ainda somos
No porvir.
.
De ti
Nunca me esqueci
E sei que em ti
Há um pedaço de mim.

Ah! Meu amor!
Que bosta!
Eu te amo não basta.
A língua se contorce,
Faltam palavras,
Sobram desejos,
Abraços,
Beijos…
Ah! Meu amor!
Puta que pariu!

Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que é daqueles domingos
Em que a presença não dava espaço para a saudade
E quando as mínimas coisas eram o máximo.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que caminhamos na praia
Que tomamos água de coco
E que compramos o pouco que nos faltava.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que conversamos sem pressa
A garrafa de vinho aberta
Festa em nossos corações.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que vimos o jogo juntos
Que tomamos café e comemos bolo
Falando inglês e explodindo em risadas abertas.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Assim como sei que eu te amo.

A saudade não respeita nada e nem ninguém.
Não respeita momento, lugar, tempo, distância.
A saudade é implacável.
Transforma um vinho na geladeira em uma noite de amor sem fim,
Transforma uma escova de dentes deixada para trás em uma série no Netflix ainda por terminar,
Transforma o estar sentado em um antigo restaurante na materialização de presença física, feito quem espera o outro voltar do banheiro,
Transforma uma praia em uma sessão de fotos com voz, cheiro, gosto, toques, cabelos, sorrisos, gemidos, planos, anos, vidas, filhos, viagem, carro, unhas, aliança, aeroporto, rodoviária, almoço de domingo, café, mel, mamão, salada de frutas, ovos mexidos, pão.
A saudade não é o amor que fica.
É muitas vezes a vontade de não ter conhecido, de não ter vivido, de não amar como nunca se amou na vida, como ainda desesperadamente se ama.
A saudade é a tortura e a alucinação de quem ama e repousa em uma cama que não deixa dormir.
É o chamado incessante e silencioso de quem deixa o corpo e a alma em chamas.
Eu sou um incêndio vivo.
