Avatar de Desconhecido

Felipe Ottolini

Hoje, meu irmão faria 48 anos. Faleceu quando tinha apenas 8 anos.

Como seria se… ? Não sei. Só sei que faz 40 anos que sou pura saudade.

Feliz Aniversário, meu irmão!

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Pores do sol

Aos poucos, o calor do verão se vai,

E o fim de tarde chega feito esperança:

Brisa leve, água de coco, andanças,

Pores do sol para admirar.

No coração certezas frágeis,

Ausências sentidas,

Distâncias doridas,

E a realidade para me abraçar.

O sonho está vivo,

Viver é preciso,

E os velhos lugares me sorriem,

Me chamando para ser e estar.

E volta e meia a saudade me cutuca,

Dá o ar da sua graça e o perfume da sua nuca,

Lembranças das quais não fujo,

Lembranças que insistem em ficar.

E quem sabe amanhã ou hoje ainda,

Neste por de sol que sempre fascina,

Tudo se resolva com um simples olhar:

Posto que tudo é simples e belo com os olhos do amar.

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É pela saudade

No café da manhã, enquanto ela lia as notícias e conversávamos sobre elas.

Na hora de dormir, vendo “O mundo visto de cima”.

Sinto falta de tudo que acontecia durante o dia.

Nunca senti uma saudade tão intensa.

Já xinguei Deus por conta disso. Já agradeci a Deus por tudo isso.

Tenho memórias e milhões de histórias.

Tenho sorrisos que aparecem por conta de lembranças. Também tenho lágrimas que aparecem pelo mesmo motivo.

Mas, acima de tudo, sempre muita saudade.

E quero viver com ela mais memórias e milhões de histórias.

Porque se não é pela presença, é pela saudade que eu vivo.

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Anil

Te olhar nem sempre é com os olhos.

Por vezes, sinto minhas entranhas atiçadas, pois és parte delas.

Por vezes, quando as minhas pálpebras fingem que dormem, lá estás, lá vives.

Nenhuma força é maior do que ti, e por isto acabaste com meu estado de natureza.

És o meu estado meu estado civil, e o céu se faz anil todos os dias, até nos dias que não te vejo.

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Muito eu vi(vi)

Eu vi a birra da criança

Eu vi a alegria dos bate-bate

Eu vi os escorregadores e os balanços

Eu vi os cachorros rolando na grama

Eu vi o senhor e seus passarinhos

Eu vi as flores e as cutias

Eu vi o casal se beijando ardentemente

Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho

Eu vi o coreto e a igreja matriz

Eu vi o moço que vendia balas e balões

Eu vi o lago e os peixinhos.

E ali, bem ali

Bem no meio daquele campo

Eu revivi a minha infância

Cheio de saudades de quem deste mundo

Já se foi sem mim.

Campo de São Bento – Niterói/RJ
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A culpa não era das panelas

Comprei panelas novas,

Porque as panelas da minha falecida avó

Já pareciam muito velhas.

Eu culpava as panelas velhas

Por não conseguir fazer as receitas da minha avó,

Que tinha ido embora bem velha.

Não consegui.

As panelas novas de nada adiantaram.

E foi então que eu percebi

Que nunca foram as panelas:

Nem as novas e muito menos as velhas.

Minha avó conseguiria fazer com as novas

O que ela consegui fazer tantas vezes –

Infinitas vezes! –

Nas panelas velhas.

E então eu chorei.

Choro de neto.

Quero de volta as coisas velhas:

Minha avó e suas panelas.

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Treze anos sem Dio

Ele faleceu na cidade que eu morava. Fui para a porta do hospital onde ele estava internado. Nunca mais me esqueci.

Obrigado, homem que tinha o maçarico na voz. NUNCA te esquecerei.

Para quem quiser ouvir um pouco mais de Dio, sugiro também a banda Elf, Rainbow e Black Sabbath.

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Suplício

na madrugada

a saudade é açoite –

insistente

insolente

inclemente –

que quase mata

e nunca morre

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O bem aquece a vida

No Centro de Niterói/RJ, durante a década de 1970, meu avô saía de casa aflito todas as vezes que chovia e ventava muito forte. Ele saía com uma caixa de papelão nas mãos, e um dia me chamou para ir com ele (para o desespero da minha mãe, pois eu era muito novo).

Fomos em direção à casa que abrigava a prefeitura na época, que era completamente cercada por árvores enormes. Diante delas, vi meu avô se abaixando e recolhendo o que pareciam ser pequenos frutos das árvores. Não eram. Eram pequenos pardais desfalecidos por conta da tempestade.

Então, já com a caixa cheia dos pequenos pássaros, meu avô voltou para casa, cobriu a caixa com um cobertor e a colocou no forno, em temperatura bem baixa e com a porta aberta. Instantes depois, meu avô retirou a caixa do forno e eu comecei a ouvir inúmeros e intensos piados. Quando a chuva passou, meu avô retirou o cobertor de cima da caixa, bem perto da janela da cozinha, e dezenas de passarinhos fortes e aquecidos, voaram pela janela em direção ao infinito, em direção à vida.

Aprendi ali com meu avô, bem cedo, que mesmo sem que um pardal lembrasse do meu avô ou se mostrasse minimamente grato a ele, o prazer de ver os pardais voltarem a voar significava para ele absolutamente tudo. Ele praticava o bem e o bem era a sua própria recompensa. Era evidente nos seus olhos e no sorriso que esbanjava para si mesmo.

Que nossos corações e nossas atitudes sejam como a caixa, o cobertor e o forno do meu avô. E que possamos fazer o bem sem esperar nada de ninguém, na certeza de que ver o outro se levantar diante de uma dificuldade é um dos mais sublimes experiências que podemos ter na vida.

Saudades de ti, Afonso Fonseca, meu adorável e inesquecível avô. Obrigado por ter me ensinado tantas e tantas vezes o que verdadeiramente vale a pena na vida.

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Anil

Volta e meia,
Visitas-me em sonhos.

Interagimos,
Nos sentimos –
Existimos! –
Pelo menos durante a madrugada anil.

E quando o dia seguinte se acorda,
Fica a presença,
O perfume,
O toque…
Fica até a tua voz!

Fica tudo de quem para sempre se foi,
Mas que de mim nunca partiu.