Hoje, meu irmão faria 48 anos. Faleceu quando tinha apenas 8 anos.
Como seria se… ? Não sei. Só sei que faz 40 anos que sou pura saudade.
Feliz Aniversário, meu irmão!
Hoje, meu irmão faria 48 anos. Faleceu quando tinha apenas 8 anos.
Como seria se… ? Não sei. Só sei que faz 40 anos que sou pura saudade.
Feliz Aniversário, meu irmão!
Aos poucos, o calor do verão se vai,
E o fim de tarde chega feito esperança:
Brisa leve, água de coco, andanças,
Pores do sol para admirar.
No coração certezas frágeis,
Ausências sentidas,
Distâncias doridas,
E a realidade para me abraçar.
O sonho está vivo,
Viver é preciso,
E os velhos lugares me sorriem,
Me chamando para ser e estar.
E volta e meia a saudade me cutuca,
Dá o ar da sua graça e o perfume da sua nuca,
Lembranças das quais não fujo,
Lembranças que insistem em ficar.
E quem sabe amanhã ou hoje ainda,
Neste por de sol que sempre fascina,
Tudo se resolva com um simples olhar:
Posto que tudo é simples e belo com os olhos do amar.

No café da manhã, enquanto ela lia as notícias e conversávamos sobre elas.
Na hora de dormir, vendo “O mundo visto de cima”.
Sinto falta de tudo que acontecia durante o dia.
Nunca senti uma saudade tão intensa.
Já xinguei Deus por conta disso. Já agradeci a Deus por tudo isso.
Tenho memórias e milhões de histórias.
Tenho sorrisos que aparecem por conta de lembranças. Também tenho lágrimas que aparecem pelo mesmo motivo.
Mas, acima de tudo, sempre muita saudade.
E quero viver com ela mais memórias e milhões de histórias.
Porque se não é pela presença, é pela saudade que eu vivo.

Te olhar nem sempre é com os olhos.
Por vezes, sinto minhas entranhas atiçadas, pois és parte delas.
Por vezes, quando as minhas pálpebras fingem que dormem, lá estás, lá vives.
Nenhuma força é maior do que ti, e por isto acabaste com meu estado de natureza.
És o meu estado meu estado civil, e o céu se faz anil todos os dias, até nos dias que não te vejo.

Eu vi a birra da criança
Eu vi a alegria dos bate-bate
Eu vi os escorregadores e os balanços
Eu vi os cachorros rolando na grama
Eu vi o senhor e seus passarinhos
Eu vi as flores e as cutias
Eu vi o casal se beijando ardentemente
Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho
Eu vi o coreto e a igreja matriz
Eu vi o moço que vendia balas e balões
Eu vi o lago e os peixinhos.
E ali, bem ali
Bem no meio daquele campo
Eu revivi a minha infância
Cheio de saudades de quem deste mundo
Já se foi sem mim.

Comprei panelas novas,
Porque as panelas da minha falecida avó
Já pareciam muito velhas.
Eu culpava as panelas velhas
Por não conseguir fazer as receitas da minha avó,
Que tinha ido embora bem velha.
Não consegui.
As panelas novas de nada adiantaram.
E foi então que eu percebi
Que nunca foram as panelas:
Nem as novas e muito menos as velhas.
Minha avó conseguiria fazer com as novas
O que ela consegui fazer tantas vezes –
Infinitas vezes! –
Nas panelas velhas.
E então eu chorei.
Choro de neto.
Quero de volta as coisas velhas:
Minha avó e suas panelas.
Ele faleceu na cidade que eu morava. Fui para a porta do hospital onde ele estava internado. Nunca mais me esqueci.
Obrigado, homem que tinha o maçarico na voz. NUNCA te esquecerei.
Para quem quiser ouvir um pouco mais de Dio, sugiro também a banda Elf, Rainbow e Black Sabbath.
na madrugada
a saudade é açoite –
insistente
insolente
inclemente –
que quase mata
e nunca morre

No Centro de Niterói/RJ, durante a década de 1970, meu avô saía de casa aflito todas as vezes que chovia e ventava muito forte. Ele saía com uma caixa de papelão nas mãos, e um dia me chamou para ir com ele (para o desespero da minha mãe, pois eu era muito novo).
Fomos em direção à casa que abrigava a prefeitura na época, que era completamente cercada por árvores enormes. Diante delas, vi meu avô se abaixando e recolhendo o que pareciam ser pequenos frutos das árvores. Não eram. Eram pequenos pardais desfalecidos por conta da tempestade.
Então, já com a caixa cheia dos pequenos pássaros, meu avô voltou para casa, cobriu a caixa com um cobertor e a colocou no forno, em temperatura bem baixa e com a porta aberta. Instantes depois, meu avô retirou a caixa do forno e eu comecei a ouvir inúmeros e intensos piados. Quando a chuva passou, meu avô retirou o cobertor de cima da caixa, bem perto da janela da cozinha, e dezenas de passarinhos fortes e aquecidos, voaram pela janela em direção ao infinito, em direção à vida.
Aprendi ali com meu avô, bem cedo, que mesmo sem que um pardal lembrasse do meu avô ou se mostrasse minimamente grato a ele, o prazer de ver os pardais voltarem a voar significava para ele absolutamente tudo. Ele praticava o bem e o bem era a sua própria recompensa. Era evidente nos seus olhos e no sorriso que esbanjava para si mesmo.
Que nossos corações e nossas atitudes sejam como a caixa, o cobertor e o forno do meu avô. E que possamos fazer o bem sem esperar nada de ninguém, na certeza de que ver o outro se levantar diante de uma dificuldade é um dos mais sublimes experiências que podemos ter na vida.
Saudades de ti, Afonso Fonseca, meu adorável e inesquecível avô. Obrigado por ter me ensinado tantas e tantas vezes o que verdadeiramente vale a pena na vida.

Você precisa fazer login para comentar.