Ah! Meu amor!
Que bosta!
Eu te amo não basta.
A língua se contorce,
Faltam palavras,
Sobram desejos,
Abraços,
Beijos…
Ah! Meu amor!
Puta que pariu!

Ah! Meu amor!
Que bosta!
Eu te amo não basta.
A língua se contorce,
Faltam palavras,
Sobram desejos,
Abraços,
Beijos…
Ah! Meu amor!
Puta que pariu!

Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que é daqueles domingos
Em que a presença não dava espaço para a saudade
E quando as mínimas coisas eram o máximo.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que caminhamos na praia
Que tomamos água de coco
E que compramos o pouco que nos faltava.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que conversamos sem pressa
A garrafa de vinho aberta
Festa em nossos corações.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Mas faz de conta que vimos o jogo juntos
Que tomamos café e comemos bolo
Falando inglês e explodindo em risadas abertas.
.
Faz de conta que é domingo –
E eu sei que hoje é domingo –
Assim como sei que eu te amo.

A saudade não respeita nada e nem ninguém.
Não respeita momento, lugar, tempo, distância.
A saudade é implacável.
Transforma um vinho na geladeira em uma noite de amor sem fim,
Transforma uma escova de dentes deixada para trás em uma série no Netflix ainda por terminar,
Transforma o estar sentado em um antigo restaurante na materialização de presença física, feito quem espera o outro voltar do banheiro,
Transforma uma praia em uma sessão de fotos com voz, cheiro, gosto, toques, cabelos, sorrisos, gemidos, planos, anos, vidas, filhos, viagem, carro, unhas, aliança, aeroporto, rodoviária, almoço de domingo, café, mel, mamão, salada de frutas, ovos mexidos, pão.
A saudade não é o amor que fica.
É muitas vezes a vontade de não ter conhecido, de não ter vivido, de não amar como nunca se amou antes, como ainda desesperadamente se ama.
A saudade é a tortura e a alucinação de quem ama e repousa em uma cama que não deixa dormir.
É o chamado incessante e silencioso que deixa o corpo e a alma em chamas.
Eu sou um incêndio vivo.

O desejo incontrolável de torcer pelo sucesso do outro, independentemente da distância e das saudades.
O desapego, o fim da vaidade, o aplauso do ego.
Ser lembrança e guardar na lembrança com carinho todos os detalhes, todos os momentos, todos os cheiros, todos os gostos, todos os tudos que não cabem em nenhum vocabulário.
Abandonar a raiva, abraçar a despedida como amiga, chorar cada lágrima dorida com dignidade, tal como tributo ao próprio amor.
Agradecer a Deus pelos momentos, pelas oportunidades, pelo crescimento.
Amar é, acima de tudo, aceitar o infortúnio como dádiva.
E eu te amo. E te amarei por toda a eternidade.
Meu amor de ti independe e esta é a essência do próprio amor que veio em mim morar.

Vou sair um pouco.
Vou até um lugar diferente.
Sei lá…
Qualquer lugar,
Onde o simples fato de eu lá estar,
Não me faça lembrar da gente.

Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.


Teu livro me espreita da cabeceira, enquanto engulo um farto gole de cerveja.
Comemoro as tuas andanças, as tuas idas e vindas, partidas e chegadas. Você em movimento. Eu em movimento a você.
Os lençóis e a cabeceira ainda estão marcados pelo nosso amor. Testemunhas de gozos incansáveis, de confissões doridas. Coisas inesquecíveis. Coisas feitas e ainda por fazer.
Vejo uma calcinha. O cheiro de menta que emana do aromatizador ecoa pelo quarto e abafa uma única lágrima que desce do meu rosto com fúria no maior estilo “Que porra é essa? Cadê você?”
Saudade. Faz menos de uma hora que você se foi. Foi o tempo de eu dirigir da rodoviária até em casa e ser tragado pela tua ausência. Nem a beleza da Baía de Guanabara vista da Ponte Rio Niterói durante a noite foi capaz de tornar o “eu sei que você já volta” mais palatável. Uma situação indigesta é uma situação indigesta. Não há música que me salve disso.
Passei por duas Operações Lei Seca. Não fui parado em nenhuma delas. Eu deveria ter sido preso por andar embriagado de você, completamente atordoado pelo cheiro do teu perfume que mora no meu carro, na minha pele, nos meus sonhos.
Arrisco um Law & Order: SVU na esperança de ver um episódio novo. Por reflexo, tento alcançar teu corpo a meu lado em uma vã tentativa de me abrigar do mundo e ganhar um coçada nas costas. Você não está aqui como estava pela manhã, como esteve até o nosso “vai com Deus”.
Te espero sabendo que te espero por opção, por amor, por tesão, por teimosia, por esperança. “Tudo é rio”, da Carla Madeira. Capítulo 8. Até você voltar, terminarei de ler o livro.
Durma bem durante a viagem.
P.S.: As panelas que ficaram sobre o fogão eu lavo pela manhã. Volta logo. Quero você.

Quando a noite chega, chega também o açoite
Chega a saudade que mato no álcool
Chega nos canais de TV que evito ver
Chega no desejo que nego
Chega no saber que estás sei lá onde
…
Quando o dia chega, chega também o açoite
Mais uma noite que passei sem ti
Meu corpo sem teu cheiro
Os lençóis arrumados e ilesos
Mais um café sem gosto
…
Queria eu ter o poder de voltar no tempo
Para refazer ou reescrever o momento
Que confesso, desconheço
Em que nos perdemos um do outro
…
Queria eu ter o poder avançar o tempo
Até viver ou sentir por um momento
Que te esqueci e não me lembro
Que não sei viver sem ti
…
Açoite
Noite e dia
Dia e noite
Açoite
Açoite
Açoite
Açoite
Açoite
Me mostra aquelas poesias
Que você escrevia
Quando o nosso amor
Escorria pelos seus dedos
…
Me fala do tempo
Em que éramos três:
Nós
Você e eu
…
Me fala das fotografias
Onde tudo que a gente queria
Era perpetuar
Todo e qualquer instante
…
E hoje, que tudo temos
Que tudo podemos
Me fala do nosso amor
Como se não fosse algo distante
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