Avatar de Desconhecido

Explosão

Desejo que por mim fala

Que me deixa sem voz

Desejo que me consome

Que me fustiga a alma

Desejo que me faz derrubar paredes

Que me faz criar poças

Desejo que me vasculariza

Que me engrandece

Desejo que nunca me esquece

Que tem nome e dona

Vivo em estado de visceral desejo

É fato

Eu reconheço

Eu já sei

Desejo, desejo,

Beijo, vinho

Queijo, beijo

Explodi!

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Cúmplices

Todas as vezes que penso no amor, inevitavelmente me vejo pensando em você.

Todas as vezes que penso em você, inevitavelmente me vejo pensando no amor.

Você e o amor são uma coisa só.

São cúmplices!

Associação criminosa!

Me sequestraram sem pedir resgate!

O pior é eu estar gostando deste cativeiro…

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Plágio

Tu que és luz da minha luz

Que de mim tudo traduz

Diga-me o que fazer

Com estes versos que nunca escrevi.

Tenho medo da rima que não encontro

Do que já disseram antes de eu ter dito

Fico aflito:

Serão os versos infinitos

Ou é um plágio tudo que sinto?

Sinto que parece ser tudo único

Mas há alguém que já tenha escrito

Sem sentir o mesmo?

Ou será que sou plágio de mim mesmo

Viciado em teu beijo

E só sei falar disso?

Tu que és luz da minha luz

Me traduza em poesias

Pelos teus próprios dedos.

Só assim acreditarei em meus versos

Ainda que todos estes sejam teus.

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Pegadas

Olhei para trás e vi minhas pegadas

Algumas um pouco borradas pelo tempo

Outras tantas ainda vivas apesar do tempo.

Pegadas que viraram poças

De sangue, suor

Esperma, lágrimas,

Vinho, saliva.

Cicatrizes

Momentos felizes

Pegadas que não se repetirão mais

Pegadas que nunca serão esquecidas.

Mas o que são estas minhas pegadas

Senão a minha própria vida?

A elas sou apegado

E eu sou desses

Que criam e vivem histórias

E minhas pegadas sempre serão

Ainda que depois da minha morte

A prova de que eu continuo vivo.

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Eu passarinho

Eu passarinho

Que achou seu ninho

Depois de uma vida inteira a procurar.

Envolva-me em teus silêncios

Como me envolves em teus braços,

Quando fazes o tempo parar.

Acredita em ti mesma

Feito eu acredito em ti,

Porque sem ti

Não há motivos para acreditar.

E ainda que eu não seja

Nada parecido para ti

Entenda-me:

Amo-te porque és o meu tudo isso

E de alguma forma é meu ofício

Em ti me aninhar.

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Toxicidade

Posso te contar um segredo?

Eu já tive medo dela.

Medo de me perder de mim.

Eu ouvia minha mãe dizendo:

“Nada na vida pode ser tão bom.

Há algo de errado em todo esse frisson.

É só questão de tempo.”

(para eu me foder)

Mas minha mãe nunca me disse isso e nem precisava dizer.

Sem perceber (ou percebendo),

Ela sempre me fez crer

Que perder (seja lá o que for),

Era o meu insuperável destino.

E na terapia eu matei essa menino –

(morte necessária) –

E apesar de ainda ouvir a minha mãe dizer

(até mesmo quando ela não diz),

Aprendi a ficar em paz comigo.

Minha mãe já foi meu único abrigo

Diante de tramoias e perigos,

Que nunca existiram,

Que eu nunca vi acontecer.

E hoje, beijo-lhe a testa de maneira doce,

E convivo com o que ela gostaria que eu fosse

Ainda que eu saiba que este não sou eu.

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Impetuosa

me pega

e transforma

meu inverno

em verão

e meu inferno

em paraíso

faz chover granizo

é de ti que preciso

quero risos

e minha língua

perto do teu umbigo

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Dias

Escolher-te-ei todos os dias

Até que chegue o fim dos meus dias

Porque quando não estás em meus dias

É como se dias não houvesse.

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Sobre nós

É sobre ter paciência
Entender que precisa madurar
Antes de colher

É sobre o amor
Amargo feito fel
Que vira brigadeiro de colher

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Crescimento

Chegou rouca
Ficou louca
Calei sua boca
Com o que entre nós cresceu